Energia elétrica

Como o acordo dos EUA para usar energia da Itaipu em data center pode afetar o Paraná

Fotografia aérea panorâmica em vista angular da estrutura do vertedouro de uma usina hidrelétrica de grande porte com as comportas abertas. Em primeiro plano e à esquerda, volumosos jatos de água branca e espumosa desaguam violentamente no rio, formando uma densa nuvem de vapor e névoa sobre a água barrenta agitada em tons de castanho e bege. No plano intermediário, as calhas de concreto inclinado do vertedouro direcionam o fluxo de água a partir da estrutura da barragem, situada à direita. Áreas verdes arborizadas e encostas com vegetação delimitam as margens do complexo de engenharia. Ao fundo, a albufeira estende-se sob a paisagem de relevo suave e áreas florestadas, sob um céu azul povoado por nuvens brancas e iluminação solar diurna.
Empresa americana e paraguaia firmaram parceria nesta quarta-feira. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (21) um projeto para construir um centro de processamento de dados voltado à inteligência artificial no Paraguai, utilizando energia da hidrelétrica de Itaipu, administrada em conjunto pelo país sul-americano e pelo Brasil.

O projeto será desenvolvido pela empresa americana Crusoe, especializada em infraestrutura para inteligência artificial, em parceria com a paraguaia Araico, que atua em projetos de energia e infraestrutura.

A previsão é que o centro comece a operar em meados de 2027, atendendo empresas que utilizam serviços de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina.

O governo americano não divulgou o valor do investimento nem o volume de energia destinado à instalação, mas classificou o empreendimento como potencialmente um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai.

Como esse acordo afeta o Paraná?

Um dos principais pontos de atenção para o Paraná é a negociação das regras de comercialização da energia de Itaipu. Pelo tratado que regulamenta a usina, Brasil e Paraguai têm direito a metade da produção cada um, e a energia não utilizada por um dos países pode ser adquirida pelo outro.

Com a renegociação do Anexo C do tratado, o Paraguai busca ampliar sua autonomia para comercializar a própria parcela da eletricidade. Se parte da energia que poderia ser vendida ao Brasil passar a abastecer instalações de grande porte no território paraguaio, poderá haver mudanças na disponibilidade de eletricidade para o sistema brasileiro. O impacto, porém, dependerá do volume contratado e das condições definidas para o fornecimento.

Essa possibilidade também coloca em discussão os custos de energia e a competitividade da indústria paranaense. Caso haja redução relevante da oferta de energia disponível para o Brasil, o sistema elétrico poderá precisar recorrer a outras fontes de geração, dependendo das condições de oferta e demanda.

Outro ponto de atenção envolve os municípios paranaenses que recebem royalties de Itaipu. Os repasses compensam os impactos territoriais da formação do reservatório e beneficiam o estado e municípios lindeiros ao lago.

Como os royalties estão vinculados a critérios próprios de geração e compensação, o anúncio do centro de dados não significa, por si só, redução dos valores destinados às cidades. Eventuais efeitos dependeriam de mudanças nas regras, na geração ou nos parâmetros que determinam os pagamentos.

Entenda o acordo

Segundo comunicado do Departamento de Estado americano, a instalação na Itaipu contará com equipamentos de alta capacidade para processamento de dados e deverá atender empresas que utilizam serviços de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina. A energia necessária para o funcionamento será fornecida a partir da produção de Itaipu.

O governo americano não divulgou o valor do investimento nem a quantidade de energia que será destinada ao empreendimento. Apesar disso, o Departamento de Estado afirmou que o projeto poderá representar “um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai”.

O anúncio ocorreu durante a visita do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, a Assunção, onde se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano. A iniciativa foi divulgada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos sem menção ao governo brasileiro no comunicado.

Além do centro de dados, os Estados Unidos anunciaram investimentos em mineração e acordos de cooperação com o Paraguai nas áreas de segurança e energia nuclear.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google