Dois pesquisadores que atuam no Paraná estão na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, divulgada na quarta-feira (15/04). A lista é publicada anualmente e reconhece pessoas que realizam trabalhos de destaque.
O cientista e pesquisador Luciano Moreira aparece na seção Inovadores. Ele ajudou a desenvolver o Método Wolbachia, que tem o objetivo de controlar doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya. Ele é CEO da Wolbito do Brasil, a maior biofábrica do mundo de criação de Aedes aegypti com Wolbachia, instalada em Curitiba.
Já a engenheira agrônoma e pesquisadora Mariangela Hungria aparece na seção Pioneiros. Atuante na Embrapa Soja, em Londrina, ela desenvolve um trabalho com microrganismos do solo para reduzir o uso de fertilizantes químicos na agricultura.
Pesquisadores com atuação no Paraná comemoram destaque na lista da Time 2026
Moreira celebrou a menção na revista e pontuou que, com o reconhecimento, o projeto poderá atender mais pessoas.
“É com grande satisfação que a gente recebe essa indicação das 100 pessoas mais influentes do mundo, o que coroa um trabalho coletivo de mais de uma década para que a gente pudesse trazer um método sustentável e natural para o controle das arboviroses. Hoje, o Método Wolbachia está presente em 17 municípios do Brasil e, em breve, mais 15 serão contemplados, sempre em parceria com o Ministério da Saúde”, disse.
“Desde o ano passado, o Método Wolbachia faz parte das Diretrizes Nacionais de Controle de Arboviroses no Brasil. Esperamos que esse reconhecimento possa expandir o método no Brasil e no mundo e que possamos proteger as pessoas dessas doenças que causam tanto sofrimento, como dengue, zika e chikungunya”, completou o cientista.
Mariangela destacou que a pesquisa brasileira e a ciência também devem se sentir representadas na conquista. “Não tenho nem palavras para expressar a alegria de ter um reconhecimento desses. Mas é um reconhecimento que não é só meu, é da pesquisa, da ciência brasileira e de instituições públicas, como a Embrapa, que sempre investiu e acreditou no uso de biológicos na agricultura, substituindo os químicos”, afirmou.
A engenheira agrônoma também ressaltou o apoio dos agricultores à credibilidade da ciência e acrescentou que o uso de produtos biológicos é mais barato para os produtores.
“Estar nesta lista significa que há uma percepção mundial de que a estratégia de produzir cada vez mais alimentos, mas de maneira mais próxima da natureza, com produtos biológicos e menos químicos, melhorando a saúde do solo, é importante. É reconhecida como uma das 100 coisas mais importantes”.
O trabalho de Luciano Moreira com o Método Wolbachia
Pesquisador de carreira da Fiocruz, Luciano Moreira foi protagonista na descoberta da capacidade da bactéria Wolbachia de reduzir a transmissão de doenças pelo mosquito Aedes aegypti. O que começou como uma pesquisa acadêmica, em colaboração com o cientista Scott O’Neill, na Austrália, evoluiu para uma política pública em escala industrial sob a chancela do Ministério da Saúde.
Além da lista da Time, Luciano já teve o trabalho reconhecido em 2025, quando foi eleito pela revista Nature como uma das dez personalidades mais influentes da ciência no ano.
Em julho de 2025, foi inaugurada a Wolbito do Brasil, em Curitiba. A unidade tem capacidade para produzir 100 milhões de ovos de mosquitos com Wolbachia por semana, com a meta de proteger 14 milhões de brasileiros anualmente.
Em cidades como Niterói, no Rio de Janeiro, o modelo foi implantado pela primeira vez em 2014. A cobertura total do município resultou em uma redução de 89% nos casos de dengue, demonstrando a estabilidade da bactéria no ambiente e a eficácia do método natural de controle. O modelo também já foi aplicado em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Como funciona o método?
A Wolbachia vive dentro das células do mosquito e atua como um competidor biológico. Quando o mosquito carrega essa bactéria, os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela não conseguem se replicar de forma eficiente dentro dele.
Dessa forma, o objetivo do programa não é erradicar o mosquito, mas substituir a população selvagem, que transmite doenças, por uma população com Wolbachia, que é inofensiva. Ou seja, o método usa mosquitos para combater mosquitos.
Redução de fertilizantes químicos na agricultura: o trabalho de Mariangela Hungria
Professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), nos cursos de pós-graduação em Microbiologia e Biotecnologia, e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no curso de Bioinformática, Mariangela Hungria acumula mais de 40 anos de pesquisa.
Ela atua principalmente na área de microbiologia do solo, com o objetivo de desenvolver tecnologias baseadas em microrganismos que favorecem a fixação biológica do nitrogênio e, consequentemente, permitem a redução do uso de fertilizantes e outros insumos químicos.
Em outubro de 2025, a pesquisadora recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), conhecido como o Nobel da Agricultura. A premiação reconheceu os estudos no desenvolvimento de tratamentos biológicos para sementes e solos.
Apesar de ter nascido em São Paulo, a engenheira agrônoma construiu uma longa trajetória na Embrapa, onde atua como pesquisadora na unidade Embrapa Soja, em Londrina.



