O Paraná tornou-se o estado que mais expande em investimentos no país, é o que aponta um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná (SEFA), realizado com dados do Tesouro Nacional. O Paraná adicionou nos primeiros meses de 2026 R$ 2,329 bilhões em investimentos liquidados – quando foi de fato executado e liberado para pagamento.
O ritmo do Paraná superou a expansão de grandes outras economias estaduais, como Minas Gerais (alta de R$ 2,284 bilhões) e São Paulo (alta de R$ 1,901 bilhão). No polo oposto, estados como Goiás (-R$ 386 milhões) e Pará (-R$ 733 milhões) apresentaram retração absoluta na execução de investimentos em relação ao ano anterior.
Grande parte dos investimentos foi no campo
Uma análise detalhada revela que a principal região de aceleração dos investimentos estaduais não esteve nas grandes cidades, mas no campo. A área da agricultura apresentou o salto mais expressivo: saiu de R$ 35 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 1,075 bilhão em igual período de 2026.
Para o economista Jefferson Marcondes Ferreira, com Mestrado em Economia pela UFPR e Doutorando em Ciências Ambientais pela UTFPR, além de professor da área de Economia do Centro Universitário Internacional Uninter, o crescimento no investimento do estado já está numa constante.
“Quando a gente olha esse resultado, esses recordes, com investimentos fortes no agronegócio, tem sido uma constante nos últimos anos. O agro é o carro-chefe do Paraná, com commodities vindo do Oeste como o milho, soja, a área madeireira muito forte no Estado. Investir no modal de transporte rodoviário é muito importante”, garantiu.
Segundo Jefferson, a excelente estratégia do Paraná foi trazer a participação dos próprios agentes civis no estado, como as prefeituras, grupo de empresários, cooperativas, entidades como FIEP e FAESP para garantir investimentos. “Isso é um grande diferencial no Paraná. Além disso, o estado terminou em terceiro lugar na geração de empregos de carteira assinada”, acrescentou.
O movimento vem da expansão dos convênios de pavimentação rural. Na prática, a conversão de leitos de terra em vias pavimentadas no interior tem efeito direto na logística de escoamento da safra e na redução dos custos operacionais de transporte.
O impacto dos investimentos será visto no longo prazo
O investimento na pavimentação das estradas rurais do Paraná garantiu um maior conforto na logística, defende o gerente do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, Jefrey Albers.
Para o especialista, mesmo com o robusto investimento nas estradas rurais, ainda é cedo para saber o efeito econômico disso. “Estamos num momento de entressafra, então a melhoria logística só será percebida no ano que vem, entre as primeiras safras de soja e milho”, analisou.
Albers citou outros investimentos do Estado que têm garantido um bom suporte na área do agronegócio, como mais créditos para as cooperativas, investimentos no Porto de Paranaguá, como a obra do novo Moegão – um sistema robusto de descarga ferroviária de grãos e farelos. “Isso aconteceu ao longo dos últimos anos. O estado de fato está investindo mais, mas não temos ainda como mensurar ou saber o impacto disso em curto prazo”.
A municipalização dos recursos
O segundo motor do crescimento do investimento no Paraná foi a descentralização orçamentária. Os auxílios e repasses diretos aos municípios quase quadruplicaram: avançaram 288%, subindo de R$ 809 milhões para R$ 3,1 bilhões no comparativo semestral.
Paralelamente, as obras estaduais registraram crescimento de 60%, passando de R$ 544 milhões para R$ 872 milhões. Quando observadas as áreas sociais cruciais, saúde e educação somaram juntas aportes superiores a R$ 600 milhões no período.
