Que viagem!!!

Elefante-marinho resgatado no Paraná já percorreu 1500 km para reencontrar espécie

Filhote de elefante-marinho foi visto no litoral de La Coronilla, no Uruguai. Foto: Julia Nocchi/ Karumbé.

O elefante-marinho resgatado no Litoral do Paraná, em dezembro, já está a cerca de 800 quilômetros da Península Valdés, na Argentina, uma das principais áreas naturais de ocorrência da espécie. O filhote foi solto no dia 21 de janeiro, próximo ao Parque Estadual Marinho da Ilha de Currais, e desde então percorreu cerca de 1500 km em mar aberto.

De acordo com relatório do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), cerca de 15 dias após a soltura, o animal foi avistado em La Coronilla, no Uruguai. Ele foi resgatado com um uma pneumonia.

O monitoramento é feito por meio de um transmissor satelital instalado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que permite identificar o filhote e acompanhar diariamente sua trajetória, incluindo deslocamento, mergulhos e áreas de permanência.

O registro em território uruguaio possibilitou o acompanhamento por parceiros da ONG Karumbé, referência em conservação marinha no país vizinho. A integração das equipes amplia a coleta de dados e ajuda a compreender o comportamento do animal no oceano.

Trajeto percorrido pelo elefante-marinho. Imagem: LEC-UFPR.

“Com a análise dos dados de mergulho e da temperatura da água onde ele esteve, podemos ter uma ideia melhor de como esses animais escolhem os locais para onde vão”, explica o biólogo André Barreto, coordenador geral do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) da Área SC/PR.

A expectativa é que, ao alcançar a região da Península Valdés, o filhote encontre outros indivíduos da mesma espécie. O caso também deve ser citado durante a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), que será realizada em Campo Grande,

“Esse filhote saiu do Paraná, cruzou o sul do Brasil, passou pelo Uruguai e agora está na Argentina, aproximando-se de sua área natural de ocorrência. Casos como esse mostram que conservação precisa de ação local, mas deve ser pensada em escala global”, afirma Camila Domit, coordenadora do LEC-UFPR. 

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