O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) emitiu a Licença Ambiental Prévia (LAP) que atesta a viabilidade ambiental para a construção de um porto próprio da Coamo Agroindustrial Cooperativa, com sede no Paraná. O documento, conforme divulgação da cooperativa na quinta-feira (27), autoriza o avanço do projeto de um Terminal de Uso Privado (TUP) em Itapoá, no litoral catarinense.

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Com investimento estimado em R$ 3 bilhões, o porto será construído em uma área de 42,8 hectares às margens da Baía da Babitonga. Desde agosto de 2025, a Coamo participa de reuniões com o Governo de Santa Catarina para viabilizar a instalação do terminal. O objetivo da cooperativa é ter uma alternativa ao Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná.

A implantação exigirá a supressão de 36,8 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica. Como parte das medidas de compensação e mitigação previstas no licenciamento, o projeto inclui ações de regularização fundiária e estudos para a criação de uma Unidade de Conservação (UC) em uma área de manguezal localizada no bairro Figueira.

A Licença Ambiental Prévia tem validade de 60 meses a partir da assinatura. O próximo passo será comprovar o cumprimento das dezenas de condicionantes técnicas estabelecidas pelo IMA para solicitar a Licença Ambiental de Instalação (LAI), necessária para o início das obras. Depois dessa etapa, o cronograma previsto para a construção é de 36 meses.

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A estimativa é de que o terminal entre em operação em 2030 e tenha capacidade para movimentar até 11 milhões de toneladas por ano. O projeto foi planejado como um terminal multipropósito, com três estruturas independentes para reduzir o risco de contaminação cruzada entre os produtos.

Cooperativa tenta alternativa ao Porto de Paranaguá

O projeto prevê dois armazéns para grãos e outro exclusivo para fertilizantes. O terminal também terá estrutura para armazenar combustíveis e biocombustíveis, com sete tanques verticais e capacidade total de 90 mil metros cúbicos. A área destinada ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) terá capacidade para mais de 38 mil toneladas, distribuídas entre um tanque refrigerado e 13 tanques pressurizados.

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Segundo a Coamo, embora a cooperativa já escoe quase 5 milhões de toneladas por ano pelo Porto de Paranaguá, ainda existem limitações para o transporte da produção. O deslocamento de grãos, como soja e milho, pode enfrentar longas filas e dificuldades logísticas até a chegada ao terminal paranaense.

Com as obras de duplicação das rodovias SC-416 e SC-417 em andamento em Santa Catarina, a cooperativa avalia o terminal em Itapoá como uma nova alternativa logística. O projeto poderá utilizar o canal de acesso já existente do Porto de São Francisco do Sul.

No entanto, o empreendimento não prevê uma ponte de acesso rodoviário até a costa. A circulação será restrita ao interior das galerias previstas no projeto ou ao uso de embarcações de serviço.

Expansão no Paraná

Enquanto avança com o projeto de infraestrutura portuária em Santa Catarina, a Coamo também anunciou, em agosto, o arrendamento de unidades agrícolas em Alvorada do Sul, Mauá da Serra, Teixeira Soares e Tibagi, no Paraná.

A estratégia busca ampliar a atuação da cooperativa e fortalecer o atendimento aos produtores dessas regiões. Atualmente, a Coamo é considerada a maior cooperativa agroindustrial da América Latina e registrou receita global de R$ 28,7 bilhões.

“Esta iniciativa da Coamo faz parte da sua estratégia de crescimento sustentável, do fortalecimento operacional para atendimento aos produtores das regiões Norte, Norte Pioneiro e Campos Gerais do Paraná”, informou a cooperativa.

Para formalizar os arrendamentos, a Coamo realiza reuniões com produtores locais das áreas envolvidas. Os encontros têm como objetivo apresentar a filosofia e as diretrizes da cooperativa, além dos produtos e serviços que serão disponibilizados aos agricultores.