Rafael Greca deixou o PSD, partido do atual governador Ratinho Júnior, para tentar viabilizar uma chance real de ser o novo chefe do governo estadual. Sem a confiança (pública e particular) de que seria o escolhido por Ratinho Junior, Greca foi para o MDB buscando ao menos um espaço para tentar viabilizar sua candidatura, sem a certeza de ter os apoios necessários.

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Três vezes prefeito de Curitiba, deputado estadual, federal, secretário estadual por várias vezes e até ministro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Rafael Greca (MDB) deixou claro que não pretende ser apenas um espectador nas eleições estaduais.

Ao receber a reportagem, o ex-prefeito de Curitiba ignorou o rótulo de “Plano C” do atual governo e posicionou-se como o herdeiro natural do Paraná, citando seu DNA “paranista” e seus feitos como chefe do executivo da capital para justificar sua ambição. “Tudo isso não só me credencia, me impulsiona a querer dar um futuro para o nosso glorioso passado”, afirmou.

As conversas políticas para lhe garantir o apoio necessário estão fervilhando. Greca falou sobre essas alianças, e também um pouco sobre seus projetos e ideias. Sugeriu desde a criação de um “granoloduto” (um túnel para o escoamento de safra pela Serra do Mar) até levar os faróis do saber para todo o Paraná. Defendeu o que chamou de privatizações “decentes”, mas alertou que a falta de energia no interior é um erro que precisa de solução.

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Na segurança pública, o pré-candidato refutou críticas sobre a situação do Centro de Curitiba, classificando a resistência à presença de pessoas em situação de rua como “aporofobia” (ódio aos pobres). Mostrou confiança (“não costumo ficar em segundo lugar”) e pareceu animado durante toda a conversa, que você confere a seguir:

Tribuna do Paraná: Curitiba sempre foi a o teu “quintal”, apesar de o senhor já ter sido secretário de estado várias vezes, deputado e até ministro. Como acha que o Paraná vai acolher o seu jeitão Greca de ser?

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Rafael Greca: Obviamente sou paranaense, antes de ser de Curitiba. Meu pai era o engenheiro Eurico Dacher de Macedo e quando era diretor do DER eu conheci o Paraná inteiro viajando com ele de jipe, abrindo e conhecendo estradas antes mesmo delas serem inauguradas. Em casa sempre fomos muito devotos do paranismo e entre os amigos e familiares, tive vários que marcaram seus nomes na história do Paraná, como Alfredo Romário Martins, o maestro Bento Mussurunga e até minha prima, Maria Falce de Macedo, primeira médica do Paraná.

Com tanta tradição, tendo nascido num berço tão paranaense e com tanta pertinência, eu naturalmente acho que não é demais pedir que prestem atenção em mim. Tudo isso não só me credencia, me impulsiona, me provoca a querer dar um futuro pro meu pro nosso glorioso passado. Também aplicar todas as coisas que ao longo da minha vida eu aprendi. Desde o rodoviarismo, passando pelas cadeias produtivas de cada um dos produtos que que nós temos no Paraná, com planejamento. Isto posto, o MDB me deu um ponto de apoio e com ele eu pretendo alimentar o mundo.

Tribuna entrevista Rafael Greca (MDB), pré-candidato ao Governo do Paraná. Foto: Eduardo Luiz Klisiewicz / Tribuna do Paraná

Tribuna: Não basta querer, não basta ter um DNA paranaense, precisa de uma legenda estruturada, apoios políticos. Como o senhor está trabalhando para conseguir tudo isso e realmente viabilizar sua candidatura?

Greca: Com o mesmo sentimento do presidente Juscelino Kubichek de Oliveira, ainda antes de fazer Brasília. Deus me poupou o sentimento do medo.

Tribuna: Mas como o senhor está encarando as conversas com possíveis aliados nessa pré-candidatura?

