É possível sentir mais frio no interior de casa do que do lado de fora? A resposta está no conforto térmico. Embora a intensidade do frio varie conforme as condições do tempo, a sensação térmica no interior dos imóveis depende, principalmente, das características da construção. Paredes, janelas e coberturas com baixo isolamento favorecem a perda de calor e podem deixar os ambientes mais frios do que o esperado.

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Quando reformas estruturais não são viáveis, equipamentos elétricos costumam ser a alternativa mais buscada para aquecer os ambientes. As soluções mais procuraras pelas famílias são aquecedores, aparelhos de ar-condicionado com modo aquecimento e sistemas de calefação. Em 2025, só setor de instalação de ar-condicionado registrou crescimento de 40,4% no Paraná, segundo dados do Impulsiona Sebrae.

Um dos principais fatores por trás da alta é a versatilidade para uso durante todo o ano, ao contrário dos aquecedores, normalmente restritos aos meses de inverno. Apesar dessa vantagem, o investimento inicial e os custos de operação ainda pesam na decisão de compra.

Em média, um aquecedor elétrico simples de 1.500 W custa entre R$ 125 e R$ 300, enquanto os modelos de parede ou a óleo partem de R$ 400. Já um ar-condicionado de 9 mil BTUs, indicado para ambientes de até 15 metros quadrados, tem preço médio a partir de R$ 1,5 mil. Para casas e apartamentos mais antigos, onde a instalação pode exigir adaptações, as opções mais indicadas são os modelos de janela ou portáteis, encontrados a partir de R$ 2,4 mil.

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Um ar-condicionado de 9 mil BUTs consome, em média, entre 17 kWh e 30 kWh por mês quando utilizado por cerca de oito horas diárias, o que representa um acréscimo aproximado de R$ 103,30 na conta de energia elétrica. Embora o custo não seja baixo, ele ainda tende a ser inferior ao dos aquecedores elétricos. Um equipamento de 1.500 W, por exemplo, pode consumir aumentar a conta de luz entre R$ 125 e R$ 250, dependendo do consumo.

Infográfico comparativo de ar-condicionado e aquecedor. Imagem: Gerada por IA.

Cresce interesse em calefação

Além dos equipamentos elétricos tradicionais, consumidores também têm buscado soluções permanentes para melhorar o conforto térmico das residências. Entre elas, está a calefação. Para o diretor-executivo da Vesta Pisos Aquecidos, empresa de Curitiba que atua no mercado há oito anos, Leandro Alma, o inverno representa a principal temporada de vendas do setor, com aumento na procura a partir de abril.

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Em média, de cada dez clientes que procuram a empresa, oito contratam o serviço. “O sistema de pisos aquecidos, na realidade, entrega uma calefação ambiente. Você vai eliminar as amplitudes térmicas, ou seja, você pode manter uma temperatura de residência na casa dos 23 a 25 ºC. Especialmente os clientes de alto padrão, quando procuram essa solução, a única dúvida é com qual vai ser o fornecedor. Dificilmente ele deixa de contratar o sistema”, explica o diretor.

Ao contrário do que ocorre em países de clima mais frio, os sistemas utilizados no Brasil não dependem do acúmulo de calor. Os sistemas modernos desligam o aquecimento assim que o ambiente atinge a temperatura desejada, evitando o consumo contínuo e economizando energia. Por isso, o custo acaba relativamente mais acessível em comparação a outros países. Os preços variam, em média, entre R$ 350 e R$ 450 por metro quadrado, mas podem chegar a R$ 1.200, dependendo do sistema instalado.

Custos impactam tomada de decisões

Apesar da ampliação da oferta de sistemas de aquecimento, a forma mais eficiente e mais barata de manter a casa aquecida continua sendo o investimento no próprio desempenho térmico da construção. Isso porque soluções que dependem de energia elétrica também costumam exigir investimentos em adequações da rede elétrica e obras de instalação.

No caso dos pisos aquecidos, por exemplo, o sistema funciona em 220 volts e exige revestimentos específicos. Em imóveis mais antigos, a instalação pode demandar a modernização da rede elétrica e até obras complementares, como no caso da instalação de equipamentos de ar-condicionado, o que eleva o investimento.

