Ano de eleições

Corrida pela candidatura: Curi e Greca pressionam Ratinho Jr.

Foto: Gabriel Fiori/Sedest.

O calendário eleitoral e uma ala do PSD paranaense pressionam o governador Ratinho Junior (PSD) a definir o nome que vai encabeçar a candidatura do grupo político na tentativa de sucessão no governo estadual. Apesar da paz institucional e política pregada pelo pré-candidato à Presidência, Ratinho Junior tem uma equação envolvendo diversos atores com desejos próprios para resolver.

Aliados de Ratinho Junior, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba e atual secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, podem deixar o PSD, caso fiquem de fora da corrida pelo Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense.

O preferido do governador para disputar a sua sucessão é o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), nome considerado mais próximo de Ratinho Junior, que passou a ocupar a pasta justamente com o objetivo de se tornar mais conhecido nos municípios paranaenses. O comando da secretaria com vultoso orçamento à disposição também inclui uma relação direta com os prefeitos, peças-chave para a construção de uma pré-candidatura ao Executivo estadual de olho nos votos.

No entanto, as sondagens eleitorais preocupam a ala do PSD defensora da pré-candidatura de Guto Silva, que deve deixar o cargo até 4 de abril para atender ao prazo de desincompatibilização previsto pela legislação eleitoral. Por outro lado, Curi e Greca colocam-se como pré-candidatos mais viáveis nas urnas, conforme as mesmas sondagens, e são sondados por outras siglas integrantes da base do governo Ratinho Junior.

O secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável confirma o convite do Progressistas (PP) e ressalta a proximidade dele com a ex-governadora Cida Borghetti, esposa do deputado federal Ricardo Barros, principal cacique paranaense do PP. Greca afirmou que a sigla não pode ter o que caracterizou como uma “tendência suicida”, ao ser questionado sobre a possibilidade de ocupar a vaga de candidato a vice na chapa majoritária.

“Um partido político não pode ser suicida. Ele tem que querer viver para sempre ou viver mais tempo que pode. Então, o melhor nome é que tem que ser o candidato. Se eu não for o melhor nome, sequer eu quero ser candidato”, disse Greca durante o Show Rural, evento do agronegócio em Cascavel (PR), nesta semana.

Após deixar a prefeitura de Curitiba, a nomeação de Greca para a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável foi marcada por uma disputa pela Secretaria das Cidades, pasta que havia sido prometida a ele. No entanto, ele acabou preterido por Ratinho Junior e o escolhido foi o antigo aliado Guto Silva.

Sem apoio de Ratinho Junior, presidente da Assembleia Legislativa pode migrar do PSD para o Republicanos

Segundo apuração da Gazeta do Povo, o Republicanos tem potencial de se tornar o destino do presidente da Alep, Alexandre Curi, que precisa aguardar o período da janela partidária, entre março e abril, para trocar de sigla em decorrência do seu cargo de deputado estadual. Os parlamentares só podem migrar para outra sigla sem anuência da legenda durante o período da janela partidária, sob o risco de perder o mandato.

Se as candidaturas de Curi e Greca não tiverem espaço no PSD, o presidente do Legislativo estadual tem a intenção de encabeçar uma chapa com o ex-prefeito da capital. Mas Greca resiste à ideia e deve insistir na candidatura ao governo pelo PSD, pelo menos até a decisão de Ratinho Junior. O presidente da Alep está de férias, em viagem internacional, e não foi localizado pela reportagem da Gazeta do Povo para comentar o assunto.

A expectativa da base governista paranaense é que a definição seja anunciada pelo governador após o carnaval, sendo que algumas siglas de sustentação da gestão Ratinho Junior preferem as candidaturas de Curi ou de Greca, por considerá-las as mais viáveis para o crescimento da coligação durante a campanha, impulsionada pelo apoio do governador com alta taxa de aprovação popular.

No entanto, Ratinho Junior disse que a decisão do PSD pode ser adiada até abril. “Aquele que nós vamos escolher em conjunto com os deputados, prefeitos e internamente no partido é aquele que possa dar continuidade ao bom momento do estado”, disse o governador, sem sinalizar sobre a escolha da sigla.

Em nota, o PSD afirma que “continua apostando no diálogo e na defesa de uma gestão que retirou grandes obras do papel” para que o Paraná continue no posto de quarta maior economia do Brasil. No entanto, o partido prefere não falar sobre as negociações de Curi e Greca com outras siglas. “O partido não vai comentar posturas individuais de qualquer filiado porque sempre reiterou que a decisão coletiva deve ser respeitada.”

Interlocutores dos partidos da base ouvidos pela Gazeta do Povo consideram que o escolhido precisa ter capital político para enfrentar o senador Sergio Moro (União Brasil) nas urnas. Na última pesquisa do instituto 100% Cidades/Futura, divulgada no dia 30 de janeiro, Moro lidera os cenários estimulados de primeiro turno contra os três candidatos do PSD. No primeiro cenário, Moro tem 44,5% da intenção de votos contra 3,8% de Guto Silva, que fica atrás do deputado estadual Requião Filho (PDT) com 25,2% dos votos e tecnicamente empatado com Cida Borghetti (6,4%) e Paulo Martins (Novo), que somou 5,1%.

No cenário com Curi, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná soma 7,7% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Borghetti (7,3%) e Martins (6,6%). Moro lidera com 42,6%, seguido pelo pré-candidato pedetista, que terá apoio do PT. No terceiro cenário com um dos cotados pelo PSD, Greca soma 10,1%, também empatado tecnicamente com Martins (5,3%) e Borghetti (4,9%). Moro tem a preferência de 44,6% do eleitorado, seguido de Requião Filho com 22,7%.

  • Metodologia da pesquisa citada: o instituto 100% Cidades/Futura ouviu 800 pessoas entre os dias 24 e 27 de janeiro. A pesquisa foi contratada pela Futura Pesquisas e Assessorias Ltda. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. Registro no TSE nº PR-08318/2026.  

Chegada de Rafael Greca depende da saída de Moro, diz cacique do PP

O ex-juiz da Lava Jato lidera as pesquisas recentes junto ao eleitorado, mas não tem o apoio do PP, que passou a integrar a maior federação do país ao lado do União Brasil. Assim, a candidatura de Moro se tornou uma queda de braço no União Progressista entre o grupo do presidente do PP, Ciro Nogueira, aliado de Ricardo Barros, e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.

Moro declara que tem o apoio de Rueda e que o PP deveria seguir no Paraná o acordo que foi feito durante as negociações para a construção da federação, que ainda aguarda a homologação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesta semana, Barros voltou a repetir que Moro não tem o apoio do PP e pode ficar de fora da eleição ao governo do estado, se não deixar a federação.

A permanência do senador, segundo o deputado federal, inviabiliza o convite a Greca para concorrer ao governo pelo Progressistas. “Se ele [Moro] for para outro partido, terá garantia de legenda para concorrer ao governo. Se ficar no Progressistas, nós vamos decidir na convenção. Se ele mudar de postura, buscar apoio, pode ser uma opção. Se ele sair, nós vamos nos reunir para decidir se filiamos o Rafael Greca ou lançamos a Cida Borghetti ou o Marcelo Belinati [ex-prefeito de Londrina], que já estão no partido, ou até se podemos apoiar o candidato do Ratinho Junior”, comenta o cacique do Progressistas.

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