Greca: Não temos feito outra coisa. Está fervendo. Temos recebido muitas adesões, muitas pessoas. É muito bonito, porque vêm também adesões de pessoas muito humildes, como, por exemplo, esse vereador de Tunas do Paraná, que me trouxe umas bolachas amanteigadas que o avô dele fez para mim. Mais um Grecalover me apoiando.

Tribuna: O senhor está satisfeito com os apoios políticos/partidários juntados até aqui?

Greca: Por enquanto eu estou muito feliz, tá tudo indo bem. Estamos em voo de brigadeiro. E adiante, quem viver verá. Não se esqueça que eu entrei no PMN na eleição municipal e fui muito depreciado por todas as mídias e até ignorado pelas pesquisas. No fim, terminei tri-prefeito de Curitiba.

Tribuna: Hoje o cenário nos parece outro, já que terminou sua administração com grande aprovação. Por isso a vontade de disputar o Governo?

Greca: Isso só me faz bem, só me dá mais proximidade com a população e o próximo degrau natural seria o Palácio Iguaçu. Me dá confiança também, porque conseguimos eleger o Eduardo Pimentel Slaviero em Curitiba e ajudamos o Carlos Massa Ratinho Júnior no Paraná.

Tribuna: Recentemente o presidente da ALEP foi entrevistado pela Tribuna e disse que não tinha plano B, que não a disputa para ser o sucessor do Ratinho, assim como o senhor. Mas no fim, ele se abraçou com o plano B. O senhor aparecia como um plano C do atual governador, e acabou procurando o seu caminho. Ainda há espaço para uma união de forças?

Greca: O tempo vai dizer. Há tempo ainda, são três meses. Vamos ver como vão se comportar as candidaturas aí postas e vamos ver se a população vai me rejeitar, coisa que eu acho fora de cogitação. Nem em Curitiba, nem na região metropolitana e muito menos nos setores mais influentes da sociedade paranaense, como as cooperativas, os grandes empreendedores e também os pensadores do Paraná, além da academia que me aprecia muito e até me distinguiu esse ano com o título de doutor honoris causa pela PUCPR, o que não é pouca coisa.

Tribuna: O senhor parece mais confiante do que a realidade política que se apresenta. Onde está se apoiando para ter essa confiança, qual seria sua “bala de prata”?

Greca: Eu não tenho bala de prata, eu tenho só o meu coração. O meu coração paranaense. Chega de política utilitária, chega de política para amealhar tesouros na Terra que a traça corrói. Eu quero ser o prefeito que eu fui, amoroso, operoso, capaz de gerar da fartura e prosperidade. O governante virtuoso que faz a felicidade do seu povo. E os US$ 8 bilhões e meio que constituem o legado herdado pelo jovem prefeito Eduardo Pimentel, representam a grandeza do que nós juntos ainda poderemos fazer.

Tribuna: O senhor disse recentemente que “o Dudu é meu”, mostrando confiança plena no apoio do prefeito Eduardo Pimentel à sua candidatura. Acontece que ele está no partido do governador, o PSD, que lançou a pré-candidatura do Sandro Alex. O senhor segue crendo nesse apoio, pois o prefeito estará “entre a Cruz e a Caldeirinha”?

Greca: (Não temo) de maneira alguma (falta do apoio do prefeito), porque o Eduardo será sempre da Cruz, jamais da Caldeirinha.

Tribuna: O Paraná vive um eterno gargalo no que diz respeito à infraestrutura. Quais suas ideias para fazer o estado “andar” na sua eventual gestão?

Greca: Vamos olhar para todos os lados, para todos os modelos, um por um. Olhar por uma política de transporte com multimodalidade. E trabalhar muito também para não matar a infraestrutura energética do Paraná, por intermédio da Copel. Há ressentimentos no interior pela falta eletricidade e isso causa muita apreensão nos produtores paranaenses. Mesmo aqui na cidade, às vezes na hora de pico, dá pico de energia. Eu já fiquei preso no elevador do meu prédio, na Rua Vicente Machado com Coronel Dulcídio. Tais coisas nunca tinham acontecido. Isso precisa ser remediado.

