A Polícia Civil do Paraná (PCPR) encerrou o inquérito e decidiu indiciar o delegado da Polícia Federal Carlos Miguel Pires Júnior por injúria racial contra três funcionários de uma empresa de aluguel de carros em Londrina.
O caso aconteceu em julho. De acordo com os relatos recolhidos na apuração policial, o delegado foi até a locadora de veículos para reclamar de uma falha na prestação do serviço. Segundo os depoimentos, durante o conflito foi oferecida a devolução dos valores pagos pelo investigado. Contudo, os denunciantes afirmam que o servidor público começou a atacar diretamente os atendentes no balcão com agressões verbais preconceituosas.
Segundo dois funcionários, o homem utilizou termos discriminatórios e desqualificou o trabalho da equipe de forma agressiva. Os insultos teriam incluído referências diretas à cor da pele dos trabalhadores, acompanhadas de intimidação durante toda a conversa.
Com o inquérito policial encerrado, o caso passa para a análise do Poder Judiciário.
Relembre o caso
A denúncia da locadora não foi a única situação envolvendo o delegado em Londrina naquele mesmo dia. Horas antes de ir ao estabelecimento comercial, o servidor já havia sido conduzido a uma delegacia da cidade após discutir com policiais militares que realizavam uma blitz de trânsito na Avenida Ayrton Senna da Silva.
Naquela ocasião, a equipe da PM registrou que o homem questionou a fiscalização e se recusou a apresentar documentos de identificação, alegando que o bloqueio prejudicava os motoristas e que, por ser autoridade federal, não precisaria se identificar. Ele acabou levado à delegacia por desacato, prestou esclarecimentos e foi liberado. Logo na sequência, dirigiu-se à locadora, onde teria ocorrido o segundo incidente do dia.
O que diz a defesa
Procurada para se manifestar sobre a conclusão do inquérito, a defesa do delegado informou que está analisando a investigação e que não vai entrar em detalhes neste momento.
Em nota, os advogados afirmam que os fatos não ocorreram da forma como foram descritos pelos funcionários e que a verdade será provada no decorrer do processo. A banca de defesa também classificou como estranho o surgimento de acusações em sequência contra o cliente.
