Valquir Aureliano / GPP
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Encontro promovido pelo
Crea-PR, Senge e IEP teve
uma grande participação.

O diretor de planejamento da Secretaria de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes, Francisco Luiz Batista da Costa, apresentou, ontem, em Curitiba, perspectivas muito positivas para a recuperação das estradas brasileiras em 2005. Durante debate sobre o assunto -promovido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge) e Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) -, ele destacou que o governo federal poderá investir até R$ 6 bilhões na recuperação de rodovias até o final do ano. Nesse total não está incluso o investimento da iniciativa privada, que virá através das Parcerias Público Privadas (PPPs), aprovadas pelo Congresso Nacional do final do ano passado.

Além da aprovação das PPPs, que Costa acredita que começarão a dar bom resultado em 2006, outro fator que levou otimismo ao Ministério dos Transportes foi o aval dado, na última terça-feira, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), para que o Brasil utilize cerca de US$ 3 bilhões que seriam economizados para cumprir as metas de superávit primário com infra-estrutura. ?Inicialmente nosso orçamento para 2005 era de R$ 3,5 bilhões, bem mais que os R$ 2 bilhões gastos nos últimos dois anos. Mas com esses novos recursos, vamos chegar perto de R$ 6 bilhões?, contou, destacando que o foco do ministério para 2005 é a recuperação da malha rodoviária.

Novo modelo

Fora a recuperação, Costa destacou que novos trechos de rodovia passarão para a iniciativa privada em 2005. ?As concessões serão diferentes, apesar de existirem lotes mínimos de obras, o nível dos serviços será valorizado. É responsabilidade da concessionária resolver os problemas de congestionamentos, irregularidades no pavimento e visibilidade. Se for necessário fazer obras elas terão que fazer, independente de estarem no contrato?, disse.

Discussão

O presidente do Crea-PR, Luiz Antônio Rossafa, disse que o evento foi promovido justamente para que novos acidentes como o da ponte sobre a represa do Capivari, na BR-116, não se repitam. ?É importante aprofundarmos a discussão com a sociedade, não só no meio técnico. Temos que proteger as obras-de-arte (pontes, viadutos, etc.) fazendo manutenção, que é muito mais barato do que depois arrumar após um desastre?, disse. Ele falou que a sociedade precisa receber informações para definir prioridades e conseguir recursos para a conservação da malha rodoviária. ?Mortes causadas por buracos na rodovia deveriam ser o suficiente para nos indignarmos do mesmo jeito que acontece quando há mortes num acidente de avião?, salientou.

Divergências entre técnicos

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) informou, ontem, através de uma nota, que o Centro de Apoio Científico em Desastres e do Setor de Tecnologia (Cenacid) está se afastando dos estudos que vinha realizando nas margens na BR-116, próximo ao local do desmoronamento da ponte. O motivo alegado foram problemas de relacionamento e divergência de opiniões entre os grupos.

Segundo a Federal, os desentendimentos com um diretor do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) aconteceram porque os pesquisadores sugeriam a tomada de medidas mais enérgicas para a contenção do terreno. Para o diretor do Setor de Tecnologia da UFPR, Mauro Lacerda, seria necessária a redução de velocidade dos caminhões sobre a ponte.

Conforme o DNIT, não havia ligação entre UFPR e o órgão. Informou também que os pesquisadores da UFPR vinham insistindo no fechamento da estrada devido aos problemas no maciço sob a ponte. Para o DNIT, não há possibilidade de a ponte cair. (Rhodrigo Deda)