O Paraná se consolidou como um dos principais centros de ilegalidade no comércio de cigarros do país. Dados recentes da pesquisa Ipsos Ipec, divulgada pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), revelam um cenário grave: 63% de todo o mercado de cigarros no estado é abastecido por produtos ilegais, mais que o dobro da média nacional de 31%.
Principal porta de entrada do contrabando vindo do Paraguai, o Paraná atingiu o maior patamar de ilegalidade desde 2021, quando o índice era de 60%. As quadrilhas que operam esse mercado ilícito movimentaram R$ 1,8 bilhão em 2025, com uma sonegação estimada de R$ 660 milhões apenas em ICMS.
Especialistas apontam a disparidade tributária entre Brasil e Paraguai como um dos maiores atrativos para a atividade ilegal. Enquanto no Brasil os impostos sobre o cigarro variam de 70% a 90%, no país vizinho a taxa média é de apenas 13%. Essa vantagem econômica permite que o produto ilegal chegue ao consumidor quase 40% mais barato que o regular.
Além do impacto econômico, o mercado ilegal de cigarros representa uma ameaça à segurança pública. Edson Vismona, presidente do FNCP, alerta: “O alto lucro e a ampla capilaridade tornam o mercado ilícito de cigarros uma das principais atividades criminosas em operação na atualidade”.
Um estudo recente da FGV corrobora essa afirmação, mostrando que o aumento da ilegalidade no mercado de cigarros está diretamente associado ao crescimento de diversos crimes, como homicídios, tráfico de drogas e apreensões de armas de fogo.