Tribuna entrevista Rafael Greca (MDB), pré-candidato ao Governo do Paraná. Foto: Eduardo Luiz Klisiewicz / Tribuna do Paraná

Temos que trabalhar mais com PCHs, as pequenas centrais hidrelétricas. Tem mais de duzentas no Estado. Podemos fazer 400, podemos fazer PCHs móveis, hidrelétricas em cima de balsas, que não trancam o rio, que é uma coisa de boa engenharia. Podemos fazer centrais gerais geradoras de eletricidade e podemos colocar novas turbinas nas grandes represas do Paraná, que ainda não têm todas as turbinas. Por exemplo, Foz do Areia e Salto Osório, que foi o governador Álvaro Dias quem fez, só têm as tribunas originais daquele tempo. Nós podemos aumentar o potencial energético do Estado.

Tribuna: O senhor acha que a venda da Copel foi um erro?

Greca: É uma tendência de mercado, mas é o tempo quem vai dizer. Mas privatizações não são ruins se forem feitas com decência. Toda privatização decente é boa. Eu vi o Fernando Henrique ouvir dos lábios da Margaret Thatcher, a dama de ferro, falando sobre privatizações. Eu estava do lado deles, num hotel em São Paulo, quando ela virou pra ele e disse: ‘privatizações mal feitas são shame on you, uma vergonha para vocês. Não façam nenhuma privatização mal feita’”.

Tribuna: Mas para uma privatização ser boa para os clientes, uma das condições é uma boa concorrência, que permita opções de serviços e preços, concorrência de mercado.

Greca: Melhorando as coisas que estão aí, acho que o problema se resolve. Eu nunca deixarei que nada mal posto ou mal organizado prejudique o povo. Eu fiz isso em Curitiba. Eu lavei Curitiba com água oxigenada na pandemia. Eu sou o Rafael Greca que lavava as calçadas de Curitiba com água oxigenada na pandemia. Eu sou hiperativo e gosto de ser superlativo, e não quero perder nenhum cuidado com o nosso povo.

Tribuna: E quanto a outras alternativas para a geração de energia elétrica?

Greca: Também podemos trabalhar muito com a fronteira do biogás, podemos e devemos trabalhar com a fronteira da energia eólica. O próprio governador fez a meu pedido as 70 centrais eólicas novas do sudoeste do Paraná, que estão em licitação. E a gente pode trabalhar em muitas outras alternativas que um bom plano de governo vai colocar no papel.

Como vocês sabem, eu não costumo tirar segundo lugar. Eu sempre tirava o primeiro lugar quando fazia trabalhos escolares. Então, se eu vou fazer um plano de governo, eu vou aplicá-lo por completo, como eu fiz com Curitiba. Está aí a pirâmide solar, estão aí as Ruas de Cidadania com tetos solares. Estão aí todas as creches, postos de saúde, CMEIS. Então, para os que duvidam, a gente pede que esperem um pouco. E eu não apostaria que eu possa fracassar.

Tribuna: O senhor falou recentemente sobre uma solução inusitada para resolver o gargalo das estradas para escoamento da safra. Como funcionaria isso?

Greca: Assim como a maravilhosa engenheira Enedina fez na Represa do Capivari, levando água de Campina Grande do Sul até Antonina, poderíamos fazer um túnel de soja.

Tribuna: Mas isso é exequível? Já foi feito algum estudo, algum projeto?

Greca: Disseram que a minha pirâmide solar era uma asneira lá em 2012. Me ridicularizaram e eis a pirâmide. Vamos visitá-la? Agora, porque não um túnel de vácuo ou de vento, que tem um terminal ferroviário Serra acima e um terminal ferroviário Serra abaixo, para acabar com o gargalo da Serra do Mar. Dá pra usar a ferida que já existe do gasoduto, de São Francisco do Sul/Araucária. Nós podemos usar esse lugar para fazer ali o “granoloduto”.

