A Itaipu Binacional destinou novos recursos para a aquisição de uma área de assentamento da comunidade indígena Avá-Guarani, no Oeste do Paraná. Em agosto de 2025, a multinacional já havia comprado uma área de 220 hectares em Terra Roxa para assentar 68 famílias de três comunidades da etnia.

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Nesta nova etapa, a empresa adquiriu 107 hectares entre São José das Palmeiras e Santa Helena por R$ 17,6 milhões. A área atenderá 27 famílias, cerca de 90 pessoas, segundo a própria empresa. O local inclui a Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu.

A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. Segundo o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu, a nova área deve trazer melhorias à comunidade. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, com escola, posto de saúde e outros direitos que iremos conquistar”, afirmou.

Segundo o balanço mais recente, divulgado em abril, a Itaipu já investiu R$ 84,7 milhões na compra de áreas para comunidades impactadas pela usina. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) são responsáveis pela aquisição e gestão das áreas destinadas às comunidades.

Por que a Itaipu está comprando terras para indígenas?

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As aquisições fazem parte de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2025, firmado entre Itaipu, comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas, Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O objetivo é garantir reparação histórica aos Avá-Guarani, afetados pela construção da usina. Na década de 1970, o represamento do Rio Paraná provocou o alagamento de terras tradicionais das comunidades na divisa com o Paraguai.

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O acordo prevê a destinação de pelo menos 3 mil hectares às comunidades indígenas, com investimento inicial de R$ 240 milhões por parte da Itaipu. Também estão previstas ações de restauração ambiental e o financiamento de serviços essenciais, como água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação.

Cabe à Funai conduzir o processo de destinação final das terras, garantindo posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades. A aquisição dos imóveis passa por análises fundiárias e técnicas tanto da Funai quanto do Incra.

Além das áreas em Terra Roxa e da nova aquisição, também foram compradas a Fazenda Amorim, com 209 hectares, em Missal, destinada a 36 famílias; parte do Haras Mantovani, com 68 hectares, também em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, em Foz do Iguaçu.

Fonte: Agência Brasil