Balança comercial

Exportações paranaenses do ano devem superar 2025, projeta entidade do agro

Colheita de soja em Engenheiro Beltrão, no Paraná. Foto: Dirceu Portugal / Arquivo Gazeta do Povo
Colheita de soja em Engenheiro Beltrão, no Paraná. Foto: Dirceu Portugal / Arquivo Gazeta do Povo

Os bons resultados das exportações paranaenses no primeiro semestre de 2026 sinalizam um ano positivo para as exportações do Estado. Se não houver surpresas, como tarifas e embargos a produtos, a expectativa é que o volume de exportação cresça neste ano acima do registrado em 2025.

A projeção é do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná). “Se tudo for mantido constante, com todas as variáveis controladas, projetamos que as exportações do Paraná em 2026 se encerrem próximas ou até em US$ 24 bilhões“, sinaliza Anderson Sartorelli, do Departamento Técnico e Econômico (DTE). No ano passado, o volume chegou a US$ 23,6 bilhões.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgados nesta quarta-feira (8) revelam que exportações paranaenses somaram US$ 11,9 bilhões no primeiro semestre do ano, alta de 5,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando as vendas externas do Estado totalizaram cerca de US$ 11,3 bilhões.

Destaques

Entre os destaques com maior crescimento de um ano para outro no acumulado do ano estão o óleo de soja bruto, com variação de 73,3%, máquinas de terraplanagem, com 52,2%, e caminhões, com 35,4%

A soja é o principal produto de exportação do Paraná e do país. O aumento expressivo das exportações do derivado da soja pode ser atribuído sobretudo à comercialização para a Índia, cuja alta chegou a 78%.

A soja em grão alcançou a casa dos US$ 2,4 bilhões comercializados, diante dos US$ 2,2 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado, variação de 12,8% entre os períodos. A cultura responde por 20,5% do total exportado pelo Paraná. O farelo de soja chegou a US$ 695,4 milhões comercializados, alta de 12,3% frente aos US$ 619 milhões do primeiro semestre de 2025.

Índia

A Índia se consolida como um parceiro estratégico importante para o Paraná. Em um cenário em que a China, principal parceira do Estado na compra de produtos do complexo soja – óleo de soja, soja em grão e farelo de soja – discute estratégias para se tornar autossuficiente na produção da semente, encontrar no outro país asiático um mercado aberto ao consumo do produto agrícola mostra, para Sartorelli, que o Paraná está em um movimento importante de diversificação de destinos.

“Isso mostra que o Paraná está conseguindo ampliar a presença em outros mercados. A Índia é um mercado gigante; conseguir chegar nesses mercados é bastante positivo”, explica.

Ainda na lista dos alimentos, a venda de carne de frango in natura somou US$ 2,1 bilhões em 2026, ante US$ 1,8 bilhão em 2025, variação de 18,5%. O produto é o segundo em comercialização, com peso de 18,1% na balança de exportações do estado. Com crescimento de 19,9%, a carne bovina in natura chegou a US$ 109 milhões.

“Quando olhamos para o saldo da balança comercial do Paraná nos últimos anos, temos destaque positivo para o agronegócio sempre”, registra Sartorelli. O especialista lembra que o setor representa mais de 60% das exportações do estado; em 2025, respondeu por 77% das vendas ao exterior. A expectativa para o ano é que o índice fique em torno de 75%.

O acréscimo nas vendas de máquinas de terraplanagem, outro destaque significativo para a obtenção do resultado do primeiro semestre, é sustentado, principalmente, pelas exportações destinadas aos Estados Unidos e Canadá, com aumentos de 49% e 349%, respectivamente.

Ponto de atenção

Para o segundo semestre, outros segmentos devem superar a soja em relevância na pauta de exportações, algo normal, dado o momento de colheita. Ganham força a carne, sobretudo o frango, café solúvel e produtos florestais, como celulose, madeira e derivados. “E aí temos os Estados Unidos como mercado importante, o principal destino”, explica Sartorelli. O que adiciona ao período um ponto de atenção devido à lista de produtos brasileiros tarifados pelo país. “Essa discussão de tarifa está no radar, é preocupante, mas o Paraná tem sido resiliente e conseguido colocar seus produtos no âmbito internacional”, reforça.

Importação e exportação

O saldo da balança comercial na primeira metade do ano foi positivo na comparação entre exportações e importações; o Paraná vendeu mais do que comprou. Foram US$ 10,7 bilhões em produtos importados que chegaram ao Estado, contra US$ 11,9 bilhões comercializados ao exterior. O resultado é um saldo comercial de US$ 1,2 bilhão.

“Por que esse saldo positivo é importante? Porque fortalece a economia estadual, contribui para o equilíbrio das contas e na geração de divisas”, celebra Sartorelli. “Quando tenho mais dinheiro entrando do que saindo do Estado, tenho estabilidade econômica e efeito multiplicador em todos os setores”, sintetiza.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google