A tecnologia virou uma das principais aliadas das forças de segurança no combate ao crime no Paraná. O uso da plataforma de inteligência artificial “Olho Vivo”, que integra os trabalhos das polícias Civil e Militar, já ajudou a esclarecer 1.885 ocorrências no estado desde que começou a operar, em dezembro do ano passado. O balanço aponta ainda que a ferramenta contribuiu para 1.300 prisões e para a recuperação de 557 veículos furtados ou roubados.

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Com checagem em tempo real, o recurso lê placas e analisa detalhes do veículo, como cor e modelo, consultando na hora os bancos de dados de crimes e mandados de prisão. Caso o sistema identifique um veículo suspeito, a equipe policial mais próxima recebe um aviso imediato para agir.

Mais do que reconhecer placas, o software permite buscas em linguagem natural. Os policiais podem pesquisar por detalhes relatados por vítimas em boletins de ocorrência, como adesivos, amassados na lataria, cor de mochilas ou capacetes usados por criminosos.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson Leôncio Teixeira, a ferramenta não toma o lugar dos agentes, mas atua como um reforço inteligente na rotina policial. “A inteligência artificial tem sido empregada como inteligência assistida. Ela não substitui o ser humano nem o policial; o raciocínio policial prevalece. O sistema tem auxiliado muito na elucidação de crimes e permite mapear tendências para que a Polícia Militar planeje o patrulhamento nas áreas de maior risco”, explicou o secretário.

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Teixeira destaca a agilidade que o sistema trouxe para as investigações. “O que levávamos dias ou meses para descobrir, hoje conseguimos em questão de minutos. Quando a vítima não lembra a placa, uma característica como um amassado ou um adesivo já permite identificar o carro e alertar os municípios vizinhos ou todo o estado.”

A avaliação é compartilhada por Fernando Czapski, co-fundador e chefe operacional da Pax, empresa desenvolvedora da tecnologia. “Quando colocamos a inteligência artificial a serviço da segurança pública, não estamos substituindo pessoas por tecnologia. Estamos dando às forças policiais uma ferramenta adicional para enxergar melhor os cenários, identificar padrões e tomar decisões mais qualificadas.”

Reflexo direto nas ruas e na fronteira

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Os resultados do uso da tecnologia se somam aos investimentos em infraestrutura e ações integradas no combate à criminalidade. Em Foz do Iguaçu, na região Oeste, os roubos de veículos despencaram 22,2% no primeiro semestre de 2026. Foram 119 ocorrências registradas entre janeiro e junho, contra 153 no mesmo período de 2025 — uma redução de 34 casos.

O desempenho no município acompanha a média estadual, que também registrou queda de 22% nos roubos de veículos na comparação entre os primeiros semestres. Além disso, os furtos de veículos no Paraná despencaram 76% entre dezembro de 2025 e maio deste ano.

A mudança em Foz do Iguaçu passa também pelo reforço no policiamento de fronteira, com a recente criação da Companhia de Polícia de Choque do 14º Batalhão da PM e a atuação firme do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFRON). Somente em junho, operações na região apreenderam quase 25 toneladas de drogas, gerando um prejuízo estimado em R$ 80 milhões para o crime organizado.

Apreensões e prisões pelo estado

O sistema “Olho Vivo” já demonstra eficácia prática em diversas regiões paranaenses:

Matinhos: O monitoramento identificou um carro usado em dois roubos de cargas de cigarros em Pontal do Paraná, levando à localização e prisão do suspeito.

Maringá: A IA reconheceu a motocicleta e a mochila de um suspeito de furto, permitindo a abordagem rápida pela PM durante o patrulhamento.

Umuarama: O sistema monitorou o trajeto de um veículo vindo de Guaíra por 120 quilômetros, ajudando a polícia a escolher o local ideal para abordar o condutor e apreender 269 quilos de maconha.

Foz do Iguaçu: A tecnologia identificou um carro ligado a uma quadrilha de furto de caminhonetes, resultando na prisão de um foragido da Justiça.

Expansão e integração com municípios

Operado com 972 câmeras próprias, o sistema paranaense apresentou alta eficiência em estudos comparativos com outros estados, trazendo resultados expressivos na captura de procurados e recuperação de bens.

Atualmente, o “Olho Vivo” alcança grandes centros urbanos, a faixa de fronteira, o Litoral, os Campos Gerais e a Região Metropolitana de Curitiba. A meta da Secretaria de Segurança Pública é expandir a rede para 1,5 mil equipamentos e avançar na tecnologia de reconhecimento facial.

Além disso, um novo aplicativo está sendo preparado para integrar o sistema às Guardas Municipais de todo o Paraná, permitindo a troca contínua de dados entre as forças locais e estaduais.

“A tecnologia somada ao tirocínio policial tem trazido bons resultados. O Paraná avançou no ranking de competitividade e segurança do País porque entende que investimentos em modernização e recursos humanos precisam caminhar juntos”, concluiu o coronel Hudson Leôncio Teixeira.