Uma quadrilha especializada em furto de cargas causou um prejuízo estimado em R$ 6,2 milhões a uma empresa do agronegócio de Maringá, no Noroeste do Paraná. O grupo foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) nesta terça-feira (20).

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Segundo as investigações, o grupo reunia funcionários da empresa vítima e integrantes de outra companhia, que atuavam de forma coordenada para furtar cargas de farelo de milho sem o devido registro. Ao todo, 14 pessoas físicas e jurídicas foram alvos da operação em Maringá, Alto Paraná, Nova Esperança, Paiçandu e São Pedro do Paraná.

O esquema funcionava a partir da entrada de caminhões vazios no estabelecimento. Os veículos, pertencentes a uma das empresas investigadas, eram carregados com farelo de milho, enquanto funcionários da cerealista manipulavam o sistema interno de pesagem para permitir a saída irregular da mercadoria.

Dessa forma, as cargas eram retiradas sem o registro correto, dificultando o controle do estoque e a identificação dos desvios. De acordo com as apurações, os envolvidos teriam mantido a fraude por anos, com divisão de tarefas entre os participantes.

Investigação durou quase um ano

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As investigações começaram após integrantes do grupo serem presos em flagrante por furto qualificado, em 25 de novembro de 2025. A partir desse episódio, os policiais aprofundaram as diligências e identificaram uma estrutura organizada, com movimentações financeiras milionárias relacionadas aos crimes investigados.

Além do desvio das cargas, a apuração apontou indícios de lavagem de dinheiro para ocultar os lucros obtidos com a atividade criminosa. Os suspeitos utilizavam transferências entre contas bancárias, pulverização de recursos e chamadas “contas de passagem”, usadas para movimentar valores e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

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Após as primeiras prisões, também teriam adotado medidas para proteger o patrimônio contra possíveis bloqueios judiciais. Entre elas, estão transferências de veículos para terceiros, conhecidos como “laranjas”, e negociações simuladas de imóveis rurais para esconder a propriedade real dos bens.

Durante a ação, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 4,8 milhões em contas bancárias dos investigados, com o objetivo de preservar recursos para uma eventual reparação dos prejuízos.

Foram apreendidos R$ 48 mil em dinheiro, quatro caminhões, três automóveis, um trator, um quadriciclo, uma lancha, dois jet-skis e três reboques. A polícia também recolheu quatro armas de fogo, 572 munições de diferentes calibres e 11 carregadores. Nesta fase, não houve prisões, pois os pedidos de prisão preventiva foram indeferidos pela Justiça.