Em menos de uma década, a China ampliou sua participação nas exportações mundiais de carne de frango para 9,5% em 2026 e passou a disputar espaço em mercados estratégicos do Oriente Médio, tradicional destino das proteínas brasileiras. Caso esse avanço se mantenha nos próximos anos, a concorrência poderá afetar diretamente o Paraná, principal produtor e exportador de frango do país.

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Em 2025, o Paraná consolidou a liderança nacional na cadeia avícola ao responder por cerca de 34% da produção brasileira e 41% das exportações de carne de frango, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado abateu 2,29 bilhões de aves ao longo do ano, um crescimento de 67 milhões de cabeças em relação a 2024, quando o total foi de 2,23 bilhões.

Para Caroline Pereira da Costa, técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, a expansão da avicultura chinesa tem, neste momento, um foco diferente do modelo brasileiro. Enquanto o Brasil produz com forte vocação exportadora, a estratégia chinesa prioriza o abastecimento interno e exportação do excedente. 

“Esse movimento faz parte de uma estratégia do próprio governo chinês voltada à segurança alimentar. A ideia é fortalecer a produção interna para reduzir a dependência das importações e garantir o abastecimento da população em situações como surtos sanitários, conflitos internacionais ou outros eventos que possam comprometer o comércio exterior”, explica.

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No Paraná, a produção permanece concentrada principalmente nas cooperativas e nos sistemas de integração do Oeste do estado, modelo que permite adaptar rapidamente a oferta.

“As empresas acompanham constantemente a demanda internacional e ajustam fatores como o número de aves alojadas, o tempo de criação e o peso dos animais no momento do abate, sempre respeitando as normas de biosseguridade e bem-estar animal. Isso permite planejar a produção para atender ao mercado sem gerar excesso ou escassez de oferta”, afirma.

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Apesar do crescimento acelerado da China, o Brasil segue como principal exportador mundial de carne de frango. A expectativa é que o país embarque cerca de 5,2 milhões de toneladas em 2026. A potência asiática ocupa a terceira posição mundial. 

Já a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que, após elevar as exportações em 41% em 2025, a China deverá exportar 1,4 milhão de toneladas neste ano. “A China pode, eventualmente, superar o Brasil em volume de produção, mas isso não significa que conseguirá assumir a liderança nas exportações”, conclui a técnica da FAEP.

China segue como principal cliente

O principal corredor de exportação do frango paranaense é o Porto de Paranaguá, por onde passaram 47,3% dos embarques no primeiro semestre de 2026. O maior destino da produção também permanece sendo a China, principal compradora da carne de frango brasileira.

Somente em junho, o país importou 50,1 mil toneladas, à frente de Japão (46,6 mil), Emirados Árabes Unidos (46,2 mil), Arábia Saudita (33,1 mil) e União Europeia (28 mil), segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Principal cliente do Brasil, a China importa grandes volumes de produtos com baixa demanda no mercado interno, como pés de frango, enquanto direciona ao mercado internacional cortes menos consumidos pelos chineses, principalmente o peito de frango.

Nos últimos 12 meses, esse corte respondeu por 22% do volume exportado pela China e registrou um dos maiores valores por tonelada entre os produtos comercializados. Esse corte também está entre as principais especialidades do Brasil. 

Segundo Caroline Pereira da Costa, essa relação entre Brasil e China ainda é mais complementar do que competitiva. “Hoje, considerada isoladamente, a China responde por cerca de 11% das exportações brasileiras de carne de frango. Já o conjunto dos países do Oriente Médio representa aproximadamente 30% dos embarques nacionais. Por isso, essa concorrência deve ser observada principalmente no médio e longo prazo, e não como um problema imediato”, explica.

É justamente no Oriente Médio que especialistas enxergam o principal ponto de atenção para a avicultura brasileira. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, importantes compradores do frango produzido no Paraná, estão geograficamente mais próximos da China, o que pode favorecer a competitividade logística dos exportadores asiáticos.

Em análise recente, o BTG Pactual avaliou que, caso a China mantenha o ritmo de expansão da produção e continue conquistando acesso a novos mercados, o país poderá se tornar um concorrente estrutural relevante para os exportadores brasileiros, pressionando preços e reduzindo parte da vantagem competitiva do Brasil no comércio internacional de carne de frango.

No entanto, no cenário atual, a avicultura paranaense segue ampliando sua competitividade por meio da diversificação. Segundo Caroline Pereira, a resposta às mudanças do mercado completa os principais diferenciais do Paraná.

“Há crescimento contínuo da produção, implantação de novos aviários e construção de novas plantas frigoríficas para atender ao aumento da demanda. A avicultura paranaense já está preparada para lidar com oscilações do mercado internacional”, conclui.