Economia

Cooperativas paranaenses oferecem moradia e estudo para reter funcionários

Imagem mostra notas de real em cima de uma mesa.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Pixabay/ Joel Santana

As cooperativas paranaenses empregam 157.940 funcionários no primeiro semestre de 2026, mas mantêm de 8 mil a 10 mil vagas abertas por causa da dificuldade de reter trabalhadores nas linhas de produção. A rotatividade nas cooperativas agropecuárias subiu de 3,70% em junho de 2023 para 4% em dezembro de 2025, chegando a 4,39% no oeste do estado, onde se concentram as grandes plantas industriais. As informações são da Gazeta do Povo.

O Paraná lidera o abate de frangos e a produção de tilápias no Brasil e ocupa a segunda posição no processamento de suínos. Em 2025, o estado abateu 2,29 bilhões de frangos e 12,9 milhões de suínos e produziu 209,3 mil toneladas de tilápia, segundo o IBGE. A pressão sobre a mão de obra é maior nos frigoríficos, onde muitas funções ainda dependem de trabalho manual e repetitivo.

João Gogola Neto, gerente de Monitoramento e Consultoria do Sistema Ocepar, explica que a abertura de novos postos de trabalho e a falta de mão de obra fazem com que trabalhadores migrem de uma cooperativa para outra em busca de benefícios. Sem as operações industriais, o indicador de rotatividade das cooperativas agropecuárias ficaria próximo de 2%.

Cooperativas cedem terrenos e aproximam casa do trabalho

A Copacol, que emprega cerca de 16,9 mil pessoas, transporta diariamente funcionários de 55 municípios do oeste do Paraná até as unidades industriais. Alguns passam até quatro horas entre a ida e a volta. Em 2024, a cooperativa participou de um projeto que viabilizou 532 moradias, sendo 173 em Nova Aurora e 359 em Cafelândia. A Copacol cedeu os terrenos para os empreendimentos realizados em parceria com a Cohapar, a Caixa Econômica Federal e a construtora Pacaembu.

Lúcia Ferres, de 49 anos, funcionária da unidade de abate de peixes de Nova Aurora, financiou uma das casas. Antes, ela morava com a mãe e a filha Alice Fernanda, hoje com 18 anos. Ao financiar a casa, conquistou o espaço que desejava. Hoje, vai a pé até o trabalho em dez minutos. Para o gerente de Recursos Humanos da Copacol, Júlio Cezar de Melo, morar perto da indústria significa menos tempo no transporte e mais convivência com a família.

Bolsas de estudo e promoções internas retêm trabalhadores

Nos últimos 12 meses, 1,5 mil funcionários da Copacol foram promovidos internamente. A cooperativa oferece bolsas para a primeira graduação de trabalhadores com mais de um ano de empresa, cursos técnicos em parceria com o Senai e programas de pós-graduação dentro da empresa. Lúcia aproveitou uma dessas oportunidades e formou-se em Gestão de Cooperativas com bolsa da cooperativa. Depois concluiu outra graduação, em Recursos Humanos.

Na C.Vale, que emprega cerca de 15,3 mil pessoas, a cooperativa oferece uma graduação em Gestão da Produção Industrial em parceria com uma instituição de ensino, com parte das aulas durante o expediente. O gerente de Recursos Humanos, Ricardo Pastore, explica que a cooperativa libera parte da carga horária de trabalho para os funcionários estudarem.

Maria Júlia da Silva Saudação, de 22 anos, começou na C.Vale em março de 2022 e percorria cerca de 85 quilômetros entre Perobal e Palotina. Agora, morando em Palotina após financiar uma casa, chega ao trabalho em cerca de vinte minutos. A jovem concluiu um curso técnico em Alimentos com apoio da empresa e hoje atua como auxiliar de controle de processos. O indicador anual de retenção da C.Vale melhorou mais de oito pontos percentuais nos últimos três anos.

Imigrantes de mais de dez países trabalham nas cooperativas

Ao final de 2025, mais de 10,5 mil estrangeiros trabalhavam nas cooperativas agropecuárias do Paraná, equivalentes a 8,98% dos funcionários do ramo. Em algumas cooperativas do oeste do estado, essa participação chegou a 28%, segundo o Sistema Ocepar. Só na C.Vale trabalham hoje mais de 1,4 mil venezuelanos, além de imigrantes de outras nacionalidades.

Julifer Coromoto Partidas de Rovayo chegou ao Brasil em janeiro de 2021 com o marido e os dois filhos. A família deixou a Venezuela porque o marido, médico, estava gravemente doente e precisava de um transplante de fígado. A oportunidade na cooperativa surgiu durante a passagem pelos abrigos da Operação Acolhida, em Roraima. Hoje, Julifer e os dois filhos trabalham no abatedouro de aves, em Palotina. A família financiou um imóvel no Residencial Bem Viver, em Palotina, e o trajeto até a indústria caiu para 15 minutos.

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