A Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná (PMPR), com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta sexta-feira (16) a Operação Zeitgeist. A ação investiga um suposto esquema de compartilhamento irregular de imagens, vídeos e informações obtidas por policiais militares durante ocorrências, incluindo a suspeita de registros de atos de tortura e violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade.
No total, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em 12 municípios paranaenses, além de um mandado cumprido em território catarinense contra um policial militar do Paraná que reside no estado vizinho. A Justiça Militar Estadual também expediu 12 ordens de notificação e intimação para afastar policiais militares das atividades operacionais.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, três pessoas foram detidas em flagrante: duas por porte irregular de munição e uma por porte ilegal de arma de fogo. Os agentes apreenderam 26 celulares, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois HDs, um cartão de memória, além de armas e munições.
Grupos fechados e comercialização de conteúdos
As investigações tiveram início em junho, após uma denúncia anônima recebida pela Corregedoria-Geral da PMPR. O caso ganhou repercussão em julho após denúncias apresentadas pelo então deputado estadual Renato Freitas (PT).
Segundo o subcomandante-geral da PMPR, coronel Paulo Renato Aparecido Siloto, um civil gerenciava canais em aplicativos de mensagens e redes sociais onde convidava agentes públicos a integrarem grupos restritos. Nesses ambientes digitais fechados, parte do material era disponibilizada mediante pagamento de assinatura. No Instagram, uma página identificada como @militardoparana compartilhava o conteúdo.
“Esse cidadão disponibilizava, ele convidava os policiais militares e isso seguia através do Telegram. Então, ele se cadastrava, era algo fechado e eles apresentavam imagens. Havia diversas imagens de vários lugares do Brasil e também produzidas por militares estaduais nossos”, detalha o coronel.
O oficial confirmou que o conteúdo compartilhava cenas de forte impacto e constrangimento. “O conteúdo mostrava atos de tortura, de violência contra pessoas, principalmente moradores de rua, ou indivíduos em situação de ocorrência, até confrontos armados. Isso chamou muito a atenção da Polícia Militar, tendo em vista que expunha essas pessoas e também a imagem da instituição”, pontua.
Operação ocorreu em 12 municípios
A operação alcançou 12 municípios paranaenses: Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Almirante Tamandaré, Cerro Azul, Guarapuava, Pato Branco, Mandaguaçu, Nova Esperança, Paranavaí, Francisco Beltrão e Umuarama.
Questionado sobre o impacto do envolvimento de agentes na corporação, o subcomandante-geral repudiou a conduta dos investigados. “A Polícia Militar do Paraná, quando toma conhecimento de questões disciplinares ou criminais dos nossos policiais, toma todas as providências necessárias para inibir isso. A Polícia Militar não concorda com essa atuação; buscamos sempre tratar o nosso profissional com dignidade e esses policiais que executam esse tipo de ato devem ser devidamente punidos.”
Até o momento, a apuração identificou cerca de 42 policiais com algum grau de participação, ativa ou não, nos grupos investigados. Com a extração de dados dos dispositivos apreendidos nesta sexta-feira, a Corregedoria da PMPR pretende aprofundar a análise de contatos e o grau de envolvimento individual para responsabilizar todos os envolvidos por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM).
Significado da operação
De acordo com a PMPR, o termo “Zeitgeist”, de origem alemã traduzido como “espírito do tempo”, foi escolhido para simbolizar os desafios impostos pelo contexto de circulação instantânea de informações nas plataformas digitais e a necessidade de resguardar o sigilo e a ética na atividade policial.
