O El Niño deve provocar chuvas acima da média no Paraná durante o segundo semestre deste ano. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o fenômeno, identificado desde junho no Oceano Pacífico Equatorial, pode causar impactos mais intensos nas regiões Oeste e Sudoeste do estado, principalmente na bacia do Rio Iguaçu.
A projeção é de que o El Niño influencie as condições atmosféricas em escala global até o fim do verão de 2027. O fenômeno climático é um dos mais importantes da Terra e favorece a ocorrência de eventos meteorológicos severos, como chuvas intensas, temporais e alta incidência de raios, o que preocupa o setor agrícola.
Segundo o Simepar, o El Niño também pode trazer benefícios para a agricultura ao reduzir áreas afetadas pela seca. Por outro lado, o excesso de precipitação pode elevar a umidade do solo, dificultando operações em campo, como o plantio e a colheita.
O excesso de umidade também favorece a incidência de doenças fúngicas, compromete a qualidade dos grãos e aumenta o risco de perdas de solo causadas por processos erosivos.
Quais impactos o El Niño pode causar na agricultura?
O analista do Departamento de Economia Rural (Deral), Edmar Gervásio, explica que o excesso de chuvas pode trazer prejuízos em diferentes fases do ciclo das culturas. No período de implantação das lavouras, por exemplo, chuvas abundantes podem dificultar e atrasar o plantio, comprometer a germinação e gerar um efeito cascata para a próxima safra.
“Durante o desenvolvimento das plantas, favorece a ocorrência de doenças. Já na colheita, pode reduzir a qualidade dos grãos, aumentar as perdas no campo e dificultar as operações com máquinas”, afirma o analista.
Contudo, Gervásio ressalta que ainda é cedo para estimar os impactos financeiros ou as perdas de produção relacionadas ao fenômeno neste ano.
“Os efeitos do El Niño dependem da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas ao longo dos próximos meses e do estágio de desenvolvimento das culturas. Em alguns casos, inclusive, ele pode ser benéfico, se as chuvas ocorrerem em períodos que não prejudiquem o plantio e a colheita.”
Como os produtores podem se preparar
Como as culturas de soja e de milho são cultivadas a céu aberto, o analista do Deral afirma que não há medidas capazes de eliminar os impactos do excesso de chuva.
Para reduzir possíveis prejuízos, ele orienta que os produtores mantenham o planejamento da safra e respeitem o zoneamento agrícola, medida que ajuda a minimizar os efeitos das condições climáticas.
Projeção do Simepar para o El Niño
Com base em informações da NOAA, o Simepar afirma que o El Niño deve se intensificar gradativamente ao longo do inverno de 2026, atingindo o ápice entre a primavera e o verão 2026/2027. A probabilidade de atingir um grau de severidade forte é de mais de 80%.
Todas as regiões do Paraná possuem volumes de chuva previstos acima da média climatológica. Na projeção dos centros especializados, as regiões Noroeste e Central devem receber grandes volumes de chuva. Já as regiões de Curitiba, do litoral, dos Campos Gerais e do Norte serão as menos atingidas, mas ainda com padrão acima da média.