Não é ideia minha. Memória seja feita ao ex-governador Emílio Offman Gomes, ao grande engenheiro Eliazib Gonçalves Enes, e ao meu pai, Eurico Dacher de Macedo, e a outros pensadores estratégicos do movimento Pró-Paraná, que defendem soluções para acabar com os gargalos da ferrovia. O que nós não podemos é ficar sonhando com uma Ferroeste, que começou desenhada pelos irmãos Rebouças em 1873, e que ainda não funciona direito. No caminho de Guarapuava, inclusive, ela é periclitante.

Tribuna: Curitiba enfrenta um problema grande com a sensação de insegurança no Centro da cidade, com a presença de muitas pessoas em situação e rua…

Greca: Não se esqueça que eu sou marido da Margarita e, portanto, sou herdeiro da FAS (Fundação de Ação Social). Foi a Margarita quem fez a Fundação de Ação Social. Foi ela quem começou a fazer os Educadores de Rua, que criou o alerta para que as equipes saiam às ruas quando a temperatura for menor do que nove graus para recolherem os desvalidos. Colocar a culpa do problema social neles, nos desvalidos, me parece uma coisa de Satanás.

Na verdade, o que precisa é que todos os problemas de desajuste social sejam resolvidos com soluções de serviço social. Se a FAS em algum lugar não tá funcionando, pelo 156 vamos acioná-la e vamos ver no que que ela está falhando.

Eu já vi a busca ativa de pessoal da FAS com meninos, drogaditos, que vieram tentar a vida como drogados em Curitiba e vi a moça da FAS telefonando para mãe deles para comprar passagem de volta para eles voltarem para sua cidade de origem no interior de São Paulo. Então, esse processo social não é fácil, mas não pode jamais ser pautado pelo preconceito.

Tribuna: Evidentemente o problema não é a FAS e o preconceito é um problema realmente muito grande. Mas a sensação de insegurança… (interrompido mais uma vez)

Greca: Isso tem nome em português clássico: aporofobia, que é ódio aos pobres. E isso não pode existir numa democracia, muito menos numa cidade que se pretende civilizada. Numa cidade que em 1918 teve uma obra de apoio à maternidade e à infância do Dr. Raul Carneiro e do Dr. César Perneta, que gerou o que chamamos de Pequeno Príncipe. A cidade onde havia o Grêmio das Violetas, que pagou os primeiros trabalhos do Dr. Raul Carneiro para dar às mulheres mais humildes o berço, o enxoval, o carinho e a proteção. E também numa cidade que já teve dona Anita Gaertner como primeira dama, que tendo visto o marido morrer de câncer, o prefeito Erasto Gaertner, juntou madeiras, ergueu um pavilhão, e fez o primeiro pavilhão de morfina misericordioso de Curitiba, que deu origem ao Hospital Erasto Gaertner. Tais coisas digo para que todos saibam que Curitiba é medida pela medida da misericórdia, e que ninguém tem coragem perto de mim de dizer que Curitiba não é humanitária.

Tribuna: Mas é também insegura. Hoje em dia no Centro, nos bairros próximos, como no Parolin, por exemplo, tomado por organizações criminosas…

Greca: Consulte a Secretaria de Defesa Social da Prefeitura, a Polícia Estadual. Peça através dos Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança), que a muralha digital revele os pontos que estão pegando e trabalhem com batidas dentro dos ônibus, das linhas onde há mais problema e prestem atenção também que não podemos permitir territórios de crime dentro da cidade. Agora, tudo isso são as entidades de segurança que devem fazer. Enquanto eu tive essa responsabilidade, nunca deixei isso acontecer. E se tu o dizes, eu tenho que acreditar, porque você é da Tribuna do paraná. Agora, você também pode dizer isso ao Eduardo e nos ajudar. Ou como cidadão, ligar 156 e dizer o que tá acontecendo.

