Energia alternativa

O teto de vidro do Paraná: o que vai acontecer quando as mais de 4.280 megawatt em placas solares “morrerem”?

Sistema de captura da energia solar com placas fotovoltaicas em propriedade rural em Colombo. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

A energia solar fotovoltaica segue em forte expansão no Brasil e atingiu 68,6 gigawatts (GW) de potência operacional em março de 2026, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). A fonte já responde por 25,9% da matriz elétrica nacional.

Nesse cenário, o Paraná tem destaque, ocupando a 3ª posição no ranking brasileiro de geração distribuída, com uma potência instalada de 4.280,7 megawatt (MW) — o que equivale a 9,2% de todo o volume nacional desse segmento. À frente do Paraná estão São Paulo e Minas Gerais, responsáveis por 14% e 12,6% da geração distribuída fotovoltaica no país, respectivamente.

Conforme aponta a ABSOLAR, no Brasil, o uso da energia solar é majoritariamente residencial. São mais de 3,3 milhões de unidades (79,86%), seguidas pelos setores comercial (9,46%) e rural (8,66%).

Descarte de placas solares: um novo trabalho?

Com o avanço acelerado da tecnologia, surge também uma preocupação com o futuro: o destino das placas solares ao fim da vida útil.

Professor e pesquisador da área de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ewaldo Luiz de Mattos Mehl explica que os equipamentos têm vida útil entre 20 e 25 anos e, com o tempo, perdem eficiência, o que pode levar à substituição.

Apesar disso, o descarte não deve representar um problema ambiental significativo. Segundo o especialista, a maior parte dos materiais utilizados nas placas é reciclável e a necessidade pode gerar uma nova área de trabalho para empresas de reciclagem.

“Basicamente, a placa é uma caixa de alumínio, que é 100% reciclável, como uma latinha de refrigerante. O vidro também passa pelo processo de reaproveitamento. A parte da fotocélula é uma mistura de materiais. Normalmente tem uma chapa de alumínio e silício, que é o semicondutor. Tem também ligações que utilizam cobre. São materiais nobres e valiosos, mas dá para tirar”, diz.

Para o pesquisador, esse pode ser um bom negócio em um futuro próximo, à medida que os primeiros equipamentos instalados começarem a atingir o fim da vida útil.

“O mercado de reciclagem é muito ativo. A tendência é que empresas que já atuam com reciclagem de metais, como no caso de automóveis, passem a incorporar esse tipo de material”, acrescenta.

Por que a instalação de energia solar aumentou?

A instalação de sistemas de energia solar cresceu de forma expressiva no Paraná nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, o número de sistemas fotovoltaicos no estado aumentou mais de 660%.

Segundo o pesquisador, a principal razão para esse avanço é a redução no custo dos equipamentos, o que tornou o investimento mais acessível. “Quando se coloca na ponta do lápis, o custo inicial se paga em poucos anos, principalmente diante do valor da energia elétrica”, explica.

A instalação pode ser feita em diferentes espaços, como telhados residenciais, que exigem um número relativamente pequeno de placas para suprir o consumo de uma casa.

“Acredito que o Brasil tem condições de ter uma posição de liderança até mundial. Nós temos espaço e temos sol. Eu diria que a maior dificuldade é de ter o capital inicial para fazer o investimento, mas esse dinheiro gasto retorna tranquilamente na conta de energia”.

Futuro da energia sustentável

O mapa da ABSOLAR confirma o rápido crescimento da energia solar no país. Em 2021, a marca era de 14,2 gigawatt. Em 2026, já são 68,6 GW. Mehl acredita em uma “explosão” nos próximos anos, com grande parte das casas adotando a alternativa.

“O Brasil tem essa capacidade de ser um país com energia limpa. Não precisamos queimar carvão, não precisamos fazer usina atómica. Nós somos realmente um país privilegiado nessa questão energética”.

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