Agro e ciência

Pesquisadores do Paraná estão na lista da Time dos mais influentes do mundo

pesquisadores que atuam no paraná aparecem na lista da Time das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026
Mariangela Hungria e Luciano Moreira. Fotos: Antonio Neto / Divulgação | WMP Brasil

Dois pesquisadores que atuam no Paraná estão na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, divulgada na quarta-feira (15/04). A lista é publicada anualmente e reconhece pessoas que realizam trabalhos de destaque.

O cientista e pesquisador Luciano Moreira aparece na seção Inovadores. Ele ajudou a desenvolver o Método Wolbachia, que tem o objetivo de controlar doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya. Ele é CEO da Wolbito do Brasil, a maior biofábrica do mundo de criação de Aedes aegypti com Wolbachia, instalada em Curitiba.

Já a engenheira agrônoma e pesquisadora Mariangela Hungria aparece na seção Pioneiros. Atuante na Embrapa Soja, em Londrina, ela desenvolve um trabalho com microrganismos do solo para reduzir o uso de fertilizantes químicos na agricultura.

Pesquisadores com atuação no Paraná comemoram destaque na lista da Time 2026

Moreira celebrou a menção na revista e pontuou que, com o reconhecimento, o projeto poderá atender mais pessoas.

“É com grande satisfação que a gente recebe essa indicação das 100 pessoas mais influentes do mundo, o que coroa um trabalho coletivo de mais de uma década para que a gente pudesse trazer um método sustentável e natural para o controle das arboviroses. Hoje, o Método Wolbachia está presente em 17 municípios do Brasil e, em breve, mais 15 serão contemplados, sempre em parceria com o Ministério da Saúde”, disse.

“Desde o ano passado, o Método Wolbachia faz parte das Diretrizes Nacionais de Controle de Arboviroses no Brasil. Esperamos que esse reconhecimento possa expandir o método no Brasil e no mundo e que possamos proteger as pessoas dessas doenças que causam tanto sofrimento, como dengue, zika e chikungunya”, completou o cientista.

Mariangela destacou que a pesquisa brasileira e a ciência também devem se sentir representadas na conquista. “Não tenho nem palavras para expressar a alegria de ter um reconhecimento desses. Mas é um reconhecimento que não é só meu, é da pesquisa, da ciência brasileira e de instituições públicas, como a Embrapa, que sempre investiu e acreditou no uso de biológicos na agricultura, substituindo os químicos”, afirmou.

A engenheira agrônoma também ressaltou o apoio dos agricultores à credibilidade da ciência e acrescentou que o uso de produtos biológicos é mais barato para os produtores.

“Estar nesta lista significa que há uma percepção mundial de que a estratégia de produzir cada vez mais alimentos, mas de maneira mais próxima da natureza, com produtos biológicos e menos químicos, melhorando a saúde do solo, é importante. É reconhecida como uma das 100 coisas mais importantes”.

O trabalho de Luciano Moreira com o Método Wolbachia

Pesquisador de carreira da Fiocruz, Luciano Moreira foi protagonista na descoberta da capacidade da bactéria Wolbachia de reduzir a transmissão de doenças pelo mosquito Aedes aegypti. O que começou como uma pesquisa acadêmica, em colaboração com o cientista Scott O’Neill, na Austrália, evoluiu para uma política pública em escala industrial sob a chancela do Ministério da Saúde.

Além da lista da Time, Luciano já teve o trabalho reconhecido em 2025, quando foi eleito pela revista Nature como uma das dez personalidades mais influentes da ciência no ano.

Em julho de 2025, foi inaugurada a Wolbito do Brasil, em Curitiba. A unidade tem capacidade para produzir 100 milhões de ovos de mosquitos com Wolbachia por semana, com a meta de proteger 14 milhões de brasileiros anualmente.

Em cidades como Niterói, no Rio de Janeiro, o modelo foi implantado pela primeira vez em 2014. A cobertura total do município resultou em uma redução de 89% nos casos de dengue, demonstrando a estabilidade da bactéria no ambiente e a eficácia do método natural de controle. O modelo também já foi aplicado em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Como funciona o método?

A Wolbachia vive dentro das células do mosquito e atua como um competidor biológico. Quando o mosquito carrega essa bactéria, os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela não conseguem se replicar de forma eficiente dentro dele.

Dessa forma, o objetivo do programa não é erradicar o mosquito, mas substituir a população selvagem, que transmite doenças, por uma população com Wolbachia, que é inofensiva. Ou seja, o método usa mosquitos para combater mosquitos.

Redução de fertilizantes químicos na agricultura: o trabalho de Mariangela Hungria

Professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), nos cursos de pós-graduação em Microbiologia e Biotecnologia, e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no curso de Bioinformática, Mariangela Hungria acumula mais de 40 anos de pesquisa.

Ela atua principalmente na área de microbiologia do solo, com o objetivo de desenvolver tecnologias baseadas em microrganismos que favorecem a fixação biológica do nitrogênio e, consequentemente, permitem a redução do uso de fertilizantes e outros insumos químicos.

Em outubro de 2025, a pesquisadora recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), conhecido como o Nobel da Agricultura. A premiação reconheceu os estudos no desenvolvimento de tratamentos biológicos para sementes e solos.

Apesar de ter nascido em São Paulo, a engenheira agrônoma construiu uma longa trajetória na Embrapa, onde atua como pesquisadora na unidade Embrapa Soja, em Londrina.

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