O excesso de chuvas durante a colheita e o aumento dos custos de produção levaram à revisão para baixo da safra de grãos de inverno no Paraná, segundo boletim conjuntural divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab-PR).

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A estimativa atualizada para a safra de inverno no Paraná é de 2,84 milhões de toneladas, volume 28% menor do que o colhido em 2025 (3,93 milhões de toneladas). Segundo o boletim, o principal vilão foi o volume de chuva acima da média provocado pelo fenômeno El Niño, que atingiu a fase final de desenvolvimento e colheita.

A produção esperada do trigo foi reajustada para 1,9 milhão de toneladas (uma queda de 34% em relação a 2025). Além da menor área plantada (-12%), a produtividade média caiu para 44 sacas por hectare. Com 88% da área colhida, o excesso de umidade trouxe fortes restrições de qualidade nos grãos para a indústria moageira.

No caso da cevada, mesmo com o aumento de 23% na área plantada — que prometia uma safra recorde —, as perdas qualitativas reduziram a estimativa de colheita para 492 mil toneladas, uma retração de 2% frente ao ano passado.

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A canola ganhou destaque por dobrar o volume ofertado no estado (11,3 mil toneladas), puxada pelo aumento da área cultivada.

Culturas de verão: plantio de soja e milho avança

Para a safra de verão 2026/27, o plantio da soja alcançou 62% da área prevista de 5,74 milhões de hectares. O Deral projeta uma colheita de 22,75 milhões de toneladas e reporta que 88% das lavouras já instaladas apresentam boas condições.

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Já a primeira safra de milho atinge a reta final de semeadura (94% dos 372 mil hectares projetados), com produção estimada em 4,08 milhões de toneladas. As lavouras de milho, no entanto, mostram maior sensibilidade ao acúmulo de água no solo: apenas 78% estão em boas condições, enquanto 20% estão em situação mediana e 2% em condição ruim.

Pecuária no “vermelho”: ração pressiona margens de frangos e suínos

Ainda conforme informações do Deral, a disparada nos preços dos principais insumos da nutrição animal — o milho no atacado (R$ 66,43/saca) e o farelo de soja (R$ 2.171,40/tonelada) — gerou estresse financeiro nas granjas paranaenses.

O custo de produção do frango vivo atingiu R$ 4,96 por quilo em setembro. Contudo, o preço médio recebido pelo produtor ficou em R$ 4,75 por quilo, gerando um prejuízo direto de R$ 0,21/kg (-4,23%). A alimentação representa 65,5% de todo o custo de criação.

Na suinocultura o custo de produção subiu para R$ 6,13 por quilo, enquanto o valor médio pago ao produtor despencou para R$ 5,17 por quilo (uma queda de 27,7% frente a setembro de 2025). Com isso, o produtor paranaense opera com preço recebido 15,66% abaixo do custo médio de produção.

Cebola dispara no atacado e leite cai na ponta final

Na cebolicultura, a colheita do ciclo 2026/27 teve início com a menor área cultivada da última década no Paraná (2,4 mil hectares, queda de 50,5%), resultado de sequências anteriores de preços baixos recebidos pelo produtor. Apesar da produção menor projetada em 96,5 mil toneladas, o mercado atacadista registrou forte alta: a saca de 20 kg de cebola subiu para R$ 135,37 no atacado (+261% comparado a janeiro) e atingiu média de R$ 6,73/kg no varejo.

No setor lácteo, a boa notícia para o consumidor paranaense veio com a leve queda nos preços praticados nos supermercados durante outubro. Os preços do leite longa vida (-0,86%), leite pasteurizado (-1,35%) e queijo muçarela (-0,55%) recuaram no varejo. No campo, os produtores receberam, em média, R$ 2,81 por litro de leite. Na balança comercial, o estado registrou alta de 19% nas importações de derivados lácteos até setembro.