A idade, a renda e a escolaridade estão associadas aos hábitos alimentares de gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Um estudo desenvolvido por pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com dados de 604 mulheres, identificou diferenças no consumo de alimentos conforme as condições sociodemográficas.
Entre os resultados, gestantes mais jovens apresentaram maior consumo de bebidas adoçadas e alimentos ultraprocessados, enquanto renda e escolaridade mais elevadas foram associadas a um consumo maior de frutas.
Os dados mostram que quase oito em cada dez gestantes adolescentes, com idades entre 14 e 19 anos, fazem refeições em frente à televisão. O hábito também aparece entre as mulheres que estão na primeira gestação.
Segundo nutricionistas, comer diante de telas pode atrasar a percepção de saciedade. A pesquisa também identificou maior consumo de embutidos, bebidas adoçadas, macarrão instantâneo e salgadinhos de pacote entre as gestantes mais jovens. Já entre as mulheres mais velhas, foi observado maior hábito de realizar as três principais refeições do dia.
Renda impacta na alimentação
A renda aparece como um fator importante para o acesso a alimentos considerados mais saudáveis. De acordo com as pesquisadoras, mulheres com menor renda apresentaram maior consumo de hambúrgueres e embutidos, enquanto níveis mais altos de renda e escolaridade foram associados a um consumo maior de frutas.
A disponibilidade de estabelecimentos que comercializam alimentos frescos também pode influenciar as escolhas. “As questões de renda vão afetar questões de acessibilidade. Então, por exemplo, o local onde você mora, ele vai dizer quais são os estabelecimentos alimentares ao seu redor, se você vai ter acesso à comida de qualidade”, explica a professora Doroteia Höfelmann.
A pesquisa é realizada desde 2018, a partir de entrevistas com gestantes que fazem acompanhamento pré-natal pelo SUS em Colombo. Entre as 604 mulheres analisadas, pouco mais de 62% tinham entre 20 e 29 anos, cerca de 66% apresentavam renda familiar per capita de até R$ 750 e 56% tinham menos de 11 anos de escolaridade.
Além disso, 72,6% já haviam dado à luz a mais de um filho. A escolha do município considerou a disponibilidade de dados e a abrangência do atendimento público de saúde: aproximadamente 194 mil dos cerca de 232 mil habitantes dependem exclusivamente do SUS.
Orientações
A pesquisa integra um projeto de iniciação científica do Departamento de Nutrição da UFPR voltado às condições de vida e saúde durante a gravidez e o puerpério, período após o parto. O trabalho será apresentado pela estudante Natália Albano Laureano, durante a 17ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade (Siepe).
A análise busca compreender como fatores sociais influenciam a alimentação e a qualidade de vida das gestantes e de seus filhos. Os resultados reforçam a importância de considerar as condições sociais no acompanhamento nutricional durante o pré-natal.
Uma alimentação insuficiente pode prejudicar o desenvolvimento do bebê e aumentar o risco de parto prematuro. Já o consumo excessivo de calorias pode contribuir para ganho de peso elevado, diabetes gestacional e aumento da pressão arterial.
Para as próximas etapas, as pesquisadoras pretendem ampliar as variáveis analisadas e acompanhar as mulheres e seus filhos ao longo do tempo. A proposta é incluir informações sobre consumo de álcool, tabagismo, condições de moradia, composição familiar e estado civil, além de investigar a insegurança alimentar.
