Crime Ambiental

Como caçadores mantinham uma base escondida dentro do maior parque do Paraná?

Fotografia ao ar livre mostrando uma pequena cabana de madeira pegando fogo no interior. Chamas alaranjadas intensas sobem do chão até o teto, emitindo uma fumaça clara que se espalha pelo ar. O abrigo fica em uma área rural arborizada, cercado por vegetação verde e árvores ao fundo sob luz do sol.
Equipamentos de caça estavam no Parque das Lauráceas, em Adrianópolis. Foto: IAT.

Uma operação destruiu, na manhã desta quarta-feira (26), um barracão utilizado por caçadores dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP) no Parque Estadual das Lauráceas, em Adrianópolis, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a Polícia Ambiental do Paraná, a estrutura era usada por diferentes grupos de caçadores. 

Embora o barracão estivesse vazio no momento da vistoria, as equipes encontraram grande quantidade de armadilhas e equipamentos de caça, além de alimentos, roupas, itens de higiene pessoal e ração para cães. Os materiais indicam que o local servia como ponto de apoio para várias pessoas.

A construção ficava em uma área remota do parque, sem acesso por estradas ou outras vias terrestres. Para chegar ao ponto, as equipes utilizaram um helicóptero do Centro de Operações Aéreas do Instituto Água e Terra (COA-IAT).

Após a vistoria, os agentes desmontaram a estrutura. Como o transporte dos materiais retirados do local seria inviável devido às condições de acesso, a equipe optou pela destruição do barracão por meio de fogo controlado. Até o momento, os responsáveis pela construção e utilização do espaço não foram identificados. 

Parque abriga espécies ameaçadas

A caça amadora, esportiva ou profissional de animais silvestres é proibida no Brasil, conforme estabelece a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5.197/1967) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).

Além de ser uma prática ilegal, a caça representa uma ameaça à biodiversidade protegida pelo Parque Estadual das Lauráceas. Maior parque estadual do Paraná, a unidade possui 30.001 hectares e abriga 76 espécies de mamíferos já mapeadas.

Entre os animais encontrados na área estão espécies raras e ameaçadas de extinção, como onça-parda, anta, lontra, veados, jacutinga, gavião-de-penacho e curió. Criado em 1979, o parque protege uma extensa área de Mata Atlântica e funciona como importante refúgio para a fauna silvestre do Paraná.

De acordo com o IAT, denúncias da população ajudam a identificar e combater esses crimes. O principal canal para comunicar possíveis crimes ambientais é o Disque-Denúncia 181. Também é possível registrar denúncias diretamente ao IAT, por meio da Ouvidoria disponível no canal Fale Conosco ou nos escritórios regionais do órgão. 

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google