Tribuna: Mas a responsabilidade sobre o problema da segurança pública de um município é via de regra transferida para o Governo Estadual, por uma questão simples de responsabilidade dos poderes…

Greca: Não, não é verdade. A segurança pública do Brasil no nível do que tá acontecendo hoje no Rio de Janeiro, com territórios de crime organizado, é um problema federal.

Tribuna: O senhor acha que falta ajuda federal em Curitiba?

Greca: Falta intervenção no Brasil inteiro, não pode haver territórios de crime. O que acontece no Rio de Janeiro é um absurdo, é o crime mandando em territórios inteiros. Em Curitiba isso não existe. E você citou Parolin, é uma é uma favela histórica foi uma ocupação de invasão no Vale do Rio Pinheirinho, abaixo da colina onde era a chácara da família de Dona Ema e do senhor Benito Parolin. Agora, o que é ruim é que a favela, quando ela não se resolve, ela se transforma no que o Euclides da Cunha falou no seu livro “Os Sertões”: favela é uma árvore que tem espinhos que podem gerar feridas incuráveis.

Tribuna: Se eleito, o senhor será chefe da segurança no Estado. Quais são suas propostas para melhorar a segurança no Paraná?

Greca: Não tem outra receita que não a vigilância permanente. Não tem outra receita, senão a presença permanente. Durante muitos anos fiz a festa da Igreja da Ordem, junto com a Margarita no Largo da Ordem. Víamos que quando havia, por exemplo, um jogo de futebol e a polícia saía da praça, imediatamente uma súcia de malfeitores aparecia na praça. Então, onde não há policiamento, há problema. Onde há policiamento, não há problema.

Agora, a questão da repatriação, da reinserção familiar das pessoas é muito, muito importante. É o dever da FAS, é o dever das organizações religiosas, é o dever da maçonaria, é o dever dos clubes de serviço, é o dever de todos que se sintam incomodados com esse problema. Agora também não fale a bobagem de que não se deve dar de comer para os pobres, porque pobres famintos matam pessoas nas ruas. E isso não pode acontecer porque daí seria a barbárie.

Tribuna: Todos os candidatos falam de reforço no policiamento…

Greca: O plano de governo está sendo montado. Claro que a polícia precisa ter sempre novos efetivos. Os policiais têm uma escala de um dia de trabalho, por dois de desanco. Quando passam à noite trabalhando, passam dois dias descansando. Isso exige um grande contingente. A inteligência artificial ajuda muito, a muralha digital ajuda muito. Claro que se pudermos ter tudo isso no estado todo, vamos fazê-lo.

Agora temos que lembrar também que o governador não é só um caçador de bandidos. Um governador é mais do que isso. O governador é um formulador de políticas públicas, de segurança pública e a base da política pública de segurança pública

Tribuna: Como a educação, por exemplo?

Greca: Sem dúvida nenhuma é a educação. E a segunda base é o serviço social eficiente e a terceira base é um serviço de saúde eficiente. E se tudo isso funcionar direitinho, daí dá tudo certo. E também se nós trabalharmos para que os filhos dos agricultores não queiram sair de Curitiba. das suas cidades de origem, para virem ser pobres em Curitiba. Se nós trabalharmos que, por exemplo, esse menino que que me veio trazer mel hoje lá de Tunas do Paraná, fique na sua propriedade dos seus avós, cultivando as abelhas do seu avô, do seu bisavô, e com organização do povo, prospere como um cidadão normal e comum.

Tribuna: O senhor falou sobre a movimento de êxodo rural em Curitiba, mas a Tribuna publicou uma reportagem mostrando que hoje existe um movimento contrário, da cidade grande para o interior, por segurança ou oportunidades. Que projetos o senhor tem para levar mais industrialização e empregos pro interior?

Greca: As linhas de financiamento do governo do Paraná são sobejas, são maravilhosas. O programa Paraná Competitivo é ótimo. A industrialização é um fato. Desde o governador Jaime Lerner, passando pelo governador Requião e agora nesse governo, nós não podemos falar que faltem oportunidades no interior. Agora tudo tem que ser posto dentro das cadeias produtivas.

