Seguros patrimoniais

Temporais e vendavais ampliam procura por seguros para imóveis no Paraná

Especialistas alertam para a escolha do momento da contratação. Foto: Arquivo/Daniel Castellano/Gazeta do Povo.

A ocorrência de temporais, vendavais, granizo e alagamentos tem levado famílias e empresas a olhar com mais atenção para os riscos que podem atingir imóveis e patrimônios. No Paraná, esse movimento aparece nos resultados do mercado de seguros. Os patrimoniais movimentaram R$ 772,26 milhões entre janeiro e maio de 2026, crescimento de 17,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre as modalidades, o seguro residencial teve alta de 14,8%, alcançando R$ 211,67 milhões. O seguro habitacional cresceu 30,8%, para R$ 190,68 milhões, enquanto Riscos Diversos avançou 16,7%, com R$ 67,05 milhões.

Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Paraná (Sincor-PR), José Antonio de Castro, os números refletem uma percepção maior sobre a necessidade de proteção em diferentes áreas.

“Os números mostram um mercado de seguros paranaense bastante dinâmico e, principalmente, uma ampliação da percepção sobre a importância da proteção em diferentes áreas. Temos crescimento em praticamente todas as carteiras analisadas, desde segmentos já consolidados, como Automóvel e Vida, até modalidades que vêm apresentando avanços percentuais bastante expressivos, como Grandes Riscos, Fiança Locatícia, Crédito e Habitacional”, revela.

Segundo Castro, o crescimento das diferentes modalidades mostra que o seguro vem ganhando espaço no planejamento de famílias e empresas. “Outro aspecto importante é que vivemos um período em que riscos que antes pareciam mais distantes estão muito mais presentes no cotidiano. Eventos climáticos, prejuízos patrimoniais e diferentes situações de imprevisibilidade fazem com que pessoas e empresas repensem sua exposição’, explica.

O seguro residencial é um dos exemplos dessa mudança. De acordo com o presidente do Sincor-PR, o avanço da modalidade está relacionado a uma atenção maior das famílias com a proteção do patrimônio.

“O crescimento de 14,8% do seguro residencial no Paraná, chegando a R$ 211,67 milhões nos cinco primeiros meses de 2026, é um dado bastante relevante. Ele mostra que existe um movimento de maior atenção das famílias em relação à proteção da própria residência e do patrimônio construído ao longo dos anos”, considera.

Eventos climáticos concretizam riscos

Castro afirma que os eventos climáticos ajudam a tornar o risco mais concreto para o consumidor. “Os eventos climáticos que temos acompanhado contribuem para colocar essa discussão em evidência. Vendavais, granizo, alagamentos e tempestades tornam o risco muito mais perceptível para o consumidor”, diz.

A orientação, porém, é que a contratação não seja feita somente depois de um evento. “Mas é importante lembrar que o seguro residencial não deve ser pensado apenas depois de um evento dessa natureza. A proteção precisa fazer parte de um planejamento preventivo”, aconselha.

A atuação do corretor, nesse contexto, ganha importância porque as necessidades variam conforme as características de cada imóvel. “O seguro residencial pode reunir diferentes coberturas e assistências, e cada imóvel possui características próprias de localização, exposição e necessidade. Por isso, mais importante do que simplesmente contratar uma apólice é contar com uma análise adequada para que aquela proteção realmente corresponda à realidade do segurado”, comenta.

Além dos seguros patrimoniais, outros segmentos apresentaram crescimento no Paraná nos cinco primeiros meses do ano. O seguro de Automóvel movimentou R$ 1,99 bilhão, alta de 6,8%. Já Grandes Riscos teve crescimento de 42,7%, chegando a R$ 244,66 milhões.

Enquanto isso, Riscos Financeiros movimentaram R$ 210,32 milhões, crescimento de 15,8%, enquanto a Fiança Locatícia avançou 44,2%, para R$ 103,93 milhões.

Seguradora registra crescimento

O movimento também aparece nos resultados da Allianz Seguros. Entre janeiro e maio, o seguro Residência da companhia cresceu 11% no Paraná em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 24 milhões em faturamento.

Segundo Cleide Camilotto, diretora Comercial Regional Sul da Allianz Seguros, o crescimento ocorreu nos três estados do Sul. Para ela, o aumento da intensidade dos eventos climáticos pode ter contribuído para a evolução da carteira.

“Possivelmente, o aumento da intensidade dos eventos climáticos e a projeção do super El Niño, confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), pode ter contribuído para a evolução dessa carteira no Sul do país, onde fenômenos como vendavais, tornados e ciclones têm maior incidência”, aponta.

O cenário de maior exposição a eventos climáticos também tem levado as seguradoras a aprimorar a análise de riscos. A Allianz afirma que utiliza modelos estatísticos e modelos de catástrofes naturais para orientar estratégias de avaliação de risco.

Em setembro, a companhia lançou o GloRiA (Global Risk Assessment), plataforma que permite consultar gratuitamente os riscos associados a uma residência, condomínio ou empresa por meio do CEP.

Segundo a Allianz, a ferramenta cruza dados geoespaciais, históricos e modelos preditivos para identificar os eventos climáticos aos quais o imóvel está mais exposto. O Brasil é o primeiro país da América Latina a receber a plataforma, que está disponível para clientes e não clientes da companhia.

Cleide comenta ainda que a empresa mantém um painel de monitoramento em tempo real para acompanhar boletins externos, como os do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), além da evolução dos atendimentos por região. A medida permite preparar a operação de acordo com o cenário de cada ocorrência.

Para a seguradora, a atuação do setor não deve se limitar ao pagamento de indenizações. “Acreditamos que o setor securitário tem um papel que vai além da indenização. O seguro deve atuar como agente de prevenção, apoiando clientes com modelagem preditiva, mapeamento de vulnerabilidades e recomendações técnicas para reduzir perdas”, frisa.

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