Tanto o Estado como municípios têm adotado medidas para conter a pandemia de covid-19, principalmente depois que as taxas de ocupação de leitos de UTI superaram os 70% nas regionais Leste e Oeste do estado. E a mudança nas estratégias não tem sido à toa. A ocupação de leitos de UTI tem sido um dos itens que mais preocupam as autoridades nas últimas semanas no enfrentamento à covid-19.

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Em Curitiba, a taxa de ocupação de leitos chegou a 86% e Cascavel, 90%. O número de internações na terapia intensiva pode mudar constantemente, tanto pela rotatividade de pacientes com alta médica, como óbitos e novos internamentos. E nesse momento de pandemia, há também um fator importante a ser considerado. Conforme a necessidade, o estado e os municípios podem ativar novos leitos de UTI de acordo com a necessidade.

Mas, para ativar novos leitos de UTI é preciso planejamento preciso. Isso porque cada leito ativado para a covid-19 rende ao hospital uma “indenização” de R$ 800,00 por dia pelo compromisso de não ocupá-lo, deixando livre para pacientes covid. Quando o leito vem a ser ocupado, o valor da diária passa para R$ 1.600,00. “Para hospitais que já são administrados pela secretaria, nós não pagamos essa diária, pois já está incluído no nosso custo. Para todos os demais, há esse contrato”, explica o diretor de gestão em saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), Vinícius Filipak.

O governo do estado ainda paga uma diária de R$ 300,00 para os leitos de enfermaria ativados para pacientes contaminados ou suspeitos da doença, independente de ocupá-los ou não. “Há um repasso de R$ 6 milhões mensais do Ministério da Saúde para leitos de UTI habilitados pelo governo federal neste mesmo modelo. O ministério não reserva leitos de enfermaria”, comenta o diretor. Segundo a SESA, o governo estadual já gastou o equivalente a R$ 15 milhões por mês , nos últimos dois meses, com diárias de leitos de enfermaria e UTI.

“Eu não abri todos os mil leitos que a cidade dispõe porque um leito custa R$ 1.600,00 por dia, então não teria sentido nós gastarmos para dizer que estamos bem e para a turma resolver fazer festa, é um momento das pessoas prestarem atenção”, declarou, em entrevista à Rádio Band News, o prefeito de Curitiba Rafael Greca (DEM), argumentando que os leitos vão sendo ativados conforme a necessidade, por questão de austeridade fiscal. A capital tem um plano de contingenciamento de até mil leitos de UTI (recorrendo, neste caso a hospital de campanha), mas tem, hoje, 223 leitos ativados. Há outros 15 leitos já contratualizados com o Hospital de Clínicas e novos 50 leitos a serem oferecidos pelo Instituto de Medicina.

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Além da maior necessidade de leitos em decorrência da pandemia e da recomendação de se destacá-los do restante da estrutura do hospital para diminuir o risco de contaminação de outros pacientes e profissionais de saúde, a reserva de leitos específicos para a covid-19 também é necessária pelo maior tempo de permanência do paciente com coronavírus em internamento. Enquanto a média de tempo de ocupação de uma UTI geral é de 4,5 dias por paciente, casos confirmados de covid-19 têm necessitado de cuidados intensivos por, em média, 13,5 dias.

O Paraná conta, hoje, com 757 leitos de UTI adulto, 1.181 leitos de enfermaria adulto, 37 leitos de UTI infantil e 70 leitos de enfermaria infantil reservados para pacientes de covid-19.


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