Não para por aí. Mariangela também foi incluída na lista da revista americana Forbes como uma das dez personalidades mundiais que personificam a liderança no agronegócio.
Trajetória na pesquisa
Nascida em São Paulo e criada em Itapetinga (SP), Mariangela é engenheira agrônoma graduada pela Esalq/USP, onde também concluiu o mestrado em Solos e Nutrição de Plantas. Ela possui doutorado em Ciência do Solo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e acumula três pós-doutorados realizados em instituições nos Estados Unidos e na Espanha.
A pesquisadora ingressou na Embrapa em 1982 e, desde 1991, atua na Embrapa Soja, sediada em Londrina (PR). Quando iniciou seus estudos na área de biologia do solo, a agricultura vivia o apogeu dos defensivos químicos. “É difícil ouvir que o que você está fazendo não vai ter futuro. Mas eu nunca pensei um minuto em desviar daquilo que eu acreditava”, afirma a pesquisadora, destacando o suporte institucional que recebeu da empresa pública.
Adoção no campo e sustentabilidade
As tecnologias desenvolvidas por Mariangela têm alta taxa de adesão entre os produtores. Atualmente, 85% dos produtores de soja utilizam bactérias fixadoras de nitrogênio anualmente. Destes, 57% aplicam a bactéria Azospirillum brasilense, promotora de crescimento vegetal. O insumo biológico também atinge 22% do cultivo de milho no verão e 42% no inverno.
A substituição de fertilizantes nitrogenados químicos por alternativas biológicas traz benefícios que vão além do retorno financeiro. Na última safra, o uso da tecnologia evitou a emissão de 260 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

Futuro e financiamento científico
Como meta para o encerramento da carreira, Mariangela foca na recuperação de pastagens degradadas através de microrganismos, o que melhora a qualidade da forragem para o gado. “Podemos pensar em liberar até 80 milhões de hectares de pastagens degradadas para a agricultura”, projeta. “Isso significa duplicar ou triplicar a produção nacional sem derrubar uma árvore“.
A cientista, contudo, alerta para as dificuldades de se fazer ciência no país, citando a falta de recursos e de previsibilidade orçamentária. Ela argumenta que projetos agrícolas necessitam de financiamento seguro por no mínimo dez anos, contrastando com os editais atuais, que duram de dois a três anos. “Investir em ciência traz retorno econômico, social e ambiental”, conclui.



