Governo do Paraná

Secretária de Caiado, futura chefe da Educação no Paraná elevou Ideb e teve conflitos com professores

Fotografia em plano médio de duas figuras públicas a apertarem as mãos e a sorrirem num ambiente institucional. Em primeiro plano e à esquerda, um homem de cabelos grisalhos e curtos veste um fato azul-marinho e uma camisa social branca com o colarinho aberto, sorrindo voltado para a câmara enquanto aperta a mão da mulher ao seu lado. À direita, uma mulher de cabelos castanhos ondulados veste uma blusa vermelha de gola alta sob um casaco ou blazer claro, sorrindo abertamente com o olhar ligeiramente dirigido para a direita. As mãos de ambos unem-se no centro inferior da composição num gesto cordial. No plano intermediário, os retratados destacam-se sob iluminação suave de interior. Ao fundo, uma parede de madeira escura serve de painel de fundo, com parte de uma bandeira institucional com faixas em azul, branco e amarelo visível logo atrás da mulher.
Futura secretária concorreu a deputada federal em Goiás nesta eleição. Foto: Romullo Carvalho/Governo de Goiás.

A partir de 2027, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná será comandada por Fátima Gavioli, segunda pessoa anunciada por Sergio Moro (PL) para compor o secretariado. Professora, ela já esteve à frente da mesma pasta em Goiás, durante o governo de Ronaldo Caiado (PSD).

Natural de Goioerê, no Noroeste do Paraná, Aparecida de Fátima Gavioli Soares Pereira construiu a carreira na educação em Rondônia antes de assumir a secretaria estadual em Goiás. Ela chegou a Cacoal (RO) em 1985, foi aprovada em concurso público para a rede estadual de ensino e atuou como coordenadora da Coordenadoria Regional de Educação no município.

A formação de Gavioli inclui graduações em Letras pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Direito pela Universidade Federal de Rondônia (Unir) e Pedagogia pela Unopar, além de mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O currículo também inclui passagem pela Secretaria de Estado da Educação de Rondônia, entre dezembro de 2014 e janeiro de 2017, a vice-presidência do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a seleção para o programa Talentos Lemann. 

Por meio da iniciativa, ela participou de uma formação em gestão em Harvard. Na época, cursava doutorado em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com pesquisa sobre funções executivas do cérebro e aprendizagem infantil.

Trajetória e resultados em Goiás

Em 2019, Gavioli recebeu o título honorífico de Cidadã Goiana, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Naquele ano, assumiu a secretaria estadual durante o governo de Ronaldo Caiado e permaneceu no cargo até março de 2026, quando deixou a função para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

Durante sua gestão, o ensino médio da rede estadual avançou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que combina resultados de aprendizagem em português e matemática com taxas de aprovação escolar. A nota de Goiás passou de 4,3, em 2017, para 5,0, em 2025, o maior resultado da série histórica do estado. Apesar do avanço, Goiás ficou atrás do Paraná, que alcançou 5,1 nessa etapa de ensino.

Entre as iniciativas da gestão estavam o Bolsa Estudo, voltado a incentivar a permanência dos estudantes na escola, e a distribuição de uniformes, materiais escolares e equipamentos tecnológicos. A secretaria também investiu na substituição de estruturas precárias por prédios de alvenaria, na construção de novas unidades e na retomada de obras paralisadas.

Outra frente foi o AlfaMais Goiás, programa de colaboração com os municípios para apoiar a alfabetização infantil, com materiais pedagógicos e formação continuada de professores. Em balanço divulgado pelo governo estadual, Gavioli atribuiu parte dos avanços à cooperação entre o estado e as prefeituras.

Impasses com professores

Durante a gestão, as mudanças no plano de carreira e as condições de trabalho foram alvo de críticas de representantes da categoria e de parlamentares da oposição. Entre os pontos de contestação estavam a remuneração, os direitos dos professores contratados temporariamente e a cobrança por metas de desempenho.

Em outubro de 2024, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou mudanças no plano de carreira que foram criticadas por entidades sindicais. As organizações apontaram perda de direitos e precarização da carreira docente.

Uma das declarações de maior repercussão da secretária ocorreu em 24 de outubro de 2024, durante uma transmissão ao vivo com profissionais da educação. Ao responder a um professor que relatou dificuldades financeiras e afirmou que o problema não era apenas conseguir um aumento, mas “passar fome”, Gavioli disse que ele deveria procurar outro emprego caso considerasse insuficiente o salário pago na educação.

A declaração provocou reações de sindicatos, entre eles o Sindicato dos Servidores Públicos e Empresas Públicas Municipais de Valparaíso de Goiás (Sindsepem/Val). Em nota, a entidade acusou a secretária de desrespeitar os profissionais e ignorar as dificuldades enfrentadas pela categoria.

Na mesma transmissão, uma professora de geografia contratada temporariamente pela rede estadual questionou as regras para se ausentar do trabalho a fim de levar o filho ao médico. Segundo notas divulgadas pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) e pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), a docente relatou que não tinha direito a atestado de acompanhamento e havia sido registrada como faltosa após levar o filho a uma consulta.

No dia seguinte à transmissão, a professora foi informada sobre a rescisão do contrato. As entidades sindicais classificaram o desligamento como retaliação e manifestaram solidariedade à docente. A Secretaria de Educação, por sua vez, atribuiu o encerramento do vínculo ao término natural do contrato temporário e afirmou que seguia a legislação federal aplicável a esse tipo de contratação.

Outra controvérsia foi o recolhimento, em março de 2024, de exemplares de O Avesso da Pele, romance de Jeferson Tenório vencedor do Prêmio Jabuti que aborda racismo e violência. A secretaria afirmou que retirou a obra das escolas para avaliar sua adequação à proposta pedagógica da rede, citando expressões e descrições consideradas inadequadas para menores de 18 anos. Entidades acadêmicas criticaram a medida e a classificaram como censura. Após a repercussão, o governo goiano reviu a decisão, e o livro voltou a ficar disponível nas escolas em abril daquele ano.

Gavioli não foi eleita deputada federal

Em março de 2026, Gavioli deixou a secretaria para disputar uma vaga de deputada federal pelo PSD. Ela recebeu 54.954 votos e terminou a eleição como suplente. Antes disso, também havia sido suplente de deputada estadual em Rondônia, em 2018, pelo PSD, e em 2010, pelo PDT.

No início de outubro de 2026, após o primeiro turno das eleições, Gavioli retornou ao comando da Secretaria de Educação de Goiás, nomeada pelo governador Daniel Vilela. Ela voltou ao cargo depois de um período em que Helena Bezerra havia assumido a secretaria.

Agora no comando da pasta no Paraná, ela terá que chefiar a execução de três eixos educacionais propostos no plano de governo de Moro: valorização dos professores, melhoria da infraestrutura escolar e aprendizagem voltada à vida e ao mercado de trabalho. 

Entre as medidas previstas estão ampliar a educação em tempo integral, expandir as escolas cívico-militares e a oferta de vagas em creches, além de reforçar o ensino de Português e Matemática. O plano também propõe criar uma formação técnica e profissionalizante no ensino médio, vinculada às vocações econômicas de cada região, revisar as plataformas educacionais para eliminar ferramentas desnecessárias e estabelecer o Observatório Paraná da Educação, com dados públicos sobre o setor. 

Outras iniciativas incluem priorizar obras conforme o risco e a urgência, reduzir a burocracia nas escolas, ampliar intercâmbios para estudantes e professores, apoiar alunos com altas habilidades e expandir cursos superiores a distância e tecnológicos, além de oferecer subsídios para alimentação e moradia estudantil.

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