Violência

Pai que chutou filha no PR é indiciado por tortura e castigos cruéis: “ajoelhadas no feijão”

Imagem mostra homem carregado com sacolas de mercado chutando a filha, que também carregada uma sacola, ao lado do irmão
Pai que chutou a filha de apenas três anos no Paraná prestou depoimento, mas foi liberado. Foto: Reprodução

Investigações conduzidas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) indicam que o homem que chutou a filha de três anos seria autor de outros episódios de violência contra os próprios filhos. O caso, registrado no dia 5 de julho em Francisco Beltrão, resultou em prisão na sexta-feira (10). 

Segundo a investigação, meses antes da agressão que ganhou repercussão nacional, o homem teria atacado o menino de cinco anos, que também aparece nas imagens do episódio mais recente. Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que ele atingiu a criança com um pedaço de madeira no rosto.

Os depoimentos também indicam que os dois irmãos eram submetidos a castigos recorrentes considerados cruéis. Entre as práticas relatadas, o pai obrigava as crianças a ajoelhar sobre grãos de feijão e tampas de garrafas PET como forma de punição.

“Outro caso que investigamos está relacionado ao excesso de castigo. Informações colhidas indicam que o suspeito determinava que as duas crianças ajoelhassem sobre tampinhas de garrafa, milho e feijão como forma de castigá-las”, explica o delegado.

Diante dos novos relatos, a Polícia Civil avalia enquadrar o suspeito pelo crime de tortura. “Trabalhamos com a possibilidade de indiciamento não só por lesão corporal, mas também por tortura, em razão do intenso sofrimento físico e psicológico imposto às crianças”, afirmou o delegado Ricardo Moraes, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo.

Após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público do Paraná (MPPR) decidirá se apresenta denúncia à Justiça. A polícia não divulga a identidade do investigado para preservar as vítimas, que são menores de idade.

Segundo a Polícia Civil, o homem foi indiciado pelo crime de tortura (artigo 1º, inciso II, da Lei nº 9.455/1997). “Os indiciamentos foram embasados em avaliações psicológicas das vítimas realizadas pela rede de proteção e provas testemunhais, além das imagens de câmera de segurança que registraram a agressão de 5 de julho. A mãe, as crianças, familiares e testemunhas tiveram medidas protetivas deferidas pela Justiça a fim de resguardar suas integridades físicas”, afirmou o órgão em nota.

Pai disse que violência não foi intencional

O caso ganhou repercussão após câmeras de segurança registrarem o momento em que o homem voltava do supermercado com os dois filhos. Nas imagens, a menina aparenta chorar. Em seguida, o pai se vira e desfere um chute na altura do rosto da criança.

A mãe só soube da agressão depois que o vídeo passou a circular nas redes sociais. Após assistir às imagens, ela procurou a polícia, que solicitou uma medida protetiva para ela e os dois filhos.

O homem compareceu espontaneamente à delegacia e prestou depoimento. Ele afirmou que perdeu o controle porque a filha chorava durante o trajeto e disse estar arrependido.

“Do ato de voltar para casa, ela tava berrando na rua e tal. Eu tinha pedido pra ela parar de ficar berrando e tudo mais. Ela sempre chora ou berra direto assim. Escandalosamente. Eu perdi a cabeça e acabei fazendo o que não devia ter feito. Não era intencional. Porque eu jamais ia machucar a minha filha”, diz o homem no trecho do depoimento obtido pelo Fantástico.

Após prestar depoimento, o homem foi liberado porque o caso não se enquadrava em situação de flagrante. Na sexta-feira, porém, a Justiça decretou sua prisão preventiva com base nos elementos reunidos durante a investigação. Ele segue sob custódia da Polícia Penal do Paraná (PPPR). O homem ainda não tem advogado constituído para sua defesa.

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