O Governo do Paraná e a Prefeitura de Paranaguá vão investir quase R$ 135 milhões em duas obras de infraestrutura que prometem melhorar a mobilidade urbana e a logística do município.
Os convênios para a construção de um viaduto sobre a Avenida Prefeito Roque Vernalha e para a pavimentação em concreto da Avenida Senador Atílio Fontana foram assinados no dia 14 de setembro pelo governador Ratinho Júnior (PSD) e pelo prefeito Adriano Ramos (Republicanos).
As intervenções fazem parte de um conjunto de investimentos que vem sendo realizado em Paranaguá e atingem dois pontos importantes da circulação urbana. De um lado, o viaduto deverá retirar o conflito entre o trânsito de veículos e a passagem dos trens que seguem em direção ao porto. De outro, a Atílio Fontana receberá uma estrutura viária preparada para o tráfego intenso de caminhões em uma área industrial e portuária.
O próximo passo é a abertura dos processos de licitação pela Prefeitura para a contratação das empresas que serão responsáveis pelas obras.
Viaduto terá investimento de R$ 99 milhões
O maior dos dois projetos é o viaduto da Roque Vernalha, que receberá R$ 99,7 milhões, sendo R$ 70 milhões do Tesouro do Estado e R$ 29,7 milhões de contrapartida do município.
O projeto foi elaborado pela Prefeitura com a proposta de construir um viaduto em formato de “U” na região da Rua Paulo Canhola, com alças de acesso para desviar o trânsito da Avenida Roque Vernalha e eliminar a passagem em nível com a ferrovia Curitiba-Paranaguá.
Atualmente, os trens passam pelo local aproximadamente a cada 40 minutos e interrompem a circulação dos veículos. Segundo o secretário municipal de Obras, Eduardo Miranda, a situação poderá ganhar ainda mais impacto com o aumento da movimentação ferroviária associado ao Moegão do Porto de Paranaguá.
A estimativa apresentada pelo município é de que a circulação passe de aproximadamente 550 para 900 vagões por dia. A Prefeitura também considera a possibilidade de a frequência de passagem chegar a um trem a cada dez minutos.
A Avenida Roque Vernalha tem cerca de 2,7 quilômetros e é um dos principais eixos de circulação da cidade. O viaduto deverá beneficiar diretamente mais de 60 mil pessoas, segundo a Prefeitura.
O governador Ratinho Junior destacou que a obra deverá melhorar tanto o deslocamento dos moradores quanto a circulação para o setor produtivo. “O viaduto da Roque Vernalha vai trazer uma melhor mobilidade logística para os moradores dessa região, porque vai dar mais rapidez no fluxo interno do município, e também dará mais agilidade ao setor produtivo”, afirmou.
Moradores convivem com congestionamentos
Para quem mora na região, os problemas de circulação interferem diretamente na rotina. Moradora da Vila Cruzeiro, Giovanna Santos, de 32 anos, conta que o tempo necessário para chegar ao trabalho, à escola ou ao centro varia bastante de acordo com o horário e o destino.
Nos períodos de maior movimento, ela afirma que os congestionamentos aumentam o tempo de deslocamento e fazem com que algumas pessoas mudem o trajeto. “Prefiro evitar determinados horários ou mudar o trajeto por causa do trânsito e das condições da via. Quando tem muito congestionamento, o deslocamento fica mais demorado e acaba sendo necessário procurar caminhos alternativos”, relata.
Segundo Giovanna, a expectativa com a obra é que o trânsito fique mais fluido e seguro. Ela também espera que a circulação entre bairros e o centro seja facilitada e que o fluxo de veículos pesados fique mais organizado.
“A principal mudança precisa ser a melhoria da mobilidade. A obra tem que diminuir os congestionamentos, facilitar o acesso entre os bairros e o centro e tornar o trânsito mais seguro. Espero que ela realmente facilite o dia a dia de quem mora e trabalha na região”, afirma.
Atílio Fontana terá R$ 35,2 milhões em investimentos
A segunda obra prevista no convênio é a pavimentação em concreto da Avenida Senador Atílio Fontana, que terá investimento de R$ 35,2 milhões. Desse valor, R$ 33,4 milhões serão destinados pela Secretaria de Estado das Cidades e R$ 1,7 milhão será a contrapartida municipal.
Com aproximadamente cinco quilômetros, a avenida faz a ligação entre a cidade e o Terminal de Contêineres de Paranaguá e é utilizada por veículos que circulam entre a BR-277, o Pátio de Triagem, áreas industriais e o complexo portuário.
A escolha pelo pavimento rígido de concreto está relacionada ao volume de veículos pesados que utilizam a via. O projeto inclui serviços de terraplenagem, base e sub-base, superestrutura, revestimento, meio-fio, urbanismo, drenagem, sinalização de trânsito, ensaios tecnológicos e placas de comunicação visual.
Segundo Eduardo Miranda, a Prefeitura trabalha com uma referência de aproximadamente 20 anos de vida útil para o pavimento de concreto. A durabilidade efetiva, no entanto, dependerá das especificações do projeto executivo, do dimensionamento estrutural, da qualidade da execução, do sistema de drenagem, do controle de cargas e da manutenção preventiva.
Mais de 60 empresas estão localizadas na área
Segundo a Secretaria Municipal de Obras, mais de 60 empresas estão instaladas na região industrial atendida pela Atílio Fontana. O conjunto representa aproximadamente 1.500 empregos diretos e mais de 5 mil indiretos.
Os estudos de tráfego utilizados pela Prefeitura também ajudam a dimensionar o movimento da avenida. Em uma contagem classificatória de 24 horas realizada na região do Pátio de Triagem, na própria Atílio Fontana, foram registrados mais de 6 mil movimentos de veículos em um dos sentidos analisados.
Estudos anteriores registraram, nos horários de pico, fluxos da ordem de 1.300 veículos por hora na ligação entre a Atílio Fontana e a Avenida Bento Munhoz da Rocha.
Além do movimento, a condição atual da via gera um custo recorrente para o município. Segundo o secretário de Obras, a Prefeitura gasta entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por mês com manutenção do trecho.
Outro ponto de atenção é a Ponte do Ribeirão, construída em 1927. Conforme a Secretaria de Obras, a estrutura não foi projetada para suportar as cargas e o volume de veículos que circulam atualmente pela região.
Como será a execução
Apesar da assinatura dos convênios, as obras ainda não começam imediatamente. A Prefeitura de Paranaguá deverá abrir os processos licitatórios para selecionar as empresas responsáveis pela execução.
A previsão é de 12 meses para a execução da obra na Avenida Senador Atílio Fontana. Para o viaduto da Roque Vernalha, o prazo estimado é de 19 meses, devido à complexidade do projeto e à necessidade de compatibilização entre as intervenções viárias e o sistema ferroviário existente.
A Prefeitura afirma que os impactos temporários no trânsito também estão sendo considerados no planejamento. A organização deverá ser feita em conjunto pela empresa vencedora da licitação, pela empresa terceirizada responsável pela gestão e operação da mobilidade urbana e pelas equipes técnicas do município.
Entre as medidas previstas estão desvios, interdições parciais, sinalização provisória e manutenção dos acessos às empresas, imóveis e demais áreas afetadas.
No caso da Atílio Fontana, o planejamento deverá considerar a necessidade de manter a circulação de veículos pesados e o transporte de cargas. Na Roque Vernalha, as etapas da construção precisarão ser compatibilizadas com a circulação ferroviária e o trânsito existente.
