Infraestrutura

Leilão da Régis Bittencourt movimenta mercado nesta quinta com investimento de R$ 7,2 bilhões

A rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR) é um dos principais corredores logísticos do país.
A rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR) é um dos principais corredores logísticos do país. Foto: Jonathan Campos / arquivo Gazeta do Povo.

A B3 (bolsa de valores oficial do Brasil), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes realizam nesta quinta-feira (23), a partir das 14 horas, o leilão de otimização contratual da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), um dos principais corredores logísticos do país.

A disputa envolve a transferência do controle acionário da concessionária responsável pelos cerca de 400 quilômetros de rodovia entre São Paulo e Paraná. O novo contrato terá 25 anos de duração e prevê investimentos de aproximadamente R$ 7,2 bilhões, destinados à ampliação da capacidade da via, modernização da infraestrutura e melhorias operacionais. O critério de julgamento será o maior desconto oferecido sobre a tarifa básica de pedágio.

Três empresas apresentaram propostas para a concessão: Motiva, Grupo EPR e Arteris, atual operadora do trecho desde 2008. A Régis Bittencourt é considerada um dos ativos rodoviários mais atrativos do país, estratégica para o escoamento da produção agrícola e para a logística entre os dois estados.

Entre as candidatas, a Motiva chega à disputa após vencer o releilão da rodovia Fernão Dias (BR-381) e é apontada por analistas como a mais bem posicionada. Segundo o Bank of America, uma eventual vitória da empresa poderia gerar cerca de R$ 200 milhões em capital aos acionistas, enquanto o Santander projeta um cenário ainda mais otimista, com potencial de R$ 600 milhões. Ambos os bancos ressaltam, no entanto, que o retorno dependerá da capacidade da companhia de gerar eficiência operacional em um ambiente de juros elevados.

O Grupo EPR, plataforma formada pela Equipav e pela gestora Perfin, também é visto como concorrente natural, já que administra concessões rodoviárias em Minas Gerais e no Paraná. Já a Arteris, atual concessionária e uma das maiores administradoras de rodovias do Brasil, disputa o leilão com a vantagem de já conhecer o ativo, mas enfrenta, segundo análises do BTG Pactual, um cenário de maior alavancagem financeira, o que pode limitar sua agressividade na disputa.

Para o mercado, o resultado do leilão não deve apenas definir o futuro operador da rodovia, mas também servir como termômetro do interesse do setor privado por novas concessões de infraestrutura no país.

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