Em entrevista concedida à Jovem Pan Curitiba nesta terça-feira (22), o governador do Paraná, Ratinho Jr., abordou temas que vão da economia à política nacional, passando pela segurança pública, concessões rodoviárias e os desdobramentos da sucessão estadual em 2026.

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Questionado sobre os efeitos das tarifas americanas ao setor produtivo paranaense, o governador afirmou que o segmento madeireiro é o mais afetado. “O Paraná é responsável por 60% do derivado de madeira de reflorestamento produzido no Brasil hoje, desde cavaco de madeira até celulose. Nós exportamos muito pinus para a construção civil dos Estados Unidos. Essa é uma taxação que preocupa nesse setor”, disse.

Segundo Ratinho Jr., o governo estadual já adotou medidas de apoio ao setor desde a primeira rodada de tarifas no fim do ano passado. “A gente já fez um trabalho tanto com o BRDE, criando uma linha de crédito para que eles possam ter capital de giro, quanto uma série de medidas de tributos, postergando o pagamento de ICMS, para que eles possam ter fôlego para o momento”, explicou.

Sobre a condução do tema pelo governo federal, o governador afirmou que houve uma falha diplomática. “O grande erro foi diplomático. O Brasil demorou muito, o governo federal, para entender que a diplomacia tinha que estar na frente da discussão política”, avaliou.

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Ao tratar da segurança pública, Ratinho Jr. defendeu que o problema central do país está na reincidência decorrente das soltas judiciais. “O problema do Brasil não é prender. O problema do Brasil é soltar bandido. Nós prendemos muito bandido e a justiça solta muito bandido”, declarou. O governador citou um dado da segurança pública paranaense: “De cada 100 pessoas presas em flagrante no Paraná, 60 são soltas na audiência de custódia.”

Ele defendeu que o Congresso Nacional conceda mais autonomia aos estados para legislar sobre crimes contra a vida. “Eu defendo que o Congresso Nacional dê autonomia aos estados para que a gente possa legislar sobre crime contra a vida. Um cara que comete um feminicídio, eu sou favorável a uma lei que ele fique 40 anos preso sem redução de pena”, afirmou, criticando a atuação do Legislativo federal no tema: “O Congresso não elegeu a segurança pública como prioridade há décadas. Tem sido omisso no combate à criminalidade, tanto a Câmara como o Senado.”

Free Flow e a concessão de rodovias

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Questionado sobre as críticas ao sistema de cobrança eletrônica Free Flow adotado nas rodovias concedidas do Paraná, o governador defendeu a tecnologia como um avanço já consolidado em outros países. “O Free Flow é, se você for na China, é assim, se for na Índia, na Alemanha, nos Estados Unidos, é assim. O Free Flow é para as concessões o que foi o Uber para a mobilidade urbana”, comparou.

Sobre o modelo de concessão rodoviária implementado no estado, Ratinho Jr. afirmou: “Nós fizemos o maior pacote de concessão rodoviária da América Latina. Dos Estados Unidos para baixo, não tem nada igual.” Ele citou ainda a redução do IPVA como medida de compensação aos motoristas: “Eu baixei em 50% o IPVA, porque o IPVA é o imposto de manutenção de rodovia. Nós implantamos a concessão e baixamos o imposto.” Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta o Paraná com a segunda malha rodoviária mais bem cuidada do Brasil, atrás de São Paulo.

Celepar e outras concessões

Ao ser questionado sobre a privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), o Ratinho Jr. defendeu a medida como forma de preservar a viabilidade da empresa. “Por que que eu quero avançar com a Celepar na privatização? É porque eu não quero que ela vire um Correios. Eu estou tentando evitar que ela seja colocada no mercado, para que possa continuar prestando o serviço antes de quebrar”, disse.

Sobre a resistência que costuma cercar processos de concessão e privatização, o governador afirmou: “Quando você mexe no interesse de alguém que está ganhando dinheiro, esse alguém vai se movimentar para tentar evitar. Usa ONG, usa muitas vezes um promotor mal intencionado ou até desavisado, usa mecanismos na justiça, faz denúncia anônima.”

Cenário nacional e apoio a Ronaldo Caiado

Sobre o tabuleiro político nacional, o governador confirmou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), na disputa presidencial de 2026. “Nosso candidato é o Caiado, é o candidato do partido, uma pessoa que a gente confia e respeita. Eu vou trabalhar pro Caiado, porque entendo que, dos quadros que estão aí, ele é o mais preparado para este momento do Brasil”, declarou.

Sobre uma eventual disputa de segundo turno entre Caiado e o senador Flávio Bolsonaro (PL), afirmou priorizar a viabilidade eleitoral: “Eu tenho que votar em quem tem condição, não é só quem eu gosto, é quem tem condição de tirar esse governo.”

Ratinho Jr. não descarta candidatura à Presidência

A respeito da possibilidade de uma candidatura própria à Presidência da República em eleições futuras, Ratinho Jr. não descartou a hipótese. “Eu gosto de política. Acho que a minha geração tem uma obrigação de poder colaborar com o Brasil”, afirmou. “Se eu tivesse viabilidade, sim, claro. Tenho 45 anos, sou novo ainda, tenho bastante tempo para construir um projeto nacional, não vejo problema nenhum nisso.”

Ao fazer um balanço de seus dois mandatos, o governador citou dados econômicos do estado. “Quando eu assumi o Paraná, o PIB em 2018 para 2019 era de R$ 440 bilhões. Eu vou fechar esse ano com mais de R$ 830 bilhões de PIB, quase dobrando o PIB do Paraná”, afirmou, destacando ainda a posição do estado no ranking nacional: “Nós passamos o Rio Grande do Sul, somos a quarta potência econômica do Brasil.” Sobre a área de educação, disse: “Peguei a educação em sétimo lugar. Hoje somos, há meia década, a melhor educação do Brasil.”