O Paraná registrou 533 confrontos envolvendo policiais e guardas municipais em 2025, com 497 civis mortos e 126 feridos. Os dados fazem parte de um levantamento do Ministério Público do Paraná (MPPR), divulgado durante coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (16)
Os números representam crescimento em relação a 2024, quando houve 433 ocorrências (aumento de 23,1%) com 412 mortos (20,6%) e 109 feridos (15,6%).
Curitiba lidera a lista de cidades com maior número de ocorrências: foram 121 em 2025. A capital e a região metropolitana respondem por 40% dos confrontos tanto em 2024 quanto no ano passado.
Análise de dados
Desde 2024, a base de dados passou a incluir também ocorrências que resultaram em lesões corporais e não apenas em mortes. O sistema atual considera informações como tipos de intervenção das polícias que resultaram em morte ou lesão, o período de cada ocorrência e acontecimentos que antecederam os confrontos, como disparo ou saque de arma de fogo pelos envolvidos.
Assim, o levantamento aponta que no ano passado, em 63,22% dos casos que terminaram em morte ou lesão corporal, a polícia atuou enquanto o crime acontecia, durante as abordagens.
Com relação aos meios utilizados pelos suspeitos, em 395 casos das 533 ocorrências (74,10%), eles portavam arma de fogo e, em 74 casos (13,88%), os envolvidos usavam arma branca.
O MPPR detalha que um dos aspectos importantes da metodologia de análise dos dados adotada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) é a relação dos números de mortes ou lesão corporal com outros dados utilizados pela área de segurança pública, sobretudo o de mortes violentas intencionais (MVI), indicador que reúne todos os registros de homicídios dolosos, latrocínios, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte, roubo que termina em morte e mortes a partir de intervenções policiais em serviço e fora dele (morte por intervenção legal de agente do estado).
Por esse critério tradicional, adotado pelos principais estudos sobre segurança pública, em 2025 as ocorrências policiais que resultaram em morte ou lesão corporal representaram 22,1% diante das 2.248 mortes violentas intencionais contabilizadas. Segundo o MPPR, a utilização isolada desse indicador não apresenta detalhes suficientes para explicar o contexto em que as ações acontecem. O órgão entende que a redução das mortes violentas em geral, acompanhada pelo aumento proporcional das ocorrências a partir da ação policial não permite concluir com precisão a dinâmica da atividade policial.
Assim, o Gaesp tem incorporado indicadores ligados ao volume de abordagens policiais, prisões em flagrante e feito análise individualizada de casos concretos, como forma de tentar apresentar com mais precisão a realidade no estado.
Coordenador do Gaesp, Rodrigo Chemin Guimarães explica que a adoção de critérios qualitativos tem como objetivo entender todo o contexto em que o confronto que resultou em morte ou lesão corporal ocorreu. “A análise do que de fato está acontecendo em cada um dos boletins de ocorrência, em cada um dos inquéritos, em cada uma das investigações, em que circunstâncias ocorreram, quem eram as vítimas, o histórico das vitimas no âmbito da sistema de justiça criminal, a ação concreta que foi enfrentada, se a vítima estava armada ou não, nenhum estado no Brasil faz”, informa.
Quem são as vítimas
Segundo o MPPR, 99% dos envolvidos são homens. Deste contingente, 44,3% são pardos e a faixa etária predominante das vítimas que morreram nos confrontos é de 18 a 29 anos.
“Pelos números que identificamos, quase 99% dos casos, para mais, até, as situações em que a Polícia [Militar] abordou pessoas na rua e prendeu em flagrante, não houve resultado de lesão corporal ou morte”, explica Rodrigo Chemim Guimarães, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) em entrevista coletiva nesta terça-feira. O procurador lembra que gira em torno de 0,40% os casos em que um flagrante resultou em morte ou lesão corporal, “o que indica um cenário de não abuso como regra”, pontua.
O que diz a Secretaria de Segurança Pública
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) informa que as polícias Civil e Militar mais a Guarda Municipal “seguem protocolos rigorosos de treinamento e uso diferenciado da força, com prioridade à preservação da vida”. A pasta explica que armas de fogo são empregadas apenas como último recurso, quando há agressão injusta e iminente contra policiais e terceiros.
Destaca ainda, a partir de números da Sesp e Ministério da Justiça, que em 2025 foram registradas 490 mortes em confronto com forças policiais no Paraná. E que, no ano passado, as polícias do Paraná detiveram 73.194 suspeitos em todo o Estado, quando foram realizadas também 490 neutralizações em confrontos, pouco mais de 0,6% do total de detenções, o que evidencia, explica a nota, o caráter excepcional dessas ocorrências diante do volume de abordagens.
“A Sesp ressalta ainda que toda morte decorrente de intervenção policial é apurada com rigor e transparência, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário. Ao mesmo tempo, vale sempre ressaltar que em 2025, o Paraná apresentou os menores números de homicídios, roubos e furtos desde o início da série histórica, em 2007 e essa tendência de queda se mantém em 2026”, conclui o documento.
