Proteção animal

Projeto de lei quer impedir exportação de animais vivos pelos portos do Paraná

Imagem mostra navio atracado no porto, com centenas de containers no pátio
Porto de Paranaguá. Foto: Jonathan Campos / AEN

Impedir que os portos do Paraná sejam utilizados para o embarque de animais vivos destinados ao abate no exterior é o objetivo do Projeto de Lei nº 186/2024, que tramita na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A proposta, de autoria do deputado estadual Goura (PDT), pretende evitar que o estado passe a realizar uma atividade já praticada em outras regiões do Brasil, marcada por longas viagens marítimas e questionamentos sobre as condições de transporte dos animais.

Atualmente, o Paraná não possui portos habilitados para a exportação marítima de animais vivos. Por isso, a eventual aprovação da proposta não deve provocar impactos imediatos nas operações portuárias nem na cadeia produtiva do estado, segundo Rafael Gonçalves Dias, gerente e chefe do Departamento de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

O especialista ressalta, no entanto, que a medida teria alcance limitado, já que não impediria a saída de animais criados no Paraná por portos de outros estados. “Uma legislação estadual isolada possui alcance limitado sobre essa atividade, uma vez que a proibição proposta se restringe ao embarque de animais vivos nos portos paranaenses”, explica.

Apresentado em abril de 2024, o projeto prevê multa de 50 Unidades Padrão Fiscal do Paraná (cerca de R$ 7,6 mil) por animal embarcado irregularmente, valor que será dobrado em caso de reincidência. Os recursos arrecadados poderão ser destinados a programas de proteção e bem-estar animal.

A proposta já foi discutida em audiência pública na Assembleia Legislativa, que reuniu especialistas em medicina veterinária, direito animal, saúde pública e representantes de organizações de proteção animal. O encontro abordou os riscos sanitários e o sofrimento dos animais submetidos a travessias marítimas que podem durar várias semanas, principalmente em direção a países da África e do Oriente Médio.

Pela proteção animal

Segundo Goura, a intenção é impedir que o Paraná se torne uma alternativa para esse comércio. “Essa é uma prática eminentemente cruel, que traz muito sofrimento animal. Ela não é praticada atualmente no Estado do Paraná, mas é praticada em São Paulo, no Pará, em outros portos”, afirmou o deputado.

O parlamentar também chamou a atenção para as condições enfrentadas pelos animais durante o transporte. “Muitas vezes, esses animais são embarcados e fazem uma viagem que dura semanas, em condições completamente insalubres. Muitos passam mal, muitos morrem. E, dessa forma, a gente tem uma situação não somente de crueldade animal, mas também de saúde pública.”

A preocupação com as condições de transporte também envolve aspectos sanitários. Para Rafael Gonçalves Dias, a discussão sobre a proibição deve considerar o bem-estar animal, a sanidade, o comércio internacional e os possíveis efeitos econômicos da medida.

“Do ponto de vista da defesa agropecuária, a Adapar destaca que o transporte de animais deve observar rigorosamente as exigências sanitárias e de bem-estar animal estabelecidas pela legislação vigente”, afirma.

O gerente esclarece ainda que a restrição não atingiria o transporte terrestre de animais entre propriedades rurais e estabelecimentos de abate dentro do território nacional. Essa movimentação integra a cadeia produtiva paranaense, que tem forte participação na pecuária, na atividade frigorífica e na exportação de carnes e outros produtos de origem animal.

A discussão no Paraná acompanha iniciativas internacionais voltadas à redução do transporte de animais vivos para abate. Em julho de 2024, entrou em vigor na Grã-Bretanha uma lei que proibiu a exportação de determinadas espécies para abate ou engorda destinada ao abate, após décadas de mobilização de organizações de proteção animal.

Trâmites burocráticos

No Legislativo paranaense, o projeto ainda está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em parecer de julho de 2026, foi recomendada a realização de diligências para ouvir a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e o Conselho Regional de Medicina Veterinária sobre a viabilidade técnica e os possíveis impactos econômicos da medida.

A proposta ainda depende da continuidade da tramitação na Assembleia. Caso seja aprovada e sancionada, o Paraná passará a contar com uma proibição específica para o embarque marítimo de animais vivos destinados ao abate, mesmo sem realizar atualmente esse tipo de operação.

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