Por exemplo, eu agora trabalharia numa cadeia produtiva do biometano. Trabalharia numa cadeia produtiva de cada um dos produtos do agronegócio, mas também trabalharia numa cadeia produtiva de que, se no Cerro Azul plantam laranjas, porque que nós não podemos ter de geleias até gelatinas, passando por pães perfumados e odorizados, chegando até em perfumes.

Por exemplo, quando Tom Ford (marca de perfumes) com o Mandarinos di Amalfi, que são as mimosas da costa da Itália, faz um perfume que custa 400 dólares um vidrinho bem pequenininho, é porque a cadeia produtiva dos cítricos lá na Itália tá funcionando. Por que que não pode funcionar no Cerro Azul?

Tribuna: Como o senhor pretende trabalhar com empreendedores e empresas de tecnologia?

Greca: Nós colocamos R$ 10 milhões para pequenos empreendedores e usamos isso para fomentar empresas durante a pandemia para que não quebrassem. Depois nós abaixamos o ISS de 5% para 2% para encher a cidade de shows, de espetáculos, de congressos. O Natal de Curitiba é um exemplo disso.

Depois, nós trabalhamos no Vale do Pinhão. Nós hoje temos cinco unicórnios, mais de 2.000 startups e tá avançando cada vez mais, não é só em Curitiba, mas no Paraná inteiro. A cidade de Assaí tem um ecossistema de inovação extraordinário e é no interior. Como essa, centenas delas. Para você ter uma ideia, o Brasil já tem mais de 200 mil drones agrícolas. Nenhum lugar do mundo tem tantos. Uns 80 mil estão no Paraná.

Tribuna: Que projeto que o senhor desenvolveu em Curitiba dá para escalar com facilidade para o restante do estado?

Greca: Ah, muitas coisas, do Armazém de Família, que faz subsídio para comida 35% mais barato, com recursos do Fundo Nacional de Alimentação, passando pelo Vale Creche, pelo programa de subsídios à infância e adolescência. Também o programa dos Faróis do Saber, com as impressoras 3D e a possibilidade de criar robótica em todas as escolas. E também o meu programa Saúde Já, que permite consulta por telefone e por computador de qualquer lugar.

Eu quero trabalhar com as 20 associações de  municípios do Paraná. O prefeito não há de ser um refém político dos políticos. O prefeito precisa ser um protagonista da sua história. Eu quero um “Rafaelzinho” ou “Rafaelazinha” em cada um dos 399 municípios do Paraná. Todos eles com muita vontade, sem ficar de pires na mão, sabendo do seu direito e do dever do Estado, que é atender bem todas as comunidades, por menores que elas sejam.

Tribuna entrevista Rafael Greca (MDB), pré-candidato ao Governo do Paraná. Foto: Eduardo Luiz Klisiewicz / Tribuna do Paraná

Tribuna: O senhor é um político da velha guarda, afinal está aí há muito tempo, mas que prega o que chama de ideias novas. Tem funcionado essa estratégia?

Greva: Eu tenho esse vício do nosso companheiro do MDB do Egito, Moisés, que aos 80 anos começou a caminhar rumo à Terra Prometida.

Tribuna: Faz um ano que sua esposa Margarita se foi. Como está sendo? Afinal ela era mais do que uma esposa, mas sim uma conselheira presente nas tuas decisões.

Greca: Eu estou com ela dentro de mim. Ela me escreveu e me deixou esse livro que tá aqui na minha mesinha de cabeceira, que chama “Dentro da Gente”. E ela, como eu, acreditamos que dentro da gente está a nossa consciência. E com a nossa consciência, pela comunhão dos Santos, que é da nossa religião, nós podemos conversar. Eu e a Margarida conversamos sempre. Por intuição. por amor e por profundo respeito ao desígnio de Deus, quem sabe para me provar mais e para me fazer melhor adiante. Quem sabe eu ganho um terreno melhor no céu.