Indicação Geográfica

Com a “capital do morango”, região do Paraná é referência na produção da fruta

Norte Pioneiro transforma morango em joia da agricultura familiar
Produção de morangos no Norte Pioneiro. Foto: Gabriel Rosa/AEN

Estrela de muitos bolos e sobremesas, o morango é uma das frutas mais populares do país. No Norte Pioneiro do Paraná, o morango ganhou status de excelência. Com o selo de Indicação Geográfica (IG), o fruto produzido na região tem “pedigree” e comprova que o Paraná possui uma joia da agricultura em “solo vermelho”.

O epicentro dessa produção especial é Jaboti, conhecida como a capital paranaense do morango. Ao lado de Japira, Pinhalão e Tomazina, a cidade conquistou a IG na forma de Indicação de Procedência (IP) em 2022 graças a um terroir privilegiado e a tradição dos produtores.

Conforme o último levantamento, de 2024, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, o Paraná tem 805 hectares cultivados com morango e produção de 34.236 toneladas. O preço médio da fruta ficou em torno de R$ 20,60. 

Os dados do Deral também apontam que Jaboti é um dos líderes do cultivo de morango no estado. Somente o município registrou Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 96,4 milhões em 2024, com produção de 4.680 toneladas.

Jaboti é chamada de a Capital do Morango. Foto: Gabriel Rosa/AEN

“O morango dessa região do Norte Pioneiro é diferente por questões do solo e do clima. Foi feito um estudo sobre a terra, e o terroir daqui se mostrou diferente do encontrado em outras regiões. Foi isso que garantiu a conquista da IG”, afirma Fabiano Lima, produtor local e presidente da Associação Norte Velho dos Produtores Rurais (ANV).

Morango do Norte Pioneiro é livre de agrotóxicos

Fabiano explica que para garantir que a fruta chegue com qualidade aos consumidores, os produtores investem em diferentes opções de plantio, como o sistema suspenso em slabs (bancadas elevadas). Esse método facilita o manejo e protege a fruta das oscilações climáticas.

Além da estrutura, o presidente da ANV garante que a atenção com o cultivo correto é uma regra inegociável para os 25 associados que trabalham com o produto certificado. Isso porque, além do selo da IG, o morango da região também é certificado pela Adapar por não usar agrotóxicos.

“Temos o curso de boas práticas, onde se trabalha toda a parte de higienização, desde as cestas de colheita até o cuidado com as mãos e roupas. O selo da Adapar comprova que produzimos um produto de excelência, por não usar agrotóxicos”, explica o presidente.

Novas oportunidades no meio rural

Apesar de ter um papel de liderança na associação, a vida no campo nem sempre foi realidade para Fabiano. Ele entrou no ramo há cerca de cinco anos, depois que decidiu sair da carreira de marketing que exerceu por 16 anos. Foi durante a pandemia de covid-19 que o atual presidente da Associação decidiu encarar a vida rural em Jaboti e, aos poucos, aprendeu a plantar morangos.

“Eu mudei radicalmente. Cheguei aqui sem saber absolutamente nada de morango, mas o sítio tem que funcionar como uma empresa, ele tem que ser rentável. Para uma associação de pequenos produtores, movimentar quase R$ 2 milhões é algo muito expressivo”, destaca Fabiano.

Fabiano explica que todos os produtores da região do Norte Pioneiro são agricultores familiares e exalta os números que mostram o sucesso do trabalho dessas famílias, que saltaram de R$ 400 mil em 2023 para quase R$ 2 milhões em 2025, conforme dados da ANV.

O futuro do morango do Norte Pioneiro

Com uma comercialização anual de cerca de 100 toneladas, a Associação agora mira a possibilidade de entrar no mercado internacional por meio de algumas alternativas que garantem melhor a conservação da fruta, como a liofilização (desidratação que preserva nutrientes e sabor). Como o morango é altamente perecível, essa tecnologia pode ser o passaporte para cruzar fronteiras.

Para Fabiano, a Indicação Geográfica é o motor que impulsiona esse futuro. “A IG traz um reconhecimento para a nossa região. As pessoas ficam mais curiosas em procurar o nosso morango e, consequentemente, a gente vende mais. Ela ajuda a agregar valor para clientes exigentes que buscam saber a origem do que consomem”.

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O auge da produção acontece entre julho e outubro, meses em que a região vive o que Fabiano chama de “enchente de morango”. Esse também é o período em que a qualidade atinge o ápice, consolidando a IG do Norte Pioneiro.

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