O secretário de saúde do Paraná, Beto Preto, alertou para a necessidade de a população redobrar os cuidados por causa do aumento dos casos de coronavirus no Paraná. Segundo ele, a situação da doença no Paraná piorou após os feriados de outubro, novembro e também em virtude da campanha eleitoral. Nesta quinta-feira (19), Curitiba bateu o recorde de novos casos e casos ativos. No Paraná, segundo boletim mais recente da Secretaria de Saúde (Sesa), são 2,6 mil novos casos, o maior número desde 28 de agosto. O secretário falou ainda sobre a suspensão das cirurgias e as aulas no Paraná.

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“Nós estamos em momento da reagudização da primeira onda, não é a segunda onda. Tínhamos que estar com cerca de 300 a 400 novos casos por dia, mas estamos com um número oito vezes maior. Isso é reflexo dos feriados de 12 de outubro, 2 de novembro e, principalmente, da campanha eleitoral. Não pelo dia 15 de novembro, data da eleição, em que tivemos um pouco de aglomeração já esperada. É um momento de muita tensão e um ponto de crise”, disse o secretário em entrevista ao Bom Dia Paraná, da RPC.

“Esse momento, eu insisto, tinha que ser de decréscimo da curva, o que permitiria um vale, assim chamamos na epidemiologia, de 5 a 6 semanas de estabilização lá em baixo, infelizmente tivemos novos casos”, alertou.

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Além da campanha eleitoral e os feriados, o secretário afirma que muitas pessoas deixaram de acreditar que a pandemia segue. “O aumento do número de casos já vem que quatro semanas. A maior faixa etária acometida é a faixa etária de jovens, entre 18 a 39 anos. Temos jovens em aglomerações, festas, churrascos, chás de bebê. Esses tipos de aglomeração não podem acontecer”, disse. por isso, o secretário ressalta a importância da conscientização, pois muitos destes jovens tem pais, avós em casa. “Os leitos de UTI não é infinito. Precisamos do auxílio de todos. A pandemia não acabou, temos que administrar esse processo até que chegue a vacina”, finalizou.

Cirurgias eletivas seguem liberadas no Paraná

Segundo o secretário, o Paraná ainda não tem a suspensão de cirurgias eletivas – aquelas que não são urgentes – como alternativa para ampliar leitos de UTI pra covid-19. “Vamos continuar com as cirurgias liberadas por mais um tempo. Se o quadro de covid-19 se alastrar ainda mais, poderemos pensar numa suspensão. Nesse momento continuamos liberados e vamos reativar leitos covid-19 que tinha sido diminuídos. Tínhamos 1111 leitos, com a baixa de casos baixamos para pra 898 leitos. Estudamos a abertura de 70 leitos”, explicou. Curitiba decidiu suspender estas cirurgias na rede pública de saúde após o aumento dos casos na cidade.

E as aulas na rede estadual, como ficam?

O secretário alertou que possivelmente no primeiro semestre de 2021 as aulas serão hibridas. “Isso deixa muito claro a necessidade de continuarmos os cuidados até que tenhamos a vacina. Temos um cenário mais pragmático, que pode trazer vacinas em massa para o Brasil a partir do meio do ano. Até lá temos que manter o cuidado”, disse.