Quedas recorrentes no fornecimento de energia elétrica pela Copel têm causado estragos e prejuízos significativos aos produtores rurais do estado. O caso mais recente ocorreu em São Miguel do Iguaçu, no Oeste paranaense, onde 20 mil aves morreram devido à falta de ventilação adequada em uma granja.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguete, não esconde sua preocupação com a situação. “A energia elétrica é um insumo básico para a produção moderna. O que antes eram problemas pontuais, hoje são recorrentes e trazem prejuízos gigantescos não apenas para o produtor, mas a toda a sociedade paranaense”, afirmou.
Além da morte de animais, os produtores enfrentam a queima de equipamentos sensíveis e a perda total de colheitas. A avicultura e a fumicultura são os setores mais afetados até o momento.
Na granja de Sandra Bogo, em São Miguel do Iguaçu, nem mesmo o acionamento de geradores foi suficiente para evitar a tragédia. Com a oscilação da rede elétrica operando em “meia fase”, os componentes de proteção do sistema foram comprometidos, resultando na morte de 20 mil aves com apenas 26 dias de vida. O prejuízo estimado é de R$ 150 mil.
A fumicultura também não escapou dos danos. Meneguete relata o caso de um pequeno produtor que amargou um prejuízo de cerca de R$ 250 mil quando a energia caiu durante o processo de secagem do fumo e não retornou a tempo.
A Copel, por sua vez, atribui o desligamento na região de Nova Santa Rosa do Ocoy ao rompimento de um cabo de energia. A companhia afirma que realizou manobras na rede para religar o maior número possível de consumidores a partir de outra fonte de abastecimento. No entanto, o cliente citado ficou sem energia por 17 minutos, entre 11h16 e 11h33.
Como reduzir prejuízos
Diante desse cenário preocupante, especialistas apontam caminhos para mitigar os riscos. Náchila Santos, CEO de Estratégias da EcoPower Eficiência Energética, sugere o investimento em energia solar como uma solução viável. “O sistema de energia fotovoltaico, além da economia que proporciona aos produtores rurais, principalmente quando unido ao Sistema de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS), viabiliza tranquilidade”, explica.
A especialista ressalta que muitos produtores rurais expressam preocupação com a instabilidade no sistema de distribuição de energia elétrica e a demora na resolução de problemas por parte das concessionárias. “Com a economia obtida através da energia solar, os produtores conseguem quitar o investimento de seus financiamentos e reduzir severamente o risco de prejuízos”, afirma Náchila.
O campo paranaense clama por soluções urgentes. Enquanto a Copel busca aprimorar suas redes operacionais, os produtores rurais se veem obrigados a buscar alternativas para garantir a continuidade de suas atividades e evitar perdas devastadoras. A energia solar surge como uma luz no fim do túnel, oferecendo não apenas economia, mas também a tão necessária segurança energética para o setor agrícola do estado.
