Desde a privatização da Copel, em agosto de 2023, a empresa acumula 618 reclamações na plataforma Consumidor.gov relacionadas a interrupções no fornecimento de energia elétrica. De 2024 para 2025, o número de queixas desse tipo cresceu 55,8%. A plataforma do Procon-PR registra queixas voluntárias de consumidores que tiveram problemas com empresas ou serviços. 

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Entre agosto e dezembro de 2023, os registros por interrupção aumentaram mês a mês, passando de 15 reclamações em agosto para 38 em dezembro, um salto de 153% em cinco meses . Em setembro, foram 14 registros. Em outubro, o número subiu para 18. Em novembro, chegou a 24, indicando uma tendência de alta no fim do ano.

Em 2024, o total de reclamações por interrupção no fornecimento alcançou 199 registros. Já em 2025, o número saltou para 310. Dentro desse recorte, Curitiba concentra 118 dessas reclamações no período de dois anos e quatro meses.

Na contramão do aumento das queixas, o percentual médio de solução dos problemas relacionados a interrupções tem apresentado queda. Em 2023, o ano fechou com média de solução de 78,66% das ocorrências. Em 2025, esse índice caiu para 77,42%. 

Coincidência com período de chuvas

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O período com o maior número de reclamações no estado se concentra no último trimestre do ano passado. Em outubro, foram registradas 48 reclamações. Em novembro, o número caiu para 35. Em dezembro, dobrou para 68. O aumento coincide com o período de tempestades e vendavais no Paraná. Em um dos episódios, 4,2 mil serviços de religamento foram solicitados à companhia

O problema também é reconhecido pela Copel. Em nota, a empresa informou que, entre 2023 e 2025, houve média de 20 grandes temporais por ano no estado, contra 12 eventos severos registrados no triênio anterior, entre 2020 e 2022. Os fenômenos com rajadas de vento acima de 50 km/h foram 35% mais frequentes em 2025, na comparação com o ano anterior. 

Principais reclamações são sobre cobranças

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Apesar do aumento das reclamações por interrupções em 2025, esse tipo de queixa representou 8,37% dos chamados no ano passado. Cerca de 18,88% das reclamações, o equivalente a 669 registros, foram relacionadas a cobranças irregulares ou defeitos na medição do consumo.

O crescimento também aparece no volume geral de reclamações sobre energia elétrica. Em 2023, foram contabilizadas 1.523 queixas. Em 2024, o número subiu para 1.605. Em 2025, houve um salto mais expressivo, com 3.703 registros. 

O aumento das reclamações também resulta na reação de consumidores. A insatisfação com os serviços levou à criação do movimento “É Nossa Energia”, que pede a reestatização da Copel.

O grupo defende conta de luz mais barata, fim dos apagões, melhorias no atendimento e reinvestimento do lucro da empresa em ações sociais e ambientais. A campanha mantém um abaixo-assinado em aberto, com meta de 90 mil assinaturas até março de 2026.

E aí, Copel?

Procurada pela Tribuna, a Copel informou que trata de forma isonômica as reclamações recebidas por seus canais de atendimento e por plataformas como o Consumidor.gov. “Na plataforma, os contatos referentes a interrupções no fornecimento de energia configuram cerca de 8% do total, índice próximo da média do setor elétrico brasileiro. O prazo médio de resposta tem tido redução, hoje em cerca de cinco dias”, diz a nota.

Com o cenário climático atual, a Copel também afirma que tem investido em inovação e no fortalecimento de seus ativos para enfrentar os efeitos de eventos mais frequentes. Segundo a empresa, está em execução o maior plano de investimentos de sua história, com a entrega de 19 novas subestações de energia e previsão de injetar R$ 1,9 bilhão no sistema de distribuição ao longo de 2026. 

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