No primeiro semestre de 2026, os caminhões estiveram envolvidos em 1.120 sinistros nas rodovias federais do Paraná, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O número representa 28,6% dos 3.918 sinistros registrados no período. Em proporções, esses veículos estiveram em um a cada 3,5 registros.

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Em comparação com os 1.008 casos registrados no mesmo período de 2025, houve aumento de 11,11% nas ocorrências envolvendo caminhões.

Os acidentes nas rodovias paranaenses são liderados por ocorrências envolvendo carros e motocicletas. Do total, os registros se concentram principalmente nas BR-277 e BR-376, em trechos de pista dupla. A maior incidência ocorre às sextas-feiras, aos sábados e aos domingos, durante o período diurno.

Segundo o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Thiago Pizzatto, entre as principais causas dos acidentes envolvendo caminhões estão o excesso de velocidade, especialmente em curvas e pistas simples, a manutenção inadequada dos veículos e o excesso de carga.

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No primeiro semestre de 2026, a PRF flagrou 984 infrações por excesso de carga no Paraná. “O excesso de carga compromete o sistema de segurança e a infraestrutura. Temos também a fadiga, que são as longas jornadas sem pausas adequadas. E conecto também a isso um mau uso, podemos chamar assim, em acomodar uma carga no caminhão. Uma carga mal distribuída dentro do caminhão também gera esse alto índice de acidentes”, complementa.

Pizzatto também aponta um aumento nos acidentes durante o início do escoamento da safra. No Paraná, o período de maior movimento ocorre entre fevereiro e maio, durante a colheita e o transporte de soja e milho. Em 2026, abril concentrou o maior número total de acidentes nas rodovias, com 702 registros, alta de 21,45% em relação ao mesmo mês de 2025.

Acidentes estão menos letais

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Em 2026, o número de feridos em acidentes envolvendo caminhões aumentou 18,15%, passando de 336 para 397 casos. Apesar disso, a letalidade dessas ocorrências caiu pela metade. No primeiro semestre de 2025, 55 pessoas morreram em acidentes com caminhões nas rodovias do Paraná. No mesmo período deste ano, foram registradas 27 mortes.

Segundo Paulo Linck, gerente de Operações da EPR Litoral Pioneiro, a redução da letalidade pode estar relacionada ao fortalecimento das ações de prevenção, segurança viária e conscientização dos motoristas. “A segurança viária é baseada em três pilares: educação, fiscalização e engenharia. Então, as concessionárias conseguem trabalhar com engenharia e com educação. A fiscalização fica com as polícias rodoviárias”, explica.

A concessionária também monitora as rodovias 24 horas por dia por meio do Centro de Controle Operacional (CCO), com atenção especial aos trechos considerados mais críticos e suscetíveis a acidentes, como a Serra do Mar. Quando ocorre um sinistro, as equipes são acionadas para atender a ocorrência. Segundo a empresa, o tempo médio de chegada de ambulâncias com resgatistas e médicos varia de sete a dez minutos.

“Sempre que temos sinistros graves ou sinistros que resultam, infelizmente, em óbitos, fazemos uma análise mais profunda para procurar entender quais fatores contribuíram para aquela ocorrência. A maioria dos sinistros, não só aqui na Serra do Mar ou no Paraná, mas no Brasil como um todo, está relacionada ao comportamento dos condutores. Então, temos trabalhado em ações próprias de educação para o trânsito”, comenta.

No Setcepar, a conscientização e a qualificação dos motoristas também são apontadas como medidas para reduzir os acidentes. A entidade oferece uma formação própria de 120 horas para profissionais do setor. “O motorista urbano interestadual precisa ser qualificado e passar por treinamento. Diante dessa formação, o motorista será mais capacitado, mais responsável e mais seguro na estrada”, completa Thiago.

Para o vice-presidente do Setcepar, porém, a prevenção não pode depender apenas da iniciativa dos motoristas. As próprias entidades e empresas precisam orientar os profissionais sobre medidas que reduzam os riscos. “As entidades demonstram ao associado que é possível, sim, manter uma rotina rigorosa de manutenção preventiva, ter controle de jornada e acompanhar as condições de trabalho de seus profissionais”, acrescenta.

Dados planejam investimentos

Com base no levantamento das ocorrências, a EPR Litoral Pioneiro já instalou equipamentos tecnológicos para identificar possíveis riscos nas rodovias. Uma das iniciativas está em fase de testes em São José dos Pinhais e utiliza câmeras térmicas fixas, atualmente em período de calibração.

A tecnologia deve identificar automaticamente faixas de temperatura que possam indicar problemas nos sistemas de freios dos veículos e enviar as informações em tempo real à PRF.

Na Serra do Mar, a concessionária prevê concluir, até o fim de fevereiro de 2027, a infraestrutura necessária para monitorar 100% do trecho por câmeras. Para os motoristas, também está prevista a implantação de um novo Ponto de Parada e Descanso (PPD), conforme as normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O projeto ainda está em fase de detalhamento junto à agência.

Além de orientar medidas de segurança, os registros das ocorrências ajudam a concessionária a planejar investimentos e identificar a necessidade de intervenções de engenharia, como o alargamento de pistas e a readequação de trechos considerados críticos.

“O próprio governo encomenda essas contagens para que esses dados estatísticos balizem como vai ser esse contrato e todo o investimento que a concessionária faz. Há necessidade de verificação de fluxo, de contagem de fluxo e da quantidade de sinistros. Esses dados são fundamentais para balizar os investimentos que já estão previstos dentro do contrato, como para verificar se há necessidade de um novo”, explica Paulo Linck.

Para o Setcepar, embora as soluções tecnológicas possam apresentar resultados mais imediatos, a redução dos acidentes também depende da solução dos gargalos da infraestrutura do Paraná. “Ainda vemos a necessidade de mais terceira faixa, mais pista dupla e uma melhor sinalização. Essas são obras para sanar pontos que deveriam ter sido sanados há 15 anos”, afirma Pizzatto.