Doença degenerativa

Cirurgia inédita no HC de Curitiba devolve qualidade de vida a pacientes com Parkinson pelo SUS

Aparelho funciona como um "marcapasso" cerebral, ajudando a diminuir tremores e rigidez muscular em pacientes com Parkinson no HC. / Foto: Marcos Solivan / Sucom UFPR.

Uma novidade no atendimento público de saúde em Curitiba traz mais esperança para quem convive com a Doença de Parkinson. O Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (CHC-UFPR) realizou, de forma inédita em sua estrutura, a cirurgia de estimulação cerebral profunda pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento implantou um dispositivo no cérebro do paciente para ajudar a amenizar as limitações causadas pela enfermidade.

O tratamento utiliza uma tecnologia que funciona como um “marcapasso cerebral”. O aparelho envia impulsos elétricos para áreas específicas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. A ideia não é curar a doença, mas sim devolver autonomia a quem já sofre com tremores intensos, rigidez e oscilações no efeito dos medicamentos do dia a dia.

Na prática, a cirurgia é voltada para um perfil bem específico de paciente: aquele que ainda responde ao tratamento com remédios, mas já enfrenta dificuldades para manter a rotina por conta dos movimentos involuntários e do tremor forte. Cerca de um mês após a operação, o paciente retorna ao hospital para ligar o estimulador e começar o acompanhamento dos resultados.

A conquista é fruto de um novo serviço criado recentemente no HC. O ambulatório de Neurocirurgia Funcional conta com uma equipe formada por neurologista, neuropsicólogo e neurocirurgião, que avaliam juntos cada caso antes de indicar a intervenção. A meta do hospital é realizar cerca de uma cirurgia desse tipo por mês.

Além do tratamento para o Parkinson, o espaço também foi estruturado para atender outras condições delicadas, como distonias (que causam contrações involuntárias), tremor essencial, procedimentos para alívio de dores crônicas e cirurgias voltadas a crianças e adultos com paralisia cerebral. Para ter acesso ao serviço, o paciente precisa já estar em acompanhamento na rede de Neurologia do próprio hospital.

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