Localizada no Norte do Paraná, Arapongas é a única do Brasil com todas as ruas batizadas com nomes de aves. Ao todo, quase 1,6 mil vias estão batizadas com diferentes espécies, segundo a secretaria de Turismo do estado.

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Localizado a cerca de 400 quilômetros de Curitiba, o município transformou os pássaros em parte da identidade local. Quem circula pela cidade encontra vias chamadas de Beija-flor, Tucano, Pavão, Flamingos e Gralha Azul, além da praça dos Pássaros e no chamado Estádio dos Pássaros.

A ligação entre Arapongas e as aves nasceu ainda no período do início do povoado, por volta do ano de 1937. Segundo o historiador Geancarlo Cereia, a inspiração surgiu quando Elizabeth Thomas, esposa do esposa do colonizador e administrador escocês Arthur Thomas, ouviu o canto marcante da araponga no meio de uma grande variedade de pássaros.

“Ela se deparou com uma quantidade imensa de aves cantando e, quando descobriu que era a araponga, pensou que o barulho estridente parecia um ferreiro e então decidiu colocar o nome da cidade de Arapongas”, relata.

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A homenagem às aves ganhou força na década de 1950. Na época, o então prefeito José Colombino Grassano determinou que as vias já batizadas com nomes de pássaros mantivessem essa identidade e não recebessem novas denominações. Três décadas depois, uma lei municipal ampliou a medida e estabeleceu que todas as ruas de Arapongas passassem a receber nomes de aves. 

“Existia o costume de cada prefeito alterar os nomes das ruas. A partir dessa decisão, isso deixou de acontecer. No início, as vias eram identificadas como rua das Maritacas ou rua dos Sabiás. Com o tempo, permaneceram apenas os nomes das aves, sem o pronome antecedendo”, explica o historiador Geancarlo Cereia.

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Quando os nomes mais conhecidos se esgotaram, o município recorreu a catálogos científicos de ornitologia. A estratégia resultou em ruas com denominações menos populares, como Drongo, Atobá-mascarado, Cupim-do-brejo e Dançarino-azeitona.

Ave que deu nome a cidade desapareceu há décadas

Apesar de dar nome à cidade, a araponga deixou de ser vista com frequência na região urbana. De acordo com Cereia, os últimos registros regulares da espécie ocorreram até meados da década de 1980.

“O avanço da urbanização e a redução de áreas florestais contribuíram para o desaparecimento da ave no município. Atualmente, a espécie é considerada ameaçada de extinção em parte de sua área de ocorrência”, explica o historiador.

Hoje, as arapongas aparecem principalmente em monumentos e homenagens. Duas estátuas representam a ave e destacam as diferenças entre machos e fêmeas. No município são 16 esculturas de aves, posicionadas em rotatórias e praças. Todas elas foram criadas pelo artista plástico sul-mato-grossense Cleir Ávila Ferreira Júnior.

Embora a araponga tenha se tornado rara, a observação de aves continua forte. O apicultor Marcílio José Garbelini, conhecido como Zé do Mel, dedica parte do tempo livre ao monitoramento e à fotografia da fauna local. No ano passado, Garbelini registrou a ave em fotografia.

“A ave estava se alimentando em um pé de palmeira juçara no assentamento Dorcelina Folador, que fica no município de Arapongas. Quando chegamos, já ouvimos a ave cantar a uns 200 metros de distância e logo ela apareceu. Enquanto fotografávamos uma, escutávamos outra cantando ali perto”, relata o apicultor.

Além da araponga, o apicultor registrou espécies como sabiá, bem-te-vi, joão-de-barro, quero-quero, curió, trinca-ferro e martim-pescador, e conta que essas aparecem com frequência em áreas verdes e zonas rurais do município.