À frente da Igreja Presbiteriana de Curitiba há 35 anos, o pastor Juarez Marcondes Filho vive um momento de expansão em suas atribuições ministeriais. Eleito presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) durante assembleia geral realizada em Manaus, o reverendo assume a liderança do órgão executivo máximo da denominação para o próximo quadriênio.

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A nova função soma o comando nacional da igreja ao trabalho comunitário que já desenvolve no Centro da capital paranaense.

A caminhada até o posto nacional reflete características consolidadas desde o início de sua formação. O hábito da leitura diária — com uma média de 40 a 50 páginas lidas por dia — e a facilidade para o estudo geográfico e histórico fundamentaram sua preparação acadêmica e ministerial.

Segundo o líder religioso, a transição para a presidência do concílio não altera sua residência em Curitiba nem o ritmo de atendimento local, embora exija uma agenda frequente de deslocamentos pelo país e no exterior.

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Com uma rotina diária que começa no início da manhã com atividades físicas e segue com atendimentos e reuniões até a noite, Juarez descreve sua atuação como um compromisso contínuo. A função de presidente do Supremo Concílio é de caráter voluntário — sem remuneração —, enquanto a estrutura administrativa em Brasília conta com corpo técnico e funcionários contratados.

Na gestão nacional, o presbítero defende um modelo descentralizado de trabalho. “O presidente atua como o regente de uma orquestra: precisa conhecer a música e manter o compasso, mas não toca todos os instrumentos. É preciso dar espaço aos especialistas de cada área para manter o conjunto harmônico”, explica.

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Sob o novo mandato, a IPB planeja ampliar de 11 para 15 o número de escolas de formação teológica no país, além de manter os investimentos em missões e ações sociais. A denominação também reforça sua posição apartidária no cenário político, orientando os membros a exercerem a cidadania e suas carreiras profissionais com discernimento e ética, sem vínculo com agremiações partidárias.

A restrição ao movimento Legendários

Um dos pontos centrais da atual pauta institucional da IPB e que envolve a atuação do Supremo Concílio é a orientação oficial referente ao movimento Legendários. A denominação aprovou pareceres que desaconselham as igrejas locais de abrigarem o grupo ou incentivarem a participação de seus membros nas atividades promovidas por ele.

O documento da IPB aponta que certas técnicas utilizadas pelo movimento transformam a vivência espiritual em “produto de consumo grupal e performático”, repudiando metodologias que busquem forçar processos de conversão ou santificação por meio de pressões psicossociais.

Juarez Marcondes Filho reforça que a decisão não emite um juízo de valor pessoal sobre o movimento, mas delimita a prática eclesiástica presbiteriana. “Toda a ênfase na masculinidade dos homens cristãos a igreja já oferece por meio de sua vivência normal. Já alguns aspectos que lembram uma certa ‘lavagem cerebral’ não fazem parte da dinâmica da Igreja Presbiteriana”, afirma o pastor, lembrando que outras denominações religiosas também reavaliaram e alteraram suas posições sobre o grupo.

Atendimento comunitário e vocação

No dia a dia da igreja em Curitiba, o trabalho do reverendo permanece voltado ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, crianças e membros da comunidade local que buscam apoio pastoral. Para o líder religioso, a formação teológica e a estrutura administrativa só cumprem seu papel quando alinhadas às necessidades práticas da população.

“O que direcionou minha atuação desde a juventude foi a preocupação com o outro. A preparação acadêmica é uma ferramenta essencial, mas se não houver sensibilidade com as carências das pessoas, o discurso se torna frio. O foco do ministério é responder ao propósito de servir”, conclui.