Em entrevista nesta terça-feira (6) ao programa Café com a Gazeta do Povo, Filipe Barros (PL), eleito senador pelo Paraná nas eleições de 2026, comentou a composição da chapa e a sucessão de Sergio Moro (PL), eleito governador do estado no primeiro turno. Segundo Barros, o suplente de Moro deverá deixar o União Brasil para assumir a cadeira no Senado.
Com a saída de Moro, o advogado Luis Felipe Cunha, atualmente no União Brasil, deverá assumir a vaga no Senado e completar o mandato, que termina em 2031. A mudança ainda depende dos procedimentos para a convocação e posse do suplente.
A partir de 2027, a bancada paranaense no Senado será formada por Filipe Barros, Deltan Dallagnol (Novo) e Luis Felipe Cunha, caso a sucessão seja formalizada. Os mandatos de Barros e Dallagnol começam em 1º de fevereiro de 2027 e terão duração de oito anos.
Barros afirmou que o cenário partidário do suplente de Moro deve mudar em breve. “Está na União Brasil porque o Moro também estava na União Brasil antes de se filiar ao PL e não ficará muito tempo mais. Essa semana nós teremos grandes novidades sobre isso. É o que eu posso te antecipar.”
Durante a entrevista, Filipe Barros também explicou sua visão sobre a escolha dos senadores e chamou atenção para a composição das chapas, que inclui dois suplentes. “É importante a população saiba que quando vota no senador, está votando numa chapa. O senador, com seus dois suplentes.”
Futura atuação no Senado
Barros afirmou que pretende colocar a responsabilização de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entre as primeiras medidas de seu mandato, que começa em 2027. Ele também defendeu mudanças na estrutura do Judiciário e disse que pretende apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) nos primeiros dias no cargo.
“Certamente uma das primeiras iniciativas que nós temos que fazer é a responsabilização através do impeachment daqueles que estão cometendo crime de responsabilidade, abuso de poder”, afirmou.
Barros disse que a proposta não deve se limitar ao impeachment de ministros. Segundo ele, a intenção é discutir uma reforma mais ampla do Judiciário em conjunto com Dallagnol. “Tanto eu como o Deltan falamos ao longo da campanha inteira da necessidade de nós aprovarmos uma reforma do Poder Judiciário”, declarou.
A proposta de Barros deve incluir mudanças nos critérios para composição do STF e nos limites do controle de constitucionalidade. “Eu defendo mandato dos ministros do Supremo, eu defendo que sejam indicados pelo presidente da República, mas que sejam juízes de carreira, da magistratura, não pode ser advogado do partido do presidente da República”, disse.
Barros também afirmou que pretende estabelecer limites mais rígidos para a atuação da Corte. “Eu defendo que a gente crie regras mais rígidas para o controle de constitucionalidade. Não pode o Supremo Tribunal Federal, em nome do controle de constitucionalidade, legislar no lugar do Congresso Nacional”, afirmou.
Campanha em 40 cidades
O deputado também voltou a falar sobre o episódio envolvendo Deltan Dallagnol durante a campanha eleitoral. “Vocês vejam só. O Deltan foi proibido de fazer campanha 15 dias antes das eleições. Faltavam 15 dias pra população inteira ir para as urnas, veio uma decisão monocrática de um ministro indicado pelo Lula e aliado do Alexandre Moraes, proibindo o Deltan de fazer a campanha”, afirmou.
Filipe Barros contou que, diante da decisão, assumiu o compromisso de levar a mensagem de Deltan durante suas próprias atividades eleitorais. “Naquele momento em que houve essa censura ao Deltan, eu fiz um compromisso com ele com o povo do Paraná: se o Deltan estava proibido de fazer campanha, eu, por onde andasse, levaria a mensagem também do Deltan”, disse.
Segundo Filipe Barros, ele percorreu dezenas cidades durante o período. “Nesses 15 dias nós estivemos em mais de 40 cidades e eu sempre falando da minha campanha e da campanha do Deltan, porque começamos juntos essa caminhada.”
Para o senador eleito, o episódio mostra que decisões tomadas em Brasília têm impacto direto nos estados. “A gente não pode achar que essas arbitrariedades ficam restritas àquilo que acontece em Brasília. Isso afeta todos nós, afeta a população, afeta o povo do Paraná e o povo do Brasil”, afirmou.
Mobilização evitou pulverização da direita no Paraná
Barros também afirmou que houve uma articulação entre diferentes grupos para enfraquecer candidaturas de direita no Paraná. “A esquerda junto com o centrão estavam unidos para tentar enfraquecer as candidaturas da direita, dando, portanto, uma das vagas à candidata do PT aqui no estado do Paraná.”
O deputado atribuiu parte do resultado eleitoral à mobilização que, segundo ele, ocorreu durante os 45 dias de campanha. Ele disse que houve uma preocupação para evitar a pulverização de candidaturas de direita e afirmou que a estratégia buscou concentrar votos nas candidaturas apoiadas por Flávio Bolsonaro.
Na avaliação dele, esse contato teria provocado uma mudança na percepção do eleitor. “Eu acredito que houve um nível de conscientização da população muito grande nesses últimos 45 dias de campanha. As pessoas compreenderam efetivamente que nós precisamos concentrar os esforços nas candidaturas ao Senado, apoiadas por Flávio Bolsonaro.”
Apoio a Flávio Bolsonaro
O senador eleito também falou sobre a mobilização no segundo turno e disse que pretende repetir no Paraná uma estratégia utilizada em 2022. “Estarmos fisicamente fazendo eventos, promovendo carreatas nessas 49 cidades na tentativa, então, de virar voto”, afirmou.
Ele citou ainda uma viagem feita ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a campanha. “Nikolas e eu ficamos 15 dias viajando em todas as capitais do Norte e do Nordeste para virar votos e isso trouxe um resultado muito efetivo porque diminuímos a diferença de Flávio Bolsonaro com o Lula.”
Sobre o apoio de Michel Temer a Flávio Bolsonaro (PL), Barros relacionou a decisão à proximidade do ex-presidente com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
“O apoio do presidente Temer, isso se deve muito ao fator Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo. O Ricardo Nunes e o Temer possuem uma amizade, uma relação muito próxima um ao outro. Certamente devem ter conversado sobre a importância de nós derrotarmos o PT.”
