Monitoramento

El Niño acende alerta e Paraná coloca 2 mil áreas sob monitoramento

Paraná mapeia 2 mil áreas de risco e prepara operação para o El Niño
Foto: Corpo de Bombeiros do Paraná

O Paraná iniciou a mobilização para definir soluções contra os possíveis impactos do El Niño, fenômeno que pode provocar alterações climáticas e tempestades no estado a partir da primavera. Com previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicando volumes de chuva acima da média na região Sul do Brasil, a Defesa Civil Estadual colocou sob monitoramento cerca de 2 mil áreas de atenção, com foco prioritário nas regiões Oeste, Sul e ao longo de toda a bacia do Rio Iguaçu — de Curitiba até Foz do Iguaçu.

Para testar a capacidade de resposta do estado a enchentes, inundações e deslizamentos, em agosto será realizado um treinamento simulado com diferentes órgãos, como Corpo de Bombeiros (CBMPR), Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (CEDEC), Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Instituto Água e Terra (IAT), Secretaria da Segurança Pública (SESP), Polícia Militar do Paraná (PMPR), Forças Armadas, Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

O exercício vai alinhar tomada de decisão e mobilização de recursos em situações hipotéticas de emergência. De acordo com o comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, a preparação para possíveis desastres envolve diferentes instituições, pois nenhuma consegue enfrentar a situação sozinha.

Setores integram ações preventivas

Já reunidas para alinhar as estratégias, áreas da administração pública e forças de apoio executam algumas medidas preventivas.

Há três meses, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) acompanha os padrões meteorológicos e orienta produtores rurais. Paralelamente, o Instituto Água e Terra (IAT) foca em ações preventivas voltadas aos recursos hídricos e no suporte para obras emergenciais.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) estruturou um plano de preparação, monitoramento e resposta a emergências sanitárias e desastres, operado por meio das 22 regionais e em parceria com os municípios.

O Exército Brasileiro também colocou à disposição estruturas de engenharia, maquinários, embarcações e viaturas para eventuais operações de socorro, além de confirmar presença nos exercícios de simulação.

Panorama do El Niño no Paraná

Segundo a nota técnica mais recente emitida pela Defesa Civil em conjunto com o Simepar, o Oceano Pacífico Equatorial segue em aquecimento constante. O El Niño atualmente é classificado como “moderado”, com alta de 1,2 °C na temperatura das águas, mas há possibilidade de alcançar 2 °C no último trimestre do ano — patamar que o eleva à categoria de “muito forte”.

Há previsão de chuvas acima da média em todo o estado, com grandes volumes em um curto espaço de tempo. As regiões Oeste e Sudoeste devem ser as mais atingidas. Já o Norte, a Região Metropolitana de Curitiba, os Campos Gerais e o Litoral terão menor incidência, mas ainda assim registrando acumulados superiores ao histórico.

No curto prazo, para o Paraná, o El Niño pode trazer fortes vendavais e granizo, com ocorrência de raios. A nota explica que esses eventos são resultantes do choque entre massas de ar. Nesses casos, a população deve ter atenção a possíveis destelhamentos, danos na rede elétrica, quedas de árvores e prejuízos à infraestrutura. Com o acúmulo de chuvas, há um aumento no risco de deslizamentos de terra, especialmente em regiões com histórico, como Sudoeste, Leste e Litoral.

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