Instalação de piso sobre sistema de calefação. Imagem ilustrativa. Foto: Deposit Photos.

Para manter os ambientes aquecidos, a arquiteta Ione Bertoncello afirma que a melhor estratégia é considerar o conforto térmico ainda na fase de projeto. Segundo ela, decisões estruturais tomadas durante a obra podem reduzir a necessidade de soluções posteriores, geralmente mais caras.

“No final das contas, tudo se resume a custo no Brasil. A construção convencional e o uso do tijolo são ainda o mais acessível para as pessoas. Se você deixar uma parede mais grossa com um tijolo deitado, por exemplo, com os três furos na horizontal, terá mais conforto, só que uma parede mais larga e mais grossa acaba também mais cara”, explica a arquiteta.

Segundo o líder do grupo de trabalho de sustentabilidade da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), Iago de Oliveira, os empreendimentos mais recentes seguem critérios rigorosos para garantir melhores condições de conforto aos moradores. “Fundamentalmente, a gente olha para como a gente pode fazer esse ambiente ser naturalmente confortável. No Brasil, a gente tem a NBR 15.575, que é a norma de desempenho das edificações habitacionais. Em Curitiba, por exemplo, isso tem força de lei.”

Sob a perspectiva das novas construções, o engenheiro civil e coordenador de planejamento da AGL Incorporadora, Vinícius Hanser, destaca que a eficiência das soluções voltadas ao conforto térmico depende de simulações realizadas ainda na etapa de projeto. Atualmente, as construtoras utilizam esses estudos para verificar se os empreendimentos atendem, ao menos, aos requisitos mínimos estabelecidos pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para o período pós-entrega.

“Desde 2010, basicamente a gente tem uma norma de desempenho térmico, acústico, alumínico que precisamos atender pelo menos o nível mínimo. A espessuras dos materiais interferem sim no conforto térmico, mas além dela, tem uma outra propriedade física, que é a questão da capacidade de transmitir o calor entre os lados desse material, chamada de condutividade térmica. Existem materiais que vão ter essa propriedade bem baixa e vão ser isolantes térmicos. A alvenaria, por exemplo, é um isolante térmico”, completa.

Alternativas para a construção ou reforma

Quem está planejando construir ou reformar pode reduzir a perda de calor com escolhas simples de materiais e acabamentos. Entre as alternativas estão a substituição das telhas convencionais por telhas sanduíche, a instalação de manta térmica ou acústica no forro e o uso de janelas com vidros laminados ou temperados de espessura superior a 6 milímetros. Embora esses itens tenham custo inicial mais elevado, eles contribuem para o conforto térmico durante o inverno e o verão, sem aumentar o consumo de energia elétrica.

Essas decisões também podem influenciar a compra de um imóvel. Segundo a arquiteta Ione Bertoncello, investir em conforto térmico nem sempre exige tecnologias sofisticadas. Em muitos casos, o resultado começa pela implantação da construção no terreno. A orientação das fachadas e a distribuição dos ambientes de maior permanência voltados para as faces Norte, Nordeste ou Noroeste favorecem o aproveitamento da luz solar e ajudam a manter a temperatura interna mais agradável.

“Outra dica é que nem sempre as soluções estão, por exemplo, em colocar um ar-condicionado. Se tem uma casa muito fria e põe o ar-condicionado quente, mas você tem um ponto de fuga que é, por exemplo, uma grande janela de vidro, irá gastar muita energia para aquecer o ambiente e o vidro ali vai ficar perdendo calor”, acrescenta.

O engenheiro civil Vinícius Hanser orienta que os compradores também avaliem os materiais utilizados na construção durante a aquisição e, principalmente, na entrega do imóvel. Segundo ele, vale observar os revestimentos internos e externos, conferir a qualidade dos acabamentos e verificar se o que foi executado corresponde ao memorial descritivo e à documentação assinada.

“Que materiais estão sendo usados nas vedações? Nisso estão a parte de alvenaria, se tem uma parede ou uma segunda manta no drywall e as próprias esquadrias. Outra grande pergunta é se houve a simulação térmica computacional para validar o projeto perante as normas. Contratar um profissional que vá junto na vistoria acaba tendo esse olhar de validação tanto de acabamentos quanto de desempenho”, conclui.