Acidente aéreo

PF conclui inquérito sobre queda de avião da Voepass e aponta que pilotos conheciam falha

Avião da Voepass caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024; 62 pessoas morreram.
Avião da Voepass caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024; 62 pessoas morreram. Foto: Secretaria de Segurança de São Paulo / divulgação.

A Polícia Federal (PF) deve apresentar nesta quinta-feira (6), na Superintendência da corporação em São Paulo, o relatório final do inquérito que investigou a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP). O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024 e deixou 62 mortos.

Segundo informações obtidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, o laudo da PF apontou que os pilotos sabiam sobre a falha no sistema de degelo e compararam a aeronave a um “fusquinha”. Os tripulantes comentaram sobre o problema durante o voo que antecedeu o acidente, entre Guarulhos e Cascavel.

“O gelo foi embora agora, finalmente. Escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou”, disse o piloto. Depois do pouso, o copiloto elogiou: “Muito bom, comandante”. “Chegamos vivos”, respondeu o piloto.

Pouco depois da subida do voo que terminaria em tragédia, o comandante da tripulação informou que a aeronave estava emitindo alertas de falha no sistema de degelo. “Esse avião parece aquele Fusquinha Herbie lá… filme bem antigo”, comparou.

A investigação da PF durou cerca de dois anos e reuniu diversas provas, incluindo um laudo pericial com mais de 200 páginas. A partir do recebimento do relatório, o Ministério Público Federal (MPF) vai decidir se apresenta denúncia à Justiça Federal, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso.

Relatório do Cenipa disse que tripulação ignorou protocolo de degelo

No fim do mês passado, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final sobre o episódio. O órgão, vinculado à Aeronáutica, realiza investigações com foco nas causas do acidente e na prevenção de novas ocorrências, sem atribuir responsabilidade criminal.

No documento, o Cenipa concluiu que a tripulação do voo 2283 da Voepass não acionou o sistema pneumático de degelo (Airframe De-Icing) ao ingressar em condições de formação de gelo, o que contrariou os procedimentos previstos pelo fabricante da aeronave ATR 72-500.

A aeronave decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP) transportando quatro tripulantes e 58 passageiros. Durante a fase de voo de cruzeiro, encontrou condições severas de formação de gelo, entrou em estol (do inglês stall, quando o avião perde sustentação), perdeu o controle e caiu sobre uma área residencial em Vinhedo (SP).

Segundo o Cenipa, no período em que ocorreu o voo, havia muita umidade combinada com temperatura do ar abaixo de 0 °C, o que favoreceu a ocorrência de Formação de Gelo em Aeronave (FGA) severa, desde o centro-norte do Paraná até São Paulo.

Próximos passos

Os eventuais indiciamentos feitos pela Polícia Federal nesta quinta-feira não implicam condenação e também não resultam automaticamente na abertura de uma ação penal, o que ocorre apenas após a denúncia do MPF e o recebimento desta pela Justiça Federal.

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