A nova fábrica da Refriko, inaugurada nesta terça-feira (21) em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, começa produzindo 2,3 milhões de bebidas por dia. No entanto, o projeto já foi dimensionado para atingir uma capacidade de até 10 milhões de unidades diárias nos próximos anos.

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O investimento de R$ 400 milhões coloca a unidade entre os maiores empreendimentos do setor de bebidas no Paraná. Além disso, faz parte da estratégia do Grupo RFK para antecipar a meta de R$ 2 bilhões em faturamento e entrar no grupo das cinco maiores fabricantes de bebidas do Brasil até o fim da década.

Segundo o CEO do Grupo RFK, Márcio Mendes, a nova fábrica foi planejada para acompanhar o crescimento da empresa pelos próximos anos. “Em 2023 percebemos que o modelo de fábrica existente hoje no Brasil atende muito bem o mercado atual, mas não será suficiente daqui a dez anos. Por isso buscamos o que existe de mais moderno no mundo”, afirmou.

A unidade ocupa uma área de 300 mil metros quadrados, equivalente a cerca de 30 hectares. No local, a empresa produzirá refrigerantes, cervejas e energéticos. Apenas a água mineral continuará sendo envasada em outra unidade, próxima à fonte de captação.

Tecnologia alemã e projeto inédito

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A nova planta foi desenvolvida em parceria com uma empresa alemã especializada em tecnologia para a indústria de bebidas. Segundo o CEO, o projeto é único na América e utiliza soluções voltadas à automação, inteligência artificial e sustentabilidade.

A linha de produção consegue envasar até 60 mil latas por hora na cervejaria e 33 mil garrafas por hora na linha de refrigerantes.

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Além disso, a fábrica reaproveita parte do gás carbônico gerado durante a fermentação da cerveja. O sistema captura cerca de 95% do CO₂, purifica o gás e o reutiliza na carbonatação das bebidas. A empresa também recupera calor dos processos industriais para reduzir o consumo de energia.

Outro objetivo é diminuir o uso de água. Enquanto fábricas modernas utilizam cerca de cinco litros para produzir um litro de cerveja, a meta da Refriko é alcançar uma proporção de dois para um.

Por que a empresa escolheu São José dos Pinhais

A escolha por São José dos Pinhais envolveu uma combinação de fatores logísticos e estratégicos.

De acordo com Márcio Mendes, a Região Metropolitana de Curitiba oferece localização privilegiada para abastecer consumidores em diferentes estados. “Em um raio de 500 quilômetros alcançamos cerca de 50 milhões de consumidores. Isso reduz o impacto da logística e aumenta nossa competitividade.”

Outro fator decisivo foi a agilidade na instalação da planta. “Veja por exemplo uma cervejaria instalada há poucos anos em Ponta Grossa. Contando todo o desembaraço de documentação, a fabrica demorou cinco anos pra ser construída. Aqui em São Jose dos Pinhais, construímos em 24 meses”, disse o CEO.

Outro fator de decisão foi a qualidade da água encontrada no município. “O segredo da bebida é a água. Fizemos análises e encontramos aqui uma água de excelente qualidade, que exige menos tratamento e melhora o produto final.”

O executivo também destacou a agilidade do processo de implantação da fábrica. Segundo ele, a obra ficou pronta em apenas 24 meses. “Projetos desse porte costumam levar muito mais tempo. Encontramos apoio do programa Paraná Competitivo e rapidez nos processos de licenciamento. Isso fez diferença.”

Antes da construção da unidade, a área era utilizada para o cultivo de soja e foi comprada pela RFK para a implantação da fábrica.

Empresa quer dobrar faturamento antes do previsto

A nova fábrica representa apenas uma etapa do plano de crescimento do Grupo RFK. A empresa trabalha atualmente com 115 produtos distribuídos em 12 marcas ativas e mais de 30 marcas registradas. Hoje, o faturamento está dividido entre refrigerantes (40%), energéticos (30%) e água, cerveja e chope de vinho (30%).

Linha de energéticos da RFK. Foto: Giselle Ulbrich.

A meta inicial previa atingir R$ 2 bilhões em faturamento até 2030. Agora, o objetivo é antecipar esse resultado para 2029.

“Eu acredito que não teremos novas categorias de bebidas tão cedo. O que acredito é a na atualização das categorias, adequação aos novos hábitos do consumidor. Não queremos depender de uma única categoria. O consumidor muda rapidamente e precisamos acompanhar esse movimento. E nisso somos rápidos, em analisar o que o consumidor quer.”

Nos próximos meses, a empresa lançará uma cerveja da marca Roma, uma versão zero da Tubaína e, posteriormente, uma cerveja com menor teor alcoólico. A estratégia também prevê a entrada no segmento de bebidas sem álcool.

Expansão deve gerar novos empregos

Uma das novidades anunciadas por Marcio Mendes, durante a inauguração,  é a intenção da RFK em levar suas bebidas para a China. Em especial o guaraná, produto tipicamente brasileiro e que faz sucesso no mundo todo. Além dos refrigerantes,  ele planeja levar os energéticos e a água mineral, produzida na planta de São Paulo.

Marcio Mendes (à direita) com o filho Guilherme Mendes, que cuida de diversas operações do Grupo RFK. Foto: Giselle Ulbrich.

Porém, mais concreto que a expansão para a China, é a possibilidade de construir uma nova fábrica no Nordeste brasileiro. Atualmente, a região ainda apresenta limitações para a distribuição de refrigerantes devido ao custo do frete, versus o custo de fabricação por litro do produto. Já cervejas e energéticos conseguem chegar ao mercado nordestino com maior competitividade.

Com quatro fábricas em operação e entre as dez maiores empresas brasileiras do setor, o Grupo RFK quer transformar a nova unidade de São José dos Pinhais na principal alavanca para alcançar um novo patamar nacional.

A expansão também passa pelo fortalecimento da equipe comercial. Hoje, o Grupo RFK conta com cerca de 50 vendedores no Paraná. A expectativa é chegar a aproximadamente 200 profissionais até 2028 para ampliar o atendimento direto ao varejo (venda porte a porta) no Paraná e em Mato Grosso do Sul.