Faltando menos de dez dias para o início do inverno, o Paraná enfrenta um duplo desafio no combate à gripe: ainda não recebeu 565.665 vacinas previstas para atender toda a população prioritária e registra baixa adesão à campanha. Além disso, o Estado segue sem autorização para ampliar a vacinação para toda a população. Enquanto isso, a cobertura vacinal entre idosos, gestantes e crianças de seis meses a menores de seis anos é de apenas 44,44%, índice distante da meta de 90% preconizada pelo Ministério da Saúde.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) até esta quinta-feira (11/06) mostram que o Estado recebeu 4.249.780 doses da vacina contra a Influenza. Já o público-alvo da campanha soma 4.815.445 pessoas. Além de idosos, gestantes e crianças de seis meses a menores de seis anos, integram esse grupo trabalhadores da saúde, professores, profissionais das forças de segurança, pessoas com comorbidades e outros públicos considerados mais vulneráveis às complicações da doença.
Baixa adesão pela imunização preocupa
No entanto, a preocupação das autoridades não se resume à quantidade de vacinas enviada ao Paraná. A baixa adesão pela imunização segue abaixo do esperado e também chama atenção. Das mais de 4,2 milhões de doses recebidas pelo Paraná, apenas 2.036.416 foram aplicadas até agora.
Os idosos lideram o número de aplicações. Segundo a Sesa, 981.957 pessoas com mais de 60 anos receberam a vacina neste ano. Entre as crianças de seis meses a menores de seis anos foram aplicadas 284.705 doses, enquanto 55.297 gestantes procuraram os postos de vacinação.
Em outras palavras, menos da metade das pessoas que integram os grupos mais vulneráveis à gripe receberam proteção. A preocupação aumenta porque o inverno começa no próximo dia 21 de junho e tradicionalmente é acompanhado por um crescimento nos casos de gripe, pneumonias e outras infecções respiratórias. Sem uma cobertura vacinal mais robusta, aumenta o risco de agravamento da doença entre idosos, crianças, gestantes e pacientes com comorbidades, além de uma pressão maior sobre hospitais e unidades de saúde.
Para o secretário estadual da Saúde, César Neves, o momento exige atenção redobrada diante da chegada do período mais frio do ano.
“A média nacional de vacinação ainda está baixa. As temperaturas estão caindo e, com isso, é natural que ocorra o aumento das doenças respiratórias, as chamadas SRAGs. Precisamos avançar na cobertura dos grupos prioritários, que são justamente as faixas etárias mais frágeis, com maior risco de internação, necessidade de terapia intensiva e, infelizmente, óbitos”, afirma o secretário.
Vacina fica para depois
Os números mostram que o desafio vai além da oferta de vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS). Em muitos casos, a imunização acaba ficando para depois, mesmo entre pessoas que precisam e reconhecem a importância da proteção.
É o caso da aposentada Elsa de Lourdes Ferreira, de 77 anos, moradora de Sarandi. Integrante de um dos grupos mais vulneráveis às complicações da gripe, ela conta que não toma a vacina há dois anos.
“Faz dois anos que eu não tomo. Quer dizer, faz dois anos contando este ano também. Eu fico esperando o meu marido e ele não vai. No ano passado, o tempo passou e a gente acabou não indo. Agora, estou novamente esperando ele para a gente ir lá tomar vacina, porque precisa tomar, né?”, relata Elsa.
Experiência tranquila no posto
Enquanto Elsa ainda tenta encontrar um tempo para ir ao posto de saúde, outros paranaenses já aproveitaram a campanha para se proteger antes da chegada do inverno.
Morador de Pérola, no Noroeste do Paraná, José Feliciano, de 62 anos, procurou a unidade de saúde do município assim que a vacina ficou disponível.
“Eu estou na faixa etária dos idosos. Foi tranquilo. Tinha vacina aqui no posto e eu fui tomar. Deu só uma dor no braço no dia seguinte, mas foi apenas por um dia. Não tive gripe nem nenhum outro problema. Tem pessoas que às vezes ficam meio gripadas depois da vacina, mas comigo não aconteceu. Correu tudo bem”, conta o aposentado.
Maringá também preocupa
Em Maringá, o cenário acompanha a realidade estadual de baixa imunização contra a gripe. O município aplicou aproximadamente 93,5 mil doses da vacina. Entre os idosos, cerca de 42,5 mil foram imunizados, alcançando pouco mais de 50% da população-alvo dessa faixa etária.
O avanço das doenças respiratórias já preocupa as autoridades sanitárias. Apenas no mês de maio, Maringá registrou 94 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), dos quais 23 ainda estão em investigação. A circulação da influenza e de outros vírus respiratórios típicos desta época do ano tem aumentado a procura por atendimento médico e mantido em alerta os serviços de saúde.
Casos em alta preocupam
Em coletiva de imprensa, o secretário municipal de Saúde de Maringá, Antônio Carlos Nardi, demonstrou preocupação com a ocupação dos leitos hospitalares, tanto do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto da rede privada, diante do aumento dos casos de doenças respiratórias registrado nas últimas semanas.
“O Paraná ainda não recebeu autorização para ampliar a vacinação contra a gripe para toda a população. A orientação é manter o foco nos grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde”, afirmou o secretário.
Segundo ele, o município chegou a solicitar o envio de mais doses ao Ministério da Saúde, mas o pedido não foi atendido. A justificativa apresentada foi a baixa procura pela vacinação entre os públicos prioritários, o que demonstra que ainda há estoque disponível e espaço para ampliar a cobertura vacinal antes de novas remessas.
Vacina é o caminho contra a doença
A vacinação é apontada pelas autoridades de saúde como a principal ferramenta para reduzir casos graves, internações e mortes causadas pela gripe, especialmente durante os meses mais frios do ano.
