Economia

Nove em cada dez famílias paranaenses têm dívidas com cartão de crédito

Homem segurando a carteira com cartões de crédito.
O cartão de crédito é o principal fator de endividamento dos paranaenses, sendo citado por 91,5% das famílias. Foto: Átila Alberti / arquivo Tribuna do Paraná.

O nível de endividamento dos paranaenses vem crescendo desde o começo do ano. O cartão de crédito é o principal fator de endividamento dos paranaenses, sendo citado por 91,5% das famílias. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), em parceria com a Federação de Comércio (Fecomércio).

O levantamento entrevistou cerca de 500 famílias de Curitiba e apresenta uma taxa de erro de 3,5%, além de uma taxa de confiança de 95%.

Segundo a pesquisa, a alta ocorre em um momento de juros elevados, que fazem com que os cidadãos recorram mais ao crédito para manter o consumo e organizar as finanças. A taxa básica de juros (Selic) ficou acima de 14% em 2026, para controlar a inflação do país, e isso encareceu as linhas de crédito, desestimulando o consumo para estabilizar os preços.

O coordenador de desenvolvimento empresarial da Fecomércio, Rodrigo Schimdt explica que o cartão de crédito tende a ser uma forma de pagamento de fácil utilização e que é aceita na maior parte dos estabelecimentos. “E se o cliente atrasa, quem cobra a dívida é a operadora do cartão de crédito”, exemplifica.

Além disso, ele ainda aponta que o crédito nem sempre é utilizado para comprar novos produtos. Segundo Schimdt, o cartão pode ser utilizado para pagar contas mensais, como de água, de luz, e de telefone.

“Quando vemos, a pessoa não conseguiu se planejar, ou tiveram algum problema, e o salário não conseguiu suprir as altas do custo de vida. Assim, há o aumento de inadimplência, de pessoas sem condições de pagamento”, resume o coordenador da Fecomércio.

Carnês se tornam alternativa para consumo

Na sequência, os maiores débitos vieram do financiamento de veículos, em 7,7% das entrevistas. Os carnês aparecem em terceiro lugar, pela primeira vez em 13 anos de pesquisa, com 6,7% dos débitos.

Schimdt aponta que esse salto do uso de carnês pode ter acontecido devido aos juros do cartão de crédito: “Às vezes é preferível estar eventualmente atrasado com o estabelecimento, do que com o cartão de crédito, que as taxas são exorbitantes”.

Já o financiamento imobiliário representou 6,6% dos compromissos financeiros das famílias do Paraná. Isso indica um provável aumento nas compras parceladas, enquanto a compra de imóveis perde força com o contexto econômico atual.

Famílias endividadas

Em junho, a parcela de famílias que possuíam alguma dívida no estado se manteve estável entre maio e junho, totalizando 87,2%. Em comparação junho do ano passado, por outro lado, houve um aumento de 3 pontos percentuais.

Além disso, as famílias com rendas até 10 salários-mínimos apresentam uma faixa de débitos em 88%. Já as famílias com renda acima dessa média, apresentaram 83,3% de nível de endividamento.

Paraná segue com menor índice de inadimplência

Apesar do aumento nos endividamentos, o Paraná ainda é o estado com um dos menores índices de inadimplência do país. Ou seja, são poucas famílias do estado que acreditam que não vão conseguir pagar suas dívidas.

Em junho, 16,7% das famílias paranaenses tinham contas atrasadas, acréscimo de 1,5 p.p. em relação ao mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice era de 11,7%. Na média nacional, o índice chegou a 29,9% em junho.

Schimdt reforça que o aumento nesse indicador é preocupante no Paraná, porque mesmo utilizando o crédito, as famílias não estão conseguindo suprir com suas despesas e estão ficando com contas em atraso.

No Paraná, 4,3% das famílias afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas. O resultado representa uma alta anual de 2,2 pontos percentuais. Considerando famílias de todo país, essa média chegou a 12,2% em junho.

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