Um servidor de uma unidade de acolhimento da Secretaria de Assistência Social (SAS) de Maringá perdeu a visão do olho direito após ser agredido por adolescentes no último fim de semana. O trabalhador foi socorrido logo após o ataque, passou por cirurgia de emergência e registrou boletim de ocorrência. Até esta quarta-feira (20), ele passou pela avaliação de outros dois oftalmologistas, que acreditam não haver possibilidade de recuperação da visão. O caso reacende denúncias sobre falta de segurança na SAS
O ataque ao servidor, que atua há quase 30 anos na prefeitura, ocorreu dentro do abrigo por quatro adolescentes. Durante a confusão, cadeiras, móveis e outros objetos foram arremessados contra ele. Além disso, ele sofreu agressões físicas, incluindo um forte soco no rosto, que atingiu diretamente o olho direito. O abrigo municipal atende meninos e meninas com idades entre 12 e 18 anos.
De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (SISMMAR), o servidor segue em recuperação em casa, bastante abalado emocionalmente e sob efeito de medicação. Pessoas próximas relataram que ele ainda não se sente confortável para falar publicamente sobre o caso.
Ainda segundo o sindicato, o trabalhador havia passado recentemente por um procedimento ocular e ainda estava em processo de recuperação.
Prefeitura afirma que acompanha o caso
A Prefeitura de Maringá informou, por meio de nota, que o servidor recebeu atendimento médico imediato, permaneceu em observação hospitalar e recebeu alta. Segundo o município, ele segue acompanhado por equipes de saúde e assistência social.
A prefeitura afirmou ainda que representantes da SAS acompanharam o servidor durante o atendimento hospitalar e seguem prestando apoio à família. O caso foi registrado em boletim de ocorrência e encaminhado às autoridades competentes para investigação.
“A Prefeitura de Maringá reforça que repudia qualquer forma de violência e ressalta que as equipes que atuam nos serviços de acolhimento desempenham um trabalho fundamental, voltado à proteção social e ao cuidado de adolescentes em situação de vulnerabilidade”, informou a administração municipal.
Sismmar aponta histórico de violência nas unidades
A secretária-geral do SISMMAR, Ana Lúcia de Araújo, afirmou que o episódio não é isolado e representa mais um caso de violência registrado nas unidades da assistência social do município.
“Os problemas nos abrigos infantil e adolescente já vêm sendo denunciados há muito tempo. No ano passado tivemos uma servidora esfaqueada, que acabou deixando o trabalho porque não tinha mais condições psicológicas de continuar”, afirmou.
De acordo com ela, o servidor agredido no último fim de semana já havia sofrido agressões anteriores por parte dos mesmos adolescentes envolvidos no caso.
“Há cerca de duas semanas ele já tinha levado socos e pontapés de um desses adolescentes. Agora tivemos essa situação gravíssima e a perda de uma visão”, disse.
Reunião com o MPPR debate situação da SAS
Nesta semana, representantes do sindicato participaram de uma reunião com o Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) para apresentar novamente os problemas enfrentados nas unidades da SAS e relatar o caso ocorrido no último fim de semana.
Segundo o SISMMAR, o encontro foi marcado pela urgência da situação, mas não houve encaminhamentos imediatos por parte do órgão, que informou estar avaliando medidas internas para atuação no caso.
Em nota, o sindicato afirmou que os casos de violência nas unidades da assistência social vêm se acumulando e envolvem servidores dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) e serviços de acolhimento. A entidade também criticou a falta de protocolos de segurança, o déficit de trabalhadores e a ausência de respostas efetivas da administração municipal.
Sindicato cobra medidas e critica convocação emergencial
Desde 2024, o SISMMAR mantém a campanha “Cuidar de quem cuida é o primeiro passo”, criada para alertar autoridades sobre os riscos enfrentados pelos trabalhadores da assistência social. Entre as reivindicações apresentadas estão a contratação de mais servidores concursados, implantação de protocolos de segurança, instalação de botão do pânico nas unidades e reforço da articulação com a Guarda Civil Municipal.
A principal discussão agora envolve a convocação obrigatória de servidores de outras unidades da assistência social para atuar emergencialmente no abrigo de adolescentes.
A medida foi oficializada pela SAS por meio de um ofício circular que estabelece escalas e rodízios de trabalhadores de diferentes setores a partir desta quarta-feira (20). Segundo a secretaria, a convocação garante a continuidade e a segurança dos atendimentos diante da situação emergencial.
O SISMMAR, critica a decisão e afirma que o acolhimento institucional é um serviço de Alta Complexidade, que exige preparo técnico, capacitação específica e estrutura adequada. O caso será levado ao MPPR e o sindicato já estuda medidas jurídicas sobre a convocação.
