As campanhas eleitorais dos últimos 30 anos no Paraná tiveram um tema recorrente: pedágios. Se ele surgir novamente, é importante o cidadão ficar atento às mudanças que ocorreram nas últimas concessões. Um primeiro ponto é sobre o quanto o Palácio do Iguaçu, a Assembleia Legislativa e o próprio Palácio do Planalto podem interferir no contrato.

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“Não temos o Governo, União ou Estado, segurando o contrato; temos a agência reguladora [ANTT], que, do ponto de vista técnico, se distancia um pouco mais da arena política e foca na execução do contrato, olhando para aquilo que de fato é importante para o nível de serviço. Não é uma análise de conveniência de ‘quero ou não antecipar obra’ por questões políticas e calendário eleitoral”, disse à Tribuna do Paraná a advogada Heloisa Caggiano, especialista em direito administrativo, econômico e de regulação.

Os contratos anteriores eram firmados diretamente pelo Governo do Estado, que tinha poderes de decisão. Nos modelos atuais, o Estado não é parte, e a União é representada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Antecipar obras ou incluir melhorias depende da aprovação da ANTT, com base no que já foi definido em contrato, e não da indicação de deputados, senadores, governadores, ministros ou do presidente.

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“Significa que só vai ter alteração se, do ponto de vista técnico, for necessário e, do ponto de vista econômico-financeiro, couber na conta do contrato. E isso vai ser feito dentro do que o contrato estabelece”, afirmou Heloisa.

Houve vários exemplos de mudanças unilaterais e de promessas no antigo Anel de Integração, desde a inclusão de novas obras até alterações nas tarifas. Agora, qualquer promessa nasce vazia porque a governança do contrato não permite interferências diretas de políticos.

O que dizem os planos de governo?

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Nos planos dos candidatos apresentados no sistema da Justiça Eleitoral, Sandro Alex (PSD) mencionou o tema. Ele afirma que os atuais contratos “trazem tarifas significativamente menores” e que seu papel será de “fiscal rigoroso de cada quilômetro de obra prometida”.

Requião Filho (PDT) defende ser necessário fortalecer a atuação do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER) no controle da gestão da malha rodoviária, “intensificando os investimentos em manutenção, qualificação e expansão”.

No plano de Sérgio Moro (PL), consta o objetivo de criar um sistema de monitoramento das concessões nos diversos modais de transporte, “para fiscalizar, acompanhar cronogramas de obras, investimentos, qualidade e cumprimento de metas pelas concessionárias, em parceria com o setor produtivo e com acesso a todos os cidadãos paranaenses, para dar transparência e cobrar o que foi prometido ao usuário.”

Alexandre Salomão (Mobiliza) e Samuel de Mattos (PSTU) não mencionam o tema em seus planos.

Participação da sociedade

As atuais concessões têm um mecanismo de participação popular: as comissões tripartites, compostas por representantes dos governos, das concessionárias e da sociedade civil. As seis concessões do pacote de Rodovias Integradas do Paraná já contam com comissões instaladas.

Segundo a ANTT, os encontros começaram em 2024, nos lotes Via Araucária e EPR Litoral Pioneiro, e foram realizados em 2025 nos lotes EPR Iguaçu e Motiva Paraná. A participação das entidades convidadas tem sido ampla, com representantes de órgãos de segurança, entidades empresariais, setor produtivo, instituições de engenharia e associações de municípios.

As comissões têm caráter consultivo e não possuem poder de decisão. O principal objetivo é acompanhar a execução dos contratos e esclarecer dúvidas sobre os serviços prestados pelas concessionárias. De acordo com a ANTT, as reuniões têm sido eficazes para sanar demandas e consolidar a participação das entidades envolvidas na fiscalização e no acompanhamento das concessões.

Trechos estaduais

Os trechos de rodovias estaduais inseridos nas seis concessões vigentes no estado foram delegados à União. Após a delegação, as rodovias foram incluídas nos pacotes de concessão e estão atualmente sob a gestão das concessionárias.

Isso impede que o Governo Estadual faça intervenções nessas estradas, mesmo que sejam estaduais. Pela lei aprovada em 2021 na Assembleia Legislativa, as rodovias reverterão ao Estado com a finalização dos contratos, após 30